A aposta. Com a volta de Andrés e a de Lula, a divida de R$ 2 bilhões do Itaquerão se resolverá
Roberto de Andrade não só quer o heptacampeonato brasileiro do Corinthians.

Ele e ala que representa, a Renovação e Transparência, desejam fazer do título um tapete vermelho.

Deixar o caminho aberto para o retorno do 'mentor dos mentores'.

Andrés Sanchez.

O controverso homem que revolucionou o Corinthians, quer voltar.

Exatamente como havia prometido em 2014, ao jornal “Neue Zürcher Zeitung.

"Eu quebrei o Clube dos 13 e por isso saiu de R$ 20 milhões para R$ 100 milhões de tevê. Eu posso ser o presidente do Corinthians em 2018. Vou ser e vou quebrar todo esse sistema da CBF. Eu posso ser o presidente do Corinthians em 2018.

"Vou ser e vou quebrar todo esse sistema da CBF. Vou! Em 2018! Daqui quatro anos. Gobbi sai no fim do ano, entra outro e depois venho eu. Se eu entrasse hoje na CBF, faria composição para federações e clubes trabalharem juntos, mas não quiseram. Então vai ser na marra! Os clubes vão se revoltar, serão independentes e criarão uma liga.

"Bonito é o Corinthians ter um estádio que há 103 anos era um sonho e ninguém conseguiu realizar.

"Sou o vô, o pai, o filho e o neto desse estádio. Aqui eu mando em tudo.

"Sob meu comando, o Corinthians não ganhou só títulos, mas projeção mundial. Saiu de 2008, de um faturamento de US$ 22 milhões, e entreguei para US$ 152 milhões. A marca Corinthians valia US$ 150 milhões de dólares. Entreguei valendo quase US$ 1 bilhão.

"Em cinco ou seis anos, o Corinthians estará entre os três clubes mais ricos do mundo.

Tem o Corinthians antes de mim e depois de mim."

24 A aposta. Com a volta de Andrés e a de Lula, a divida de R$ 2 bilhões do Itaquerão se resolverá

Roberto de Andrade foi o 'outro' que Andrés prometia colocar na presidência, depois do delegado Mario Gobbi. Sob o comando de Andrés, a chapa Renovação e Transparência já chegou a dez anos de total comando no Parque São Jorge. O 'baixo clero', como batizou o eterno candidato à presidência, Roque Citadini, expulsou do clube Alberto Dualib e 'levou a arquibancada para a sala da presidência', como repete o próprio Andrés, fundador da torcida organizada Pavilhão Nove, nome dado em homenagem ao setor do extinto presídio Carandiru, que era controlado por corintianos.

Andrés Sanchez acreditou que o Corinthians seria um trampolim para a política. Com a bênção do seu amigo pessoal e então presidente da República, ele viu viabilizado o sonho do estádio corintiano, depois que Ricardo Teixeira e o governo federal convenceram a Fifa que o já construído Morumbi era inviável. O Itaquerão se materializou e ainda foi o estádio de abertura da Copa do Mundo.

Andrés ganhou toda a notoriedade possível por apostar em Ronaldo, no estádio e na modernização do Corinthians. Seu desejo era ser o Alexandre Kalil paulistano. Ou seja, o presidente de um clube que entraria na política, não só para ser deputado federal. Mas para assumir a prefeitura. Caminho percorrido por Kalil. Só que Andrés fracassou nas urnas. Foi eleito como deputado federal pelo PT, como Lula havia previsto. O ex-presidente acreditava que ele teria potencial para conseguir um milhão de votos, pelo menos. Conseguiu apenas 169.834 votos.

Em Brasília, Andrés não tem destaque algum. Se viu obrigado a recuar e desistir do seu maior projeto. Ele queria que o dia 1º de setembro, o Brasil comemorasse o Dia do Corinthians. Diante da rejeição generalizada, não houve outra saída a não ser esquecer a ideia. Sanchez se disse decepcionado com Brasília e garante que não tentará a reeleição. Vai se focar no Parque São Jorge.

Enquanto esteve fora fisicamente, Andrés colocou, brigou, se afastou e depois voltou a ser o mentor. Tanto de Gobbi como de Roberto de Andrade. Foi ele, quem silenciosamente, evitou o impeachment de Andrade.

3 A aposta. Com a volta de Andrés e a de Lula, a divida de R$ 2 bilhões do Itaquerão se resolverá

Andrés 'precisa' voltar para o Parque São Jorge nas eleições de fevereiro. Por um problema gravíssimo e que jura que irá resolver. Ele se chama Itaquerão. Embora a sua ala se autodenomine "Renovação e Transparência", ninguém mostra ou assume a imensa dívida que o clube carrega por sua arena. É um imbróglio gigantesco. Para resumir, tantos conselheiros da situação como da oposição e especialistas calculam que o Corinthians deve cerca de R$ 2 bilhões.

A engenharia financeira envolve o BNDES e a Caixa Econômica Federal. Conselheiros do clube paulista receberam o relatório de uma auditoria que alega que as obras do estádio ainda custam R$ 1,338 bilhão, considerando juros e encargos até agosto de 2017. Com os famigerados CIDS (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento). Sem os CIDS, a dívida sobe para R$ 1,8 bilhão. Com os juros, que deixaram de serem pagos, assim como as parcelas mensais de R$ 5 milhões, a perspectiva é que neste mês de novembro, chegue a R$ 2 bilhões.

Vale lembrar que foi Andrés Sanchez que escolheu a forma como o estádio seria pago. Na sua imaginação, ele conseguiria R$ 400 milhões com a venda do naming rights. Mais a venda de R$ 450 milhões de CIDS, presente do então prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Seriam R$ 800 milhões. O custo inicial da Obredrecht seria de R$ 820 milhões.

Mas seu conto de fadas se desfez.

Andrés não levou em conta a recessão do mundo e em do país. São seis anos de fracasso na tentativa de vender os naming rights. Itaquerão já virou o apelido popular do estádio, como Pacaembu, Morumbi, Mineirão, Maracanã. E também o Ministério Público questionou os CIDS, que desviam dinheiro em impostos que deveria ser da prefeitura, da população de São Paulo. O clube venceu uma primeira ação. Mas o MP promete entrar com outras. E isso afastou o interesse pelos papéis. Eles estão ignorados desde 2011. Em 2015, o Corinthians anunciou ter vendido cerca de 25 milhões do CIDS. Só que depois se revelou que foi a própria Odebrecht que teria comprado, como forma de incentivar outras empresas. Foi aí que os papéis encalharam de vez.

Para piorar, Andrés ainda apostou que as arrecadações pagariam tranquilamente o estádio. Errou feio e ainda travou o clube. Porque embora a arena esteja geralmente cheia, quando o time vai bem, o dinheiro não pode ser usado pelo Corinthians.

Ninguém pode afirmar abertamente como está a situação. Porque o clube e, principalmente, Andrés que assumiu ser o 'administrador' do Itaquerão, alegam acordos que impedem a revelação total dos números. São especialistas em economia que juntam o pouco que é divulgado para chegar nos tais R$ 2 bilhões de dívidas.

Membros da Renovação e Transparência acreditam que Andrés Sanchez vencerá a eleição. Retornará à presidência do clube até por um fator muito importante. Seu padrinho, Lula, está disparado em primeiro lugar em todas as pesquisas para a eleição presidencial em 2018.

Conselheiros apostam que, com o respaldo de Lula, Andrés terá força para fazer um acordo viável com o fundo que administra a dívida do Itaquerão. Mesmo se tiver de enfrentar a Odebrecht, alegando que inúmeras obras prometidas na arena não saíram do papel. A construtora está fragilizada por conta da Operação Lava Jato. Um pedido do presidente sempre tem grande poder.

Entre o dia 5 e 15 de novembro, Andrés assumirá sua candidatura à presidência corintiana, juram seus correligionários. Para enfrentar Roque Citadini, Omar Stábile, Romeu Tuma Júnior e Felipe Legrazie Ezabella. Paulo Garcia, outra força política corintiana, ainda não definiu que lado estará.

Por isso, o título brasileiro seria muito 'bem-vindo'.

Marco Polo Del Nero pode ficar tranquilo.

Antes de 'destruir a CBF', Andrés, se eleito, terá outro enorme problema.

Resolver a dívida do Itaquerão.

Para isso dependerá da eleição presidencial de 2018.

E da volta do seu padrinho.

Luiz Inácio Lula da Silva...
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