Posts de 22 de fevereiro de 2013

Organizadas do Corinthians tentam enfrentar a punição da Conmebol. E se articulam: caso não possam entrar nos estádios durante a Libertadores, acompanharão e vibrarão pelo time do lado de fora. Para os jogadores ouvirem…

a113 Organizadas do Corinthians tentam enfrentar a punição da Conmebol. E se articulam: caso não possam entrar nos estádios durante a Libertadores, acompanharão e vibrarão pelo time do lado de fora. Para os jogadores ouvirem...
As organizadas corintianas sentiram o golpe.

A rejeição da sociedade brasileira diante da morte do menino boliviano.

Foi machado o brilho da torcida que impressionou a Fifa.

Que foi aplaudida por invadir o Japão.

Quem vestia algum agasalho de organizada foi xingado na Bolívia.

Ao final da partida teve de ouvir o terrível coro.

"Assassinos, assassinos, assassinos."

Isso valeu até o aeroporto.

A imprensa andina divulga a todo momento detalhes da vida de Kevin.

Do seu sonho de acompanhar o time do coração no estádio.

Contra o campeão do mundo.

Cinco minutos depois, a morte veio pelo sinalizador saído das organizadas.

Na chegada do Brasil, as críticas aos corintianos continuam.

O próprio presidente Mario Gobbi tentando dizer não ter maior ligação com as torcidas.

Toda fidelidade de uma hora para outra passou a ser desprezada.

Desesperados culpavam a imprensa.

Mas a rejeição foi natural, nasceu da estúpida morte de Kevin.

Mal desembarcaram no Brasil, a notícia da FPF.

A Camisa 12 está banida dos estádios paulistas por 60 dias.

O motivo: ter usado fogos de artifício na partida contra o Botafogo de Ribeirão.

A organizada, segundo a FPF, usava o mesmo tipo de sinalizador que matou o garoto.

Não bastasse isso, veio a confirmação da punição da Conmebol.

A entidade quer o Pacaembu vazio nos jogos do Corinthians.

Estádio fechado para os torcedores.

E a proibição de entrarem nas partidas nos estádios dos adversários.

Nunca as diretorias das organizadas corintianas tiveram esse sentimento.

A certeza de que passaram a atrapalhar o time.

Prejudicar o caminho para o bicampeonato da Libertadores.

Justo elas, que tanto ajudaram.

Diante de tanta pressão, elas resolveram reagir.

E com uma decisão que não há nada de violência.

Se a punição da Conmebol, as organizadas começam a se articular.

Estão dispostas a mostrar o quanto amam o Corinthians.

E que não merece serem vistas como assassinas de Kevin Beltrán.

Não aceitarão passivamente o banimento dos estádios.

Daí veio a ideia.

Os torcedores prometem ir aos estádios.

Não só no Pacaembu, mas no Exterior também.

E ficar do lado de fora gritando, apoiando do Corinthians.

Para mostrar o seu amor ao clube.

Buscando passar força, vibração aos jogadores.

Assistindo a partida em telões.

A notícia está se espalhando.

Não há qualquer impedimento legal.

As organizadas podem sim ficar ao redor dos estádios durante os jogos.

A imposição é que eles fiquem fechados e vazios enquanto as partidas acontecerem.

Além de gritar pelo time, as organizadas pretendem fazer festa para os jogadores.

Na chegada ao estádio.

E na saída.

A ideia não para de ganhar adeptos.

É uma postura pacífica, interessante, admirável até.

Enquanto isso, a direção corintiana se desdobra.

Não quer perder o dinheiro que receberia com os jogos em casa.

E tenta alegar à Conmebol que já vendeu 83 mil ingressos para as partidas em casa na fase de grupo.

A entidade já recomendou devolver o dinheiro.

Ou convencer os torcedores a aceitarem deixar o que foi gasto.

E os ingressos valerem para próximas partidas.

O Corinthians já tinha arrecadado perto de R$ 3 milhões.

As reuniões no Parque São Jorge não param.

Assim como as nas sedes das organizadas.

Foi de uma delas que nasceu essa ideia original.

Gritar pelo time fora do estádio.

Isso é paixão, não selvageria.

É disso que o futebol precisa.

Não de vandalismo, irresponsabilidade.

Violência, morte...

A direção corintiana desesperada. Por perder sua torcida nos jogos da Libertadores no Pacaembu. E para escapar do prejuízo que pode passar dos R$ 15 milhões pela morte do menino Kevin Beltrán. A situação está complicadíssima…

ae110 A direção corintiana desesperada. Por perder sua torcida nos jogos da Libertadores no Pacaembu. E para escapar do prejuízo que pode passar dos R$ 15 milhões pela morte do menino Kevin Beltrán. A situação está complicadíssima...
Corinthians x Nacional do Paraguai.

Renda: R$ 1.829.930,00.

Corinthians x Cruz Azul.

Renda: 1.889.112,50.

Corinthians x Deportivo Táchira.

Renda: R$ 1.624.785,00.

Corinthians x Emelec.

Renda : R$ 2.286,061.00.

Corinthians x Vasco

Renda: R$ 2.723.055,00.

Corinthians x Santos.

R$ 2.599.702,50.

Corinthians x Boca Juniors

R$ 2.580.912,50.

R$ 15.533.557,50 foi o total que o Corinthians arrecadou na Libertadores de 2012.

Essa é a fantástica soma da arrecadação dos jogos no Pacaembu.

Se o clube conseguisse ser bicampeão da competição em 2013, iria arrecadar até mais.

Com certeza os ingressos seriam majorados.

Isso virou marca registrada da direção corintiana.

Mesmo se o time caísse antes, com os portões fechados, muito dinheiro iria para o ralo.

Até a semifinal contra o Santos, o total arrecadado foi R$ 12.952.646,00.

Até as quartas, diante do Vasco, R$ 10.35.9423,00.

Até as oitavas, contra o Emelec, R$ 7.629.888,50.

A fase de grupos valeu R$ 5.343,825,00.

Na Libertadores, o clube que joga em casa fica com a arrecadação.

E cobra o que quiser.

Por isso os ingressos do Corinthians chegaram a R$ 500,00.

Isso já valeria para a partida contra o Millonarios, na próxima quarta-feira.

O clube já tinha vendido mais de 83 mil ingressos para os três jogos da fase de grupo.

Para a Conmebol, a diretoria que devolva o dinheiro aos torcedores.

Ou então que acumule o valor para outros jogos.

Não importa.

A promessa da Conmebol era uma punição exemplar.

E foi o que fez.

Portões fechados em São Paulo.

E a proibição dos torcedores corintianos acompanharem jogos na casa dos adversários.

Não adiantou decretar luto por Kevin Beltrán.

Ou colocar fitinhas pretas no uniforme de seus jogadores.

Muito menos prometer ajuda à família do menino.

A morte de Kevin Beltrán foi violenta, absurda demais.

Chocou o mundo.

A imagem do sinalizador saindo das organizadas corintianas corre o planeta.

O sinalizador atingiu mais de 360 quilômetros por hora.

A autópsia mostrou que o boliviano morreu de forma cruel.

Parte do sinalizador entrou no seu olho direito e esfacelou seu cérebro.

Ele caiu morto em plena arquibancada.

Nunca houve uma postura tão firme da entidade sul-americana.

A Conmebol é marcada pela covardia, cedendo fácil à pressão política.

É aí que reside a esperança corintiana.

Desde ontem à noite, quando saiu a decisão, os dirigentes conversam.

Estão em reuniões permanentes.

Chegaram a várias conclusões.

A primeira: a coletiva de Mario Gobbi foi um fracasso.

Ao dizer que "acidente acontece" ficou nítida a frieza com a morte do boliviano.

Ele não estava abalado como Tite e o gerente Edu.

Muitos companheiros de diretoria não entenderam a postura distante em relação ao garoto.

Ficou claro que ele só estava preocupado com o clube.

E mostrar os seus conhecimentos como advogado.

Se ficou chocado com a morte de Kevin, ninguém percebeu.

A negativa que o Corinthians tivesse uma relação mais profunda com as organizadas também.

A tentativa de desvincular o clube de seus torcedores foi um fiasco.

E não convenceu.

A preocupação da coletiva não era com os jornalistas.

Mas com os dirigentes da Conmebol e a imprensa internacional.

Diante da punição, o departamento jurídico estuda o que fazer.

O Corinthians tem três dias para contestar a decisão.

E apresentar a sua defesa.

A tese que o sinalizador poderia ter sido disparado pelos torcedores do San José não existe mais.

A imagem mais recente mostra muito bem que ele foi lançado das organizadas.

Inclusive é possível ver a feição do torcedor.

Há muitas dúvidas se ele está entre os detidos na Bolívia.

Tite está muito preocupado.

Não como os dirigentes, com o dinheiro.

Mas com a perda do apoio da torcida.

O Pacaembu lotado é um caldeirão.

Vazio, com os portões fechados, sabe que a motivação dos seus jogadores será outra.

Está muito tenso.

Tanto ele como a direção do clube sabem: a opinião pública quer uma punição.

Mesmo que já tenham morrido vários outros torcedores em conflito com as organizadas.

Mas o que houve em Oruro virou um incidente internacional.

Um brasileiro foi até a Bolívia e matou um menino boliviano.

O governo Evo Morales exige a punição.

A população local continua chamando os brasileiros de 'assassinos'.

Diante de tudo isso, os dirigentes corintianos estão amarrados.

Há a certeza que a CBF de José Maria Marin não vai se desdobrar pelo clube, não.

O presidente sabe que Andrés Sanchez se articula para tentar derrotá-lo na eleição de 2014.

Quanto mais vitorioso o Corinthians, pior para a Marin.

E melhor para Andrés.

Os advogados corintianos não querem saber dessa briga política.

Estão empenhados tentando defender o clube.

Vão tentar demonstrar que o Corinthians não tem ligação com as organizadas.

E não pode ser responsabilizado pela morte de Kevin.

Assim como também correr o risco de perder mais de R$ 15 milhões em uma outra campanha vitoriosa.

No Parque São Jorge, se aceitaria até jogar com os portões fechados na fase de grupo.

E perder cerca de R$ 5,3 milhões.

A partir das oitavas de final, não.

E o Pacaembu seria reaberto para seu torcedor.

Inclusive as organizadas, com quem o clube alega não ter a menor ligação.

Se a tese não der certo e a punição for confirmada, as contas já foram feitas.

O Corinthians pode ser bicampeão da Libertadores.

E deixar de ganhar mais de R$ 15 milhões.

Quanto vale a vida de um garoto de 14 anos brutalmente morto?