214 A briga de Atlético Mineiro, Santos e Grêmio pelo veterano Robinho é simbólica. Mostra o quanto o futebol brasileiro está empobrecido. Sem ídolos...
Paulo Henrique Ganso? Lucas Lima? Lucas Pratto?

Elias? Dudu? Guerrero?

Nenê? Fred? Walter?

Qual é o grande ídolo do atual futebol brasileiro?

Qual jogador tem o maior potencial neste país continental?

Não há unanimidade. Por um simples motivo. Os jogadores realmente acima de qualquer suspeita estão na Europa ou na Ásia. A recessão do país tirou o poder econômico dos clubes.

Ao mesmo tempo em que a carência do torcedor só aumenta.

Jornais, em extinção, precisam vender. As ameaçadas rádios têm de exaltar alguns atletas. E principalmente, as tevês, necessitam forjar ídolos artificiais, para tentar atrair a audiência.

Só este cenário de penúria explica a fixação de Santos, Grêmio e Atlético Mineiro por Robinho.

Aos 32 anos, o veterano acaba de fracassar na China. Na China! Seis meses bastaram para Luiz Felipe Scolari se convencer. Acabaram os arranques, as pedaladas, os dribles fora da rotina. Igual a 2002, quando encantou o país, na final do Brasileiro, só suas péssimas conclusões. Foram 14 anos sem aprende a chutar para o gol, definir a jogada.

Para quem saiu do país batendo no peito, dizendo que seria o melhor do mundo, sua trajetória foi frustrante. Colecionou inimizades, jogos no banco e poucos gols no Real Madrid. Foram 35 em três anos. Pouco mais de 11 por ano. Mesmo atuando em esquadrões contra times fraquíssimos que estão no Campeonato Espanhol para serem abatidos.

Saiu brigado com a 'panela dos espanhóis' e foi para o Manchester City. Dois anos, brigas com treinadores, dirigentes. Reserva. Péssimas partidas. Apenas 16 gols. Oito por ano. Críticas e mais críticas da imprensa inglesa.

No decadente Milan, pouco acrescentou. Nunca se firmou. Era coadjuvante ou reserva de luxo. Marcou 32 gols em quatro anos. Mesma média do City, oito gols por ano.

Seis meses no Guangzhou Evergrande e apenas três gols.

A carreira internacional encheu seus bolsos. Os contratos sempre foram de acordo com a pose e não com o que realmente Robinho mostrou em campo. Ainda ecos das oito pedaladas seguidas que deu em cima de Rogério. E que culminaram com o infantil pênalti cometido pelo atarantado corintiano.

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O então presidente do Santos, Marcelo Teixeira, e seu empresário na época, Wagner Ribeiro, souberam como capitalizar o início fulminante de carreira de Robinho. Divulgaram seus dribles, sua velocidade, sua irreverência. Surgia um novo 'fenômeno', na Vila Belmiro. O raio caía pela segunda vez, exageravam, os mais fanáticos. Forçando a comparação com o maior de todos, Pelé.

O pior é que a pessoa que mais comprou essa ideia foi o próprio Robinho. Ele acreditava piamente que estava deixando o Brasil para se tornar o maior do mundo. Ver Chelsea, Manchester United, Barcelona e Real Madrid mandarem seus representantes à Vila Belmiro era a prova.

E quando Marcelo Teixeira quis colocar obstáculos, ele não teve o menor constrangimento em enfrentar o clube que o lançou para o futebol. Bateu no peito. E, acompanhado por Vagner Ribeiro, foi para o Real Madrid. Os advogados do clube espanhol acertaram os detalhes com o Santos. O clube exigia 50 milhões de dólares, mas teve de se contentar com 30 milhões de dólares. E ponto final.

O rancor foi esquecido. Cada vez que teve problema na carreira, o Santos seguiu como porto seguro. Lugar onde poderia jogar e esperar pelos chamados da Seleção. Ele voltou duas vezes. Quando não tinha mais espaço no City e no Milan.

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Robinho encontrou cada vez mais o futebol brasileiro decadente. E se sentiu rei. Os clubes em regime falimentar, vendendo suas estrelas. E os torcedores locais fingindo não ver. Vibrando muito mais pelas cores de seus times do que pelo talento dos atletas.

Com a economia brasileira cada vez mais combalida, o talento de Robinho foi cada vez mais valorizado. Aqui, ele se sentia de novo especial. Tinha todo o carinho e a reverência que a Europa lhe nega há pelo menos oito anos. Entre os melhores do mundo, foi apenas mais um bom jogador. Nada mais do que isso. Não fez história por onde passou. E ficou longe, mas muito longe, da Bola de Ouro.

Neymar é tudo o que Robinho sonhava e não conseguiu.

Aos 32 anos, sua habilidade com a bola continua a mesma. Assim como Maradona, aos 55 anos, também é capaz de fazer embaixadas com uma laranja. Ou Denílson, aos 38 anos, é capaz de andar um quarteirão com a bola na nuca.

Só que Robinho perdeu arranque, velocidade, explosão muscular. Se tornou um jogador facilmente marcável na Europa. E até na China teve dificuldades para atuar.

Mas ele chega para um cenário devastado. São Paulo chora pela perda de Renato Augusto. Minas Gerais lamenta por Jemerson. O Rio não teve tempo nem de prantear por Gerson. Mal ele pisou na Roma, voltou emprestado ao próprio Fluminense, que o vendeu. O Rio Grande do Sul agoniza por D'Alessandro, argentino, de 32 anos.

Aqui, Robinho é rei. O Brasil é a Pasárgada do atacante. Ele está vendo o falido Santos estrebuchar para tentar ir além dos R$ 600 mil mensais. Considerados pouco por seu staff.

E não adianta se iludir. Apelar para o 'amor' ao clube que o revelou e o protegeu em tantos momentos complicados. Não é assim que funciona com Robinho.

Por isso seu retorno para a Vila Belmiro está quase descartado.

Justo quando é o clube que precisa dele...

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A direção gremista ficou encantada com a chance de ter o jogador. Mas Romildo Bolzan quase tem um enfarto ao ouvir a pedida. R$ 1 milhão a cada 30 dias. Preferiu investir em um atacante sete anos mais jovem. O equatoriano Bolaños, sonhado por Corinthians e São Paulo. O clube gastou, com gosto, R$ 19,5 milhões por 70% dos seus direitos. E pagará R$ 300 mil mensais. 30% do que pedia Robinho. Ele será seu garoto propaganda do plano de sócio-torcedor.

Sobrou o Atlético Mineiro. Ou melhor, a Dry World. O que é a Dry World? Uma empresa de material esportivo canadense. Seu nome, Mundo Seco, em inglês, se justifica. Ela teve sua origem em 2010 e tinha como objetivo fazer chuteiras para jogadores de rugby. Como chove muito no Canadá, os atletas reclamavam da água que encharcavam suas seus calçados.

A marca está se expandindo pelo mundo. E chegou ao Brasil.

Seus executivos tiveram o mesmo questionamento do início da matéria.

Qual é o maior ídolo do futebol do 'país do futebol'?

Chegaram a Robinho.

Ele confirmou que ficará por aqui em 2016.

E a empresa ofereceu um contrato de patrocínio.

Mas desde que atue no Atlético Mineiro, que aderiu à marca.

Simples assim.

Tudo se encaminha para o acerto.

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A Nike não renovou contrato com Robinho.

O jogador pode ser anunciado entre hoje e amanhã.

Os canadenses estão entusiasmados.

Assim como dirigentes e torcedores do Atlético Mineiro.

Pelo menos eles.

Se empolgar com o Robinho atual é simbólico.

Demonstra como o futebol brasileiro está empobrecido.

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Os fãs carentes.

Os veículos de comunicação desesperados por manchetes.

Em terra de cego, quem tem um olho é rei...

(E o presidente do Atlético Mineiro, Daniel Nepomuceno, imitou seu mentor: Alexandre Kalil. E anunciou a contratação de Robinho no twitter. Agradeceu à pressão da Dry World. E ofereceu contrato de dois anos ao jogador. Promete apresentação histórica. Pois é...)
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