Posts de 2 de fevereiro de 2013

Depois do estádio, do patrocínio, agora um CT de R$ 41 milhões para os garotos. Tudo isso com o auxílio do governo. O Corinthians sonhava em ser o Barcelona. Virou o Real Madrid do Tatuapé…

a11 Depois do estádio, do patrocínio, agora um CT de R$ 41 milhões para os garotos. Tudo isso com o auxílio do governo. O Corinthians sonhava em ser o Barcelona. Virou o Real Madrid do Tatuapé...
Era incompreensível, incoerente.

O ex-presidente Andrés Sanchez havia conseguido quase tudo.

Com suas ligações políticas, obteve o que ninguém ousou sonhar.

Depois de cem anos, o Corinthians tem o seu estádio.

Graças à Copa de 2014, uma arena para 68 mil pessoas.

Que poderá, ou não, ser reduzida para 48 mil expectadores após o Mundial.

O dinheiro público está garantido em pelo menos R$ 420 milhões.

Pode e deve chegar a R$ 500 milhões.

Do previsto de um bilhão de reais, a metade bancada com incentivo.

A outra metade será paga com a exploração do estádio.

Negócio espetacular feito com a Odebrecht e o BNDES.

Ainda mais levando em consideração a possibilidade da venda do naming rights.

Há dois anos, corintianos buscam no mercado alguma empresa.

Houve encontros, sondagens, conversas com mais de 20.

O sonho de Sanches, encarregado desses encontros, é conseguir R$ 400 milhões.

Seriam R$ 40 milhões por ano no caixa apenas pelo 'rebatismo' do Itaquerão.

Entre as empresas consultadas e que avaliam a possibilidade há estatais.

Do estádio de um bilhão, o clube não gastaria nada.

E já teria retorno de R$ 400 milhões.

A proximidade governamental nestes projetos é absurda.

Assim como a Caixa Econômica Federal, que resolveu patrocinar a camisa do clube.

São R$ 30 milhões por ano.

A incoerência estava no óbvio.

Como Andrés havia se esquecido dos meninos?

Afinal, ele surgiu para o futebol como dirigente da base corintiana.

Quando era indecentemente amadora.

Ele pegava os garotos no sábado de manhã com seu carro.

E levava os que moravam mais distantes do Parque São Jorge.

Ainda pagava do bolso o almoço para os meninos após os jogos.

Fundador da torcida Pavilhão Nove, Andrés via neste trabalho uma maneira de se tornar dirigente.

Acertou.

O ex-presidente Alberto Dualib se impressionou com a dedicação do apadrinhado de Nesi Curi.

Mal iria imaginar que, no futuro, ele o derrubaria do cargo.

Mas essa ligação de Andrés com os garotos 'do Terrão' não seria esquecida.

Ele nega até sob tortura, mas sempre teve um modelo do que fazer com os meninos.

Seguir o exemplo do São Paulo e seu Centro de Treinamento de Cotia.

Com 220 mil metros quadrados.

Um estádio para 1.500 pessoas com medidas iguais às do Morumbi.

Mais 11 campos auxiliares.

E ainda um hotel para mais de 150 garotos.

Com direito a departamentos médico e de fisioterapia.

Fora espaço para estudo 'normal' e de idiomas.

A dificuldade em tudo isso é que Cotia fica a 30 quilômetros de São Paulo.

Atrapalha o departamento profissional a acompanhar de perto os garotos.

Pois tendo tudo isso em mente, o Corinthians organizou seu plano.

Depois de construir o CT profissional Joaquim Grava, com recursos próprios, veio a novidade.

A conquista dos R$ 41 milhões em incentivos fiscais.

O CT dos meninos ficará grudado no dos profissionais.

Também no Parque Ecológico.

Ou seja, aprimorou a ideia do rival São Paulo.

Andrés amarrou em silêncio o acordo com o Ministério do Esporte.

Por dois anos.

Ainda durante a gestão Orlando Silva.

O plano foi aproveitar a Lei de Incentivo ao Esporte.

E garantir nada menos do que R$ 41 milhões para a construção de um CT para a base.

Nos mesmos moldes do CT de Cotia, do rival São Paulo.

Mas sem gastar um tostão.

O dinheiro sairá de empresas privadas.

Elas darão o dinheiro para o Centro de Treinamento.

E poderão ter a verba descontada nos seus impostos.

Outra vez o Corinthians recebe ajuda do governo federal.

E torna injusta a sua modernização.

Injusta em relação aos outros clubes.

Eles têm extrema dificuldade para conseguir qualquer auxílio público.

O Corinthians, não.

O que desejou, conseguiu.

Andrés Sanches descobriu o caminho das pedras.

Não há nada de ilegal.

Mas a facilidade com que seu clube consegue recursos é espantosa.

Ele adora bater no peito e dizer que o modelo de gestão corintiana é espanhol.

E insinua ser o do Barcelona.

Mas está cometendo um erro histórico.

Quem teve tanto apoio governamental para crescer acabou sendo outro clube.

O Real Madrid, que se expandiu pelo ditador Franco ser apaixonado por suas cores.

E usar politicamente a popularidade do fortíssimo time da capital espanhola.

Agora, com o apoio declarado de Lula, o Corinthians segue o mesmo caminho.

Não que Lula seja um ditador sanguinário.

Longe disso.

Só é um político poderoso demais no seu país fazendo tudo pelo clube que ama.

Estádio, patrocínio de camisa e agora a liberação de R$ 41 milhões a um CT para os meninos.

Só está faltando uma estatal batizar o Itaquerão, o que é muito possível.

Não há nada de fora da lei, repito.

Mas e o lado moral?

Há só uma diferença absurda em relação aos outros clubes brasileiros.

Tudo ficou mais fácil ao Corinthians desde o governo Lula.

O fato dele ser amigo de décadas da família de Andrés foi fundamental.

O acesso é direto.

Os telefonemas trocados sem intermediários.

Lula faz questão de ajudar no que puder.

O que é ótimo para ele também.

O envolvimento com o clube mais popular do estado mais rico do País.

Para o Corinthians, melhor ainda.

Ter como aliado um presidente com dois mandatos e que fez sua sucessora é fabuloso.

Tudo o que Andrés pede e consegue está dentro da lei.

Pior para os rivais que assistem tudo de braços cruzados.

Todos já desfrutaram de incentivos para construção de seus CTs.

Palmeiras, São Paulo, Santos.

Mas nunca tiveram um apoio bilionário do governo.

Jamais...

O agradecimento corintiano veio no desfile de Carnaval da Gaviões.

'Verás que um Filho Fiel não Foge à Luta.

Lula, o Retrato de Uma Nação."

Foi este o enredo de agradecimento no ano passado.

E os corintianos têm muito o que agradecer.

O clube já é campeão do mundo.

E não para de se reforçar.

Tem dinheiro e prestígio para tirar Pato do Milan.

Sua arrecadação prevista para 2013 é de R$ 330 milhões.

Mas pode aumentar.

É disparada a maior entre os clubes da América Latina.

A ligação com o modelo espanhol se tornou verdadeira.

O Corinthians não se tornou o romântico Barcelona.

Virou o governista Real Madrid do Tatuapé...

a2 Depois do estádio, do patrocínio, agora um CT de R$ 41 milhões para os garotos. Tudo isso com o auxílio do governo. O Corinthians sonhava em ser o Barcelona. Virou o Real Madrid do Tatuapé...