Posts de 10 de fevereiro de 2013

Por que abriu mão tão fácil de Barcos? Como não falou com Marcelo Moreno antes de fechar o negócio? Por que confunde o nome dos novos contratados? Que Brunoro é esse que voltou ao Palmeiras, 16 anos depois, sem a Parmalat?

 Por que abriu mão tão fácil de Barcos? Como não falou com Marcelo Moreno antes de fechar o negócio? Por que confunde o nome dos novos contratados? Que Brunoro é esse que voltou ao Palmeiras, 16 anos depois, sem a Parmalat?
José Carlos Brunoro.

Bastava citar esse nome em voz alta no Palestra Itália.

E conselheiros se animavam, saudosos.

Lembravam que era o 'homem' de Gianni Grisendi.

O poderoso presidente da Parmalat na América Latina.

Contratou o ex-treinador de vôlei para administrar o futebol do Palmeiras.

Por cinco anos Brunoro fez história no clube.

Era os olhos, os ouvidos e a boca de Grisendi.

O dinheiro vinha fácil da Itália.

Caiu no colo de Luxemburgo.

Com ele pôde formar os times como um garoto escolhe uma equipe de botão.

Os dólares permitiram a formação de seleções que jogaram de verde.

O Palmeiras terminou seu jejum de 17 anos sem títulos em 1993.

Venceu três vezes o Paulista, duas vezes o Brasileiro.

Bruno saiu em 1997, mas deixou jogadores importantes.

Vários deles seriam campeões da Copa do Brasil, a Mercosul e a Libertadores.

A saída de Brunoro se deveu a uma briga selvagem com Mustafá Contursi.

A Parmalat queria reestruturar a categoria de base.

Só que o Mustafá não aceitou.

Fez de Brunoro seu inimigo mortal.

A base estava distribuída entre dirigentes que lhe davam sustentação política.

A gota d'água foi o apoio escancarado do homem de Grisendi a Seraphim del Grande.

Del Grande enfrentou Mustafá, viraram inimigos.

Brunoro se queimou na briga e acabou tendo de sair do Palmeiras em 1997.

Virou uma figura mítica.

Seu nome ficou associado às vitórias, à modernidade.

Tanto que os conselheiros que votaram em Paulo Nobre sabiam.

Com ele, Brunoro voltaria.

Bastaria o milionário empresário e piloto de rali vencesse a eleição.

Foi o que aconteceu.

Nobre entregou o futebol do Palmeiras a Brunoro.

Aceitou logo de cara o veto que ele fez a Riquelme.

E deu ao dirigente a simbólica camisa 10.

Ela seria do argentino.

O presidente ficou empolgado, confiante por ter o executivo a seu lado.

Tanto que passou a registrar tudo o que acontece diariamente.

Tem a certeza de que ele e seu parceiro mudarão profundamente o Palmeiras.

A sua convicção é tanta que decidiu escrever um livro sobre sua administração.

Atitude mais do que corajosa, imprudente.

Ele promete mostrar a retomada, como reergueram o humilhado gigante verde.

Pura pretensão, diante das enormes dificuldades.

Depois de 16 anos, Brunoro tem carta branca no futebol.

Com a chance de implantar tudo o que desejar.

Mexer inclusive na categoria de base.

Só que há mudanças significativas neste retorno.

O agora diretor executivo não tem o dinheiro de uma multinacional.

Pelo contrário: precisa administrar o clube no meio de uma profunda recessão.

Há uma dívida de R$ 210 milhões.

O time, bipolar, está na Libertadores e na Segunda Divisão.

A Série B é uma excelente desculpa para a montagem de uma equipe barata.

Os torcedores sabem que 2013 só vai valer para a volta para a Série A em 2014.

Até porque será o ano do centenário palmeirense.

Brunoro encontrou atletas desmoralizados, questionados, ameaçados pela própria torcida.

E prometeu a Nobre dar um jeito nisso.

Depois que saiu do Palmeiras, ele mergulhou no mundo acadêmico.

Passou a ensinar como administrar de maneira moderna um clube.

Falou tanto em gestão que convenceu Abilio Diniz a investir o que não queria no Audax.

Os resultados foram excelentes.

Jogadores foram formados na base como o volante Paulinho do Corinthians.

Há o time paulista, que está na A2.

E o do Rio de Janeiro, disputando a divisão de elite do Campeonato Carioca.

Assim, Brunoro voltou somando experiência, teoria e prática.

Seu salário é de alto executivo, R$ 130 mil.

Mas sente na pele o quanto tudo mudou nestes 16 anos.

O Palmeiras se tornou um dos clubes mais difíceis para trabalhar.

O ressentimento de quem já foi poderoso é imenso.

Se tornou a quarta força em São Paulo.

Terra que tem o Corinthians campeão do Mundo.

O São Paulo, da Sul-Americana.

O Santos, tricampeão paulista, e dono de Neymar, o melhor da América do Sul.

A Copa do Brasil conquistada no ano passado perdeu o sentido com o rebaixamento.

Jogadores se negam a vir para o clube com medo da parte violenta das organizadas.

A falta de confiança é nítida no fraco elenco.

Por parte da diretoria, da torcida, da cáustica mídia.

Brunoro ficou 16 anos longe não só do Palmeiras, mas de um clube grande.

E demonstrou toda esta falta de traquejo com Barcos.

Era o único ídolo de verdade.

Valdivia perdeu o posto há muito tempo.

O argentino era o jogador que fazia a torcida se orgulhar.

Goleador argentino, lutador incansável.

Conseguiu a sua melhor fase da vida com a camisa verde.

A ponto de ser chamado para a Seleção Argentina e ter a chance de disputar a Copa.

Ele e seu irmão e empresário, David, nunca sonharam com isso.

Se deslumbraram.

Mas ficaram com medo de jogar tudo fora com o Palmeiras na Série B.

O medo de Hernán passar a ser desprezado por Sabella era imenso.

Brunoro sabia que o time palmeirense era fraco demais.

A direção gremista procurou David e ele levou uma proposta ao Palmeiras.

Ela vazou.

E daí Brunoro começou a trocar as mãos pelos pés.

Mostrou o quanto está enferrujado.

Disse na quinta-feira que Barcos não sairia de jeito nenhum do Palmeiras.

Na sexta-feira, no dia seguinte, o atacante era vendido.

Para surpresa e decepção dos que acreditaram no diretor executivo.

O clube recebeu R$ 5,4 milhões.

E divulgou que teria Marcelo Moreno, Rondinelly, Leandro, Léo Gago e Vilson.

 Por que abriu mão tão fácil de Barcos? Como não falou com Marcelo Moreno antes de fechar o negócio? Por que confunde o nome dos novos contratados? Que Brunoro é esse que voltou ao Palmeiras, 16 anos depois, sem a Parmalat?

O administrador pensou: a última parcela de Barcos à LDU seria paga.

Teria dois atacantes, dois volantes e um zagueiro.

E se livraria dos salários de R$ 400 mil mensais de Barcos.

Mais o atraso de três meses de salário do atacante.

O absurdo foi que Brunoro não tinha conversado com o principal jogador do quinteto.

Acreditou que o boliviano aceitaria a liberação do Grêmio como ordem.

Só que Marcelo e seu pai ficaram revoltados.

Ambos não queriam o time da Segunda Divisão.

"Clube de fracassados", decretou o pai do atacante.

Diante do vexame público, Brunoro se encarregou de mudar a situação.

Fez de conta que não soube das declarações ofensivas paternas do atacante.

E ligou ontem, insistiu com Fabiano Farah, procurador de Marcelo.

Implorou, mas não houve jeito.

Ele quis continuar no Grêmio.

Não quer sair de Porto Alegre, principalmente para o Palmeiras.

Nem se ganhar um substancial aumento.

Não quer a Segunda Divisão.

"Não saio do Grêmio.

Tenho contrato e vou continuar em Porto Alegre.

Está decidido", disse Marcelo Moreno ontem às rádios.

Depois do dirigente palmeirense falar com seu procurador.

Foi uma mensagem clara para que o clube paulista desista dele.

Brunoro entendeu a derrota.

O clube gaúcho ou dará uma nova compensação financeira ou oferecerá outro atleta.

Que não faça falta a Luxemburgo, como os jogadores que atuarão no Palestra.

Para piorar, a direção do LDU ficou possessa.

Os equatorianos ainda têm 30% dos direitos econômicos de Barcos.

Não foram consultados sobre a transação.

E querem uma compensação financeira, ameaçam ir à Fifa.

Foram duas escorregadas que combinam com amadores, não com Brunoro.

Não falar com o jogador gremista antes de permitir que o nome vazasse.

Justo o que mais interessava.

E não se dar ao trabalho de telefonar ao outro time dono do argentino.

Não bastasse isso, o diretor executivo esqueceu até nome dos novos contratados.

Jornalistas ficaram assustados quando ele se referiu a Weldinho e Kléber.

Brunoro os chamou de Naldinho e Valber.

Como assim?

Aos 62 anos, ele perceberá o quanto será cobrado.

Seus gestos, suas atitudes questionadas.

Pode mudar a assessoria de imprensa, colocar quem for.

Brunoro chegou com um brilho raro entre os dirigentes brasileiros.

Mas não tem ideia de que Palmeiras retornou.

É o clube mais difícil para trabalhar.

E mandar embora o maior ídolo atual não foi um primeiro passo.

Muito pelo contrário.

Provocou imensa decepção, inclusive de conselheiros poderosos, aliados a Paulo Nobre.

O diretor executivo avisou ao presidente para não se preocupar.

Ele sabe o que está fazendo.

Afinal, montou um curso sobre administração moderna no futebol.

Escreveu livro.

Montou a estrutura do Audax de Abílio Diniz.

Pelo menos é o que pensa.

O Palmeiras de 2013 é absurdamente mais difícil do que o Palmeiras de 1992.

Não só sem a Parmalat.

Há o rebaixamento para a Segunda Divisão.

O incômodo sucesso do rival Corinthians, campeão do mundo.

A festa do Santos por Neymar.

A reestruturação do São Paulo e seu elenco milionário.

As pessoas que saíram vencedoras e retornaram ao Palmeiras fracassaram.

Kléber, Valdivia e Luiz Felipe Scolari são os maiores exemplos.

A tolerância para o erro é muito menor no Palestra Itália.

Já há um estranhamento, um princípio de decepção com Brunoro.

Ele foi infeliz demais em relação a Barcos.

Incoerente, confuso.

Prometer a permanência na quinta e se desmentir na sexta-feira.

Falar em Marcelo Moreno quando ele nem sabia da transação.

Errar nomes de atletas contratados.

Há algo de errado.

Não era esse dirigente que muitos esperavam.

E torciam para que um dia retornasse.

A humilhação veio com a declaração de Arnaldo Tirone.

Um dos piores presidentes da história do Palmeiras.

Confirmou que teve várias propostas por Barcos.

Inclusive do Grêmio.

Mas se recusou a vendê-lo por se tratar de um ídolo.

"O Palmeiras atual precisava manter o argentino.

De qualquer maneira.

Ele dava orgulho aos torcedores."

Essa lição básica o diretor executivo esqueceu.

E já começou a pagar pela falta de visão, de sensibilidade.

Questionado não só por opositores de Nobre.

Mas por quem o elegeu.

A pergunta é a mesma dos dois lados.

Quem é esse Brunoro que voltou ao Palestra Itália?

Será que tem ideia?

Imagina quanto dói ao palmeirense ver Barcos com a camisa do Grêmio?

Se não souber, está no lugar errado...

gazeta21 1024x576 Por que abriu mão tão fácil de Barcos? Como não falou com Marcelo Moreno antes de fechar o negócio? Por que confunde o nome dos novos contratados? Que Brunoro é esse que voltou ao Palmeiras, 16 anos depois, sem a Parmalat?