Posts de 16 de fevereiro de 2013

Futebol não é lugar para homossexuais. Não para os assumidos. A hipocrisia aceita os que fingem não ser gays. Robbie Rogers sabe bem o que fez ao abandonar a carreira com apenas 25 anos…

a20 Futebol não é lugar para homossexuais. Não para os assumidos. A hipocrisia aceita os que fingem não ser gays. Robbie Rogers sabe bem o que fez ao abandonar a carreira com apenas 25 anos...
"Nos últimos 25 anos eu tenho medo.

Medo de mostrar quem eu realmente era (...).

Medo que o meu segredo ficasse no caminho dos meus sonhos.

O sonho de ir à uma Copa do Mundo, Jogos Olímpicos...

Sonhos de fazer minha família orgulhosa.

O que seria de minha vida sem esses sonhos?"

Esse é um pedaço de uma carta de despedida do futebol.

Foi escrita e divulgada pelo meia Robbie Rogers.

Norte-americano, que atuou no tradicional britânico Leeds United.

Fez 18 partidas pela Seleção dos Estados Unidos.

Habilidoso, camisa 7.

Foi titular enquanto se calou.

Enquanto esteve acima de 'qualquer suspeita'.

Disputou, inclusive, a Olimpíada de Pequim.

Aos 25 anos ele abandonou o futebol.

Para poder assumir sua homossexualidade.

O executivo-chefe da Associação de Jogadores da Inglaterra comemorou.

Tanto a saída do armário como o abandono do futebol.

Gordon Taylor dizia entender a decisão de Robbie.

"O preconceito só será vencido quando os gays se assumirem.

Mesmo que signifique o fim da sua carreira.

Por mais chocante que possa parecer, Taylor tem razão.

Os Estados Unidos têm um presidente negro.

Brasil, Alemanha e Argentina são comandados por mulheres.

Mas o esporte não está preparado para os gays.

Principalmente o futebol.

O preconceito é imenso.

É impensável o Brasil ter um ídolo no futebol homossexual assumido.

Ser o camisa dez da Seleção.

Ou jogar em um time de massa e mandar beijos para o namorado.

Dedicar a música pelos três gols que marcou ao marido que o espera em casa.

E lógico que há homossexuais no futebol.

Como em toda sociedade.

A opção sexual da pessoa independe do que ela faça.

Há gays em todos setores.

Estão torcidas organizadas, treinadores, jogadores, jornalistas.

Negar isso seria uma estupidez.

Assim como fingir que um atleta poderia se assumir e continuar jogando.

Ele ficaria marcado, seus passos vigiados.

Quando marcasse um gol, quantos companheiros o abraçariam?

Quantos não teriam medo de também ser chamados de gay por um abraço?

A alegria da comemoração seria contida.

Quem aceitaria dividir o quarto com o gay na concentração?

Ouvir seus telefonemas para namorados, maridos?

Quantos tomariam banho ao seu lado, despreocupados?

Como o treinador o cobraria, o incentivaria diante do resto do time?

Se desvalorizaria no mercado.

Os dirigentes tentariam se livrar dele.

Quase como um todo, a torcida o rejeitaria.

Como um gay poderia estar vestindo a camisa do seu clube de coração?

Seria hoje um prato cheio para os torcedores adversários.

Não traria dinheiro extra ao clube com publicidade.

Que patrocinadores querem o seu produto sendo divulgados por homossexuais assumidos?

Sem hipocrisia, o preconceito ainda domina inclusive a imprensa.

A avaliação desse atleta seria prejudicada por sua opção sexual.

Inclusive pelo treinador da Seleção.

Basta pensar em Felipão e um craque homossexual.

O técnico explosivo, brigão convocando esse gay assumido para jogar a Copa no Brasil.

Pense no presidente da CBF, José Maria Marin.

O ex-governador biônico nos tempos da ditadura.

Ele quer que a Seleção represente o povo brasileiro.

Nunca mundo vendo um gay vestido com a camisa brasileira.

Levantando a taça da Copa do Mundo...

De jeito nenhum!

a29 Futebol não é lugar para homossexuais. Não para os assumidos. A hipocrisia aceita os que fingem não ser gays. Robbie Rogers sabe bem o que fez ao abandonar a carreira com apenas 25 anos...

Há outro aspecto delicado.

Avalie o sofrimento dos familiares, amigos.

Vendo o filho, o irmão, o neto sendo motivo de chacota, de rejeição?

Ou há alguma dúvida das piadas na Internet, televisão, rádio.

As insinuações...

Há uma lenda urbana no País.

Ela circula há muito tempo na imprensa.

A de que um jogador brasileiro queria enfrentar esse preconceito.

Que iria se assumir em um programa importante da tevê brasileira.

Estaria tudo combinado.

Seria em horário nobre, no domingo.

Mas a tal entrevista vazou antes de acontecer.

O líder do time procurou esse atleta e o proibiu.

Alegou que acabaria expondo o clube, os torcedores.

O fez entender que acabaria com sua carreira.

Nunca mais atuaria em clube algum.

E envergonharia seus pais.

O tal jogador teria recuado, desmarcado a entrevista.

Chorado muito e seguido a carreira calado.

A história nunca se confirmou.

Os prováveis personagens sempre negaram tal versão.

E deixaram claro que processariam quem ousasse ligar seus nomes nesta 'lenda'.

São raros os casos de jornalistas perguntando sobre homossexualidade de um time.

Ainda mais de uma seleção.

O episódio mais recente aconteceu na última Eurocopa.

Em uma coletiva da Seleção da Itália.

Um apresentador assumidamente gay disse ter namorado um atleta do selecionado.

E que sabia haver outro.

Alessandro Cecchi Paone, da Sky Italia, não citou nome algum.

Na coletiva, Cassano foi bem direto quando perguntado sobre o tema.

"Eu espero que não exista qualquer “frocio” (termo chulo para gay) na seleção.

Não é o lugar deles."

Cassano foi forçado pela Comissão Técnica a emitir um comunicado depois da entrevista.

Nele se desculpou e disse não ter qualquer preconceito.

E a partir daí, nenhum outro atleta aceitou falar sobre gays na Itália.

O capitão da Seleção Alemã, Philipp Lahm, foi claro.

Não quer que nenhum jogador germânico assuma ser gay.

Principalmente se estiver com a camisa branca da Alemanha.

"Não é bom para ninguém.

Para aquele que o fizer, as coisas ficarão muito difíceis.

Um jogador conhecido por sua homossexualidade se expõe a comentários injuriosos."

Ou seja: continue gay, mas não se assuma.

Vitória da hipocrisia.

O jogador americano David Testo sabe muito bem disso.

Ele atuava no Montreal Impact sem problemas.

Até que resolveu se assumir gay.

Acabou dispensado e viu todas as portas fechadas para ele.

"Quando eu admiti, sabia que não jogaria mais.

O frustrante é saber que existem muitos outros que são gays nos time.

Só que não têm coragem de se assumir."

Para sobreviver, Testo se tornou professor de ioga.

No ano passado, houve na Holanda uma propaganda.

Ela chocou o futebol europeu.

No comercial, havia o incentivo para o jogador gay se assumir.

Acabou banido no resto da Europa.

E ninguém na Seleção Holandesa saiu do armário.

Maradona e Caniggia comemoraram um gol pelo Boca.

O beijo foi na boca.

Os dois tiveram centenas de mulheres na vida.

Nunca foram gays.

Negaram com raiva quem os questionou pelo beijo.

Sabiam as consequências de uma eventual suspeita.

Dois jogadores consagrados e héteros.

Robbie Rogers está certo.

No futebol, o preço ao homossexuais assumidos é abandonar a carreira.

O preconceito, a homofobia imperam.

Mais do que isso, a hipocrisia.

Por isso todos fingem.

Jogadores de futebol fazem de conta que são exceção.

Não há um homossexual nas Seleções, nos grandes clubes.

A imprensa finge que acredita.

O torcedor faz questão de se iludir.

O jogo de falsidade continua.

O preço para sair do armário é caro demais.

E vai continuar por muito tempo...