Publicado em 06/02/2013 às 20h50
A derrota para a Inglaterra mostrou o óbvio. A Seleção Brasileira precisa de uma identidade. É impossível ser meio Mano Menezes, meio Felipão. A simbiose foi um desastre em Wembley…

Felipão sentiu na pele que a situação não é fácil.
O Brasil mereceu perder na sua volta à Seleção.
A Inglaterra gosta de tratá-lo mal.
Desde os tempos do Chelsea.
Vitória inglesa por 2 a 1 em Wembley.
Com várias lições logo neste primeiro jogo.
Não deu certo a simbiose entre seu estilo e de Mano Menezes.
O treinador não sabe montar time com dois volantes leves, habilidosos.
Sobrecarregados, Paulinho e Ramires foram atropelados pelo meio-campo britânico.
Neymar outra vez decepcionou em uma partida importante.
Ronaldinho Gaúcho mostrou que, aos 32 anos, está mal condicionado.
Foi vítima do início de temporada no Brasil.
Acabou presa fácil para os ingleses em pleno ritmo de competição.
E há a necessidade de analisar a presença de um centroavante fixo.
Luís Fabiano e Fred participam pouco demais do jogo.
Apesar do gol do jogador do Fluminense, a vaga para a camisa 9 está aberta.
Se Pato conseguir se manter bem fisicamente, pode se tornar dono dela.
A derrota serviu para demonstrar que há muito o que consertar.
O Brasil começou a partida de maneira diferente.
Não tinha a cara de Felipão e nem do demitido Mano Menezes.
O treinador colocou em campo uma equipe mais velha, mais rodada.
E a distribuiu de maneira ofensiva demais para o seu gosto.
Júlio César, Daniel Alves, David Luiz, o estreante Dante e Adriano na defesa.
O goleiro mostrou que o treinamento no lanterna do Inglês, Queens Park Rangers, lhe fez bem.
Voltou à Seleção mais magro, com os reflexos apurados.
Gritando, orientando o time.
E, importante, muito menos arrogante.
Não teve culpa nos gols de Rooney e de Lampard.
Daniel Alves ficou muito mais tolhido.
Não teve a liberdade para atuar como ponta como faz no Barcelona.
E como adorava jogar nos tempos de Mano.
Teve uma participação regular.
David Luiz foi bem nas antecipações, firme, seguro.
Assim como Dante, que fez uma boa estreia.
Mas eles sentiram demais a falta de proteção de um volante fixo.
Pelo esquema de Felipão, a defesa, o meio e o ataque jogaram muito distantes.
A falta de entrosamento os castigou como a Adriano.
Os três atuaram em linha durante vários momentos do jogo.
E facilitaram as bolas enfiadas na área brasileira.
Está claro que Felipão fará renascer um atleta que feche a entrada da área.
Como atuou Edmílson em 2002
Já havia antecipado isso antes do jogo.
David Luiz deve ocupar o lugar provavelmente de Ramires.
E Thiago Silva jogar na zaga ao lado de Dante.
Adriano mostrou que é apenas o reserva de Marcelo.
Ele foi várias e várias vezes vencido por Walcott.
Sofreu e fez o Brasil sofrer.
Também por falta de cobertura.
Hoje Ramires e Paulinho foram sacrificados.
Acabaram sendo envolvidos pelo toque de bola inglês.
Não deram conta de Gerrard, Wilshere, Cleverley (Lampard), Walcott (Lennon) e Rooney.
Roy Hogdson colocou os cinco para atacarem e defenderem em bloco.
Foi covardia.
Oscar, Ronaldinho Gaúcho e Neymar não queriam saber de marcar.
Ramires e Paulinho tentaram se desdobrar.
Mas foram superados diante do entrosamento e da melhor distribuição de meio campistas.
Não sabiam se atacavam, se ficavam fixos na intermediária.
Ambos tiveram suas piores atuações na Seleção.
Não por problemas individuais, mas táticos.
Até porque também precisavam ajudar pelos lados, na cobertura de Daniel Alves e Adriano.
Por causa não conseguiram mostrar sua maior virtude.
A saída com a bola dominada.
Tensos, não foram nem sombra do jogadores que podem ser para a Seleção.
Oscar também teve de se virar diante do compacto meio-campo inglês.
Mas em jogadas individuais, ele mostrou sua visão diferenciada de jogo.
Só que não teve companhia a sua altura.
Ronaldinho Gaúcho esteve abaixo da crítica.
Muito mal fisicamente para o ritmo inglês.
Foi facilmente anulado na intermediária.
Ele até tentou fugir da marcação, reagir.
Mas não conseguiu.
Para completar a péssima volta à Seleção teve o pênalti.
Um lance inventado pelo árbitro português Pedro Proença.
Aos 18 minutos, a bola bateu no braço de Wilshere.
O jogador estava de costas.
Mas o pênalti foi marcado.
Ronaldinho bateu mal e facilitou a defesa de Hart.
No rebote, o goleiro conseguiu evitar o gol em um carrinho do brasileiro.
Foi a única vez que Ronaldinho apareceu no jogo.
A cobrança forte, para valer, será contra os italianos e russos em março.
Até lá já terá tempo para entrar em forma.
Não terá mais desculpa.
Assim como Neymar.
O jogador outra vez acabou jogando muito aquém do que pode.
Sucumbiu diante de duas linhas de quatro apertadas.
Ele outra vez segurou a bola e tentou dribles desnecessários.
E facilitou a marcação.
Felipão e Parreira precisam avisá-lo que é importante tabelar, se deslocar.
Neymar precisa dos companheiros para jogar contra times compactos na marcação.
Jogando individualmente só facilitará os seus adversários.
Foi outra vez uma decepção para a impressa europeia.
Acabou criticado demais mal acabou o jogo.
Felipão o tirou da função que Mano havia descoberto para o santista.
Ser o atacante mais adiantado.
Com a nova comissão técnica, voltou para as beiradas do campo.
Mas sem procurar tocar, tabelar, infiltrar pelas diagonais acabou improdutivo.
Assim como Luís Fabiano, que praticamente não pegou na bola diante dos zagueiros ingleses.
A função de centroavante fixo, homem de referência está praticamente morta no futebol moderno.
Mas Felipão quer tentar assim.
O são paulino foi mal demais.
Fred deu sorte.
No início do segundo tempo, a bola bateu em Lucas, que havia entrado no lugar de Ronaldinho.
A bola sobrou para o atacante que empatou o jogo, chutando de esquerda.
A Inglaterra foi para o vestiário vencendo o jogo, com um gol de Rooney.
Em seguida, outra bola veio livre e ele acertou a trave.
Depois desses vacilos, Fred assistiu o jogo.
Os zagueiros o cercaram e a bola não chegou.
Com justiça, Lampard fez 2 a 1, depois de falha de Arouca.
O volante havia entrado no lugar de Ramires.
Ele errou o toque na entrada da área, Rooney ajeitou.
E Lampard, consciente, colocou a bola longe do alcance de Júlio César.
Para dor dupla de Luiz Felipe, já que o meia foi um dos que o boicotaram no Chelsea.
A derrota mostrou que o Brasil tem muito o que trabalhar e em pouco tempo.
O time deixou de mostrar o futebol leve demais com jovens em excesso com Mano.
Mas está vivendo uma crise de identidade.
É impossível juntar o modo de pensar de Felipão com o ex-treinador.
A saída mais óbvia é colocar alguém protegendo os zagueiros.
Alguém fixo.
Para que os laterais possam apoiar à vontade.
A presença de Marcelo pela esquerda é fundamental.
E ter um jogador mais competitivo na articulação dos ataques.
Se Ronaldinho não aguentar, que se teste Kaká.
Ou se faça promessas para que Ganso saia da letargia que o domina.
Há que se pensar também em um atacante fixo mais ágil.
A situação está aberta para Pato.
Felipão perdeu na sua verdadeira estreia pela Seleção.
Para o Uruguai por 2 a 1 em julho de 2001.
Perdeu hoje novamente.
Supersticiosos podem se animar.
Quem consegue enxergar futebol, não.
Há problemas crônicos nessa nova Seleção.
Que não existiam em 2002.
A nova geração é imatura.
A velha está desgastada.
E não há Ronaldo, Rivaldo e Marcos...
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