Publicado em 17/02/2013 às 19h26
A estratégia e o coração palmeirenses igualaram o talento corintiano. O 2 a 2 deixa lições. O campeão do mundo precisa acordar para 2013 e o rebaixado tem vontade de sobra para acabar com os vexames…

A vontade e a estratégia se igualaram ao talento.
E o Palmeiras empatou com o Corinthians em 2 a 2.
Não seria injusta uma vitória palmeirense.
Gilson Kleina conseguiu cumprir a promessa.
E foi além.
O seu time não só suou sangue, como foi melhor distribuído.
Mais inteligente, compacto, não permitiu o toque de bola corintiano.
Teve mais objetividade nos contragolpes.
Wesley conseguiu as duas assistências nos gols palmeirenses.
Mas se fosse menos egoísta, a vitória poderia ter sorrido para o lado verde.
Mais do que o resultado, o jogo serve como alerta, avaliação a Tite.
O Corinthians ainda está em ritmo de férias.
Os jogadores se mostraram desinteressados, sem a gana de 2012.
Por mais que o Campeonato Paulista não empolgue nem Marco Polo del Nero, o adversário era o Palmeiras.
Jogadores como Émerson e Danilo, fundamentais ao time, foram irreconhecíveis.
Desatentos, facilmente marcáveis.
O atacante conseguiu fazer o primeiro gol do jogo.
E só.
O sistema montado por Gilson Kleina foi no limite atual do Palmeiras.
Treinou escondido em Itu as famosas duas linhas.
Uma na defesa, com quatro jogadores.
E a outra, com cinco na intermediária.
Elas atuaram de maneira correta, apertadas, bem perto uma da outra.
E contou com o coração de seus humilhados jogadores.
Desacreditados, eles se desdobraram em cada dividida.
Kleina conseguiu cortar o oxigênio corintiano.
Sem liberdade para tocar a bola e sem a gana necessária, os corintianos se irritavam.
E o Palmeiras nem precisou de um meia talentoso para criar chances de gol.
O time utilizava a descida em bloco nos contragolpes.
Wesley teve toda a liberdade para articular essa saída em velocidade no meio de campo.
O Pacaembu lotado de corintianos esperava não só uma vitória.
Mas uma goleada.
Só que os palmeirenses roubaram a cena.
A equipe teve nervos para suportar a bola no travessão de Jorge Henrique.
O gol de Émerson, após desvio de cabeça de Paulo André, aos 17 minutos.
E a bola que Guerrero acertou a trave, na falha de Fernando Prass, aos 25 minutos.
Na primeira meia hora, o Corinthians já era bem marcado, mas conseguiu algumas chances preciosas.
A torcida corintiana já cantava animada: "Segunda Divisão, Segunda Divisão" para o Palmeiras.
Foi quando veio o empate.
Wesley descobriu Vilson livre entre quatro zagueiros estáticos.
O ex-gremista cabeceou para as redes: 1 a 1, aos 29 minutos.
A partir daí, faltou o que sobrou ao Corinthians em 2012, o coração.
Campeões mundiais, os comandados de Tite sabiam que o clássico pouco valia no Paulista.
Não se empenharam, vibraram como deveria ser obrigatório.
Mesmo estando no início da temporada, o Corinthians foi apático.
Márcio Araújo e Weldinho obrigaram Cássio a grandes defesas.
O clima de virada dominava o Pacaembu.
E ela veio em uma péssima saída do goleiro corintiano.
Ele não atuava desde a final do Mundial, em dezembro.
Ficou tratando o ombro depois das férias.
Se mostrava sem ritmo, sem tempo de bola.
E falhou de forma imperdoável em um simples levantamento de Wesley.
Cássio furou.
Errou o soco e a bola caiu tranquila na cabeça de Vinícius.
Palmeiras 2 a 1 aos sete minutos do segundo tempo.
Kleina estava entusiasmado, via o seu plano tático dar resultado.
Tite não se conteve.
Não queria perder para o rebaixado Palmeiras.
Sabia o quanto seria cobrado.
Foi ousado, tirou Alessandro, que não atacava.
Deslocou Jorge Henrique para a lateral.
E colocou Romarinho.
Além de despachar o sonolento Danilo.
O trocou por Renato Augusto, que entrou muito bem.
E Guerrero deu seu lugar a Pato.
O Corinthians pressionava empurrado pela torcida.
Deu campo para os contragolpes.
Mas Wesley estragou dois deles, muito importantes.
Com jogadores livres para invadir a área sozinhos preferiu chutar para fora.
O castigo veio em um chutão de Cássio.
A bola veio parar em Pato.
Ele a matou, tocou e recebeu de volta.
E serviu Romarinho.
Seu prazer em marcar gols contra o Palmeiras veio de novo à tona.
Predestinando, teve muita calma para colocar a bola da entrada da área.
Escolheu o canto esquerdo, sem chances para Fernando Prass: 2 a 2.
O Corinthians até que tentou a última virada.
Mas o Palmeiras foi muito eficiente na marcação.
E mereceu o empate em 2 a 2.
A partida pode ser a única do ano entre os rivais.
De divisões diferentes, não se encontrarão no Brasileiro.
Na Libertadores, na fase decisiva do Paulista e na Copa do Brasil dependerá da coincidência.
Não de tabela antecipada.
Mas o jogo valeu, teve sua importância.
Para Tite ficou claro o quanto seu time ainda está apático depois das férias.
Jogou mal contra o Mogi Mirim, São Caetano.
E hoje ficou bem abaixo do que tem condições de jogar.
Renato Augusto está fazendo por merecer um lugar no time.
Emerson precisa sair da letargia carnavalesca.
Quanto a Cássio, tem crédito.
Vai melhorar.
Mas o time merece uma chacoalhada.
A Libertadores de 2013 começa quarta-feira.
Chega de polir a taça de campeão do mundo de 2012.
O time precisa sair da hibernação.
Já o Palmeiras vive merecida euforia.
Gilson Kleina sabia que poderia até ser demitido nesta semana.
Mas a vitória contra o Sporting Cristal e o empate de hoje lhe deu uma sobrevida.
Ele ganhará mais tranquilidade para seguir em frente.
Foi sua estratégia que evitou o pior diante do campeão mundial.
O empate traz importante confiança para o rebaixado Palmeiras.
O clima de desastre antecipado não se confirmou.
O coração, a gana de cada jogador neste 2 a 2 valeu.
Foi honrada a camisa palmeirense.
Como ela merece.
Seu sofrido torcedor termina o domingo acalentado, esperançoso.
Sabendo que não há dinheiro para talento no Palestra Itália.
Mas há estratégia e vergonha na cara de sobre neste novo elenco.
O que já são motivos para orgulho, depois de tanta tristeza...
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