Posts de 1 de fevereiro de 2013

Sem Felipão e com o time na Segunda Divisão, a Kia Motors quer fugir do Palmeiras. Ou então pagar apenas R$ 4,5 milhões só até julho. Triste para o clube que posava no ano passado ter o maior patrocínio do Brasil. E receber fictícios R$ 25 milhões por ano…

a1 Sem Felipão e com o time na Segunda Divisão, a Kia Motors quer fugir do Palmeiras. Ou então pagar apenas R$ 4,5 milhões só até julho. Triste para o clube que posava no ano passado ter o maior patrocínio do Brasil. E receber fictícios R$ 25 milhões por ano...
É tudo constrangedor demais.

Primeiro a postura de Arnaldo Tirone.

O ex-presidente palmeirense deixou que o Brasil acreditasse.

Em plena crise financeira na Europa e nos Estados Unidos, ele fez um milagre.

Conseguiu o maior patrocínio do Brasil.

Seriam R$ 25 milhões que a Kia Motors pagaria ao Palmeiras.

O mercado ficou boquiaberto.

O valor passou a ser referência nos clubes como o Corinthians.

A diretoria lutou muito até o patrocínio da Caixa Econômica Federal

E os seus R$ 30 milhões.

Quando o patrocínio palmeirense foi superado, a verdade veio à tona.

O clube recebia R$ 18 milhões anuais e não R$ 25 milhões.

A revelação veio dos membros do Conselho de Orientação Fiscal.

O que seria desmoralizante ficou ainda muito pior.

Qual o interesse de uma marca em patrocinar time rebaixado?

E desmoralizado com tantas confusões?

Jogador apanhando de torcedor na rua.

Atleta 150% a mais do que recebe para atuar no Palestra Itália.

Sem dinheiro, o clube quer se livrar da Libertadores.

A melhor competição da América Latina é vista como um peso, um estorvo.

A mentalidade do novo presidente, Paulo Nobre, é de total recessão.

Arnaldo Tirone não só deixou os cofres vazios.

Deixou dívidas e mais dívidas.

São cerca de R$ 210 milhões.

Nobre, um dos acionistas do Itaú, não quer se visto como irresponsável.

E está fazendo de tudo para gastar o mínimo possível.

A perspectiva esportiva é péssima.

Não recomenda o clube a qualquer patrocinador.

A diretoria da Kia Motors está longe de ser estúpida.

Colocou uma cláusula no contrato que ele poderia ser revisto em dezembro de 2012.

Era pura balela também a divulgação que o clube havia fechado três anos de compromisso.

E a cúpula da Kia resolveu que não pagará mais nem R$ 18 milhões ao Palmeiras.

Muito pelo contrário.

Se Paulo Nobre quiser, ela paga metade.

Sim, apenas 50%, ou seja: R$ 9 milhões.

E só até o meio do ano.

No máximo até o final da participação do Palmeiras na Libertadores.

Não há interesse em ficar no segundo semestre, com o clube na Segunda Divisão.

Há vários outros clubes de massa na Série A precisando de patrocínio.

Paulo Nobre não esperava uma postura tão dura da montadora.

Ele poderia fazer o Palmeiras jogar sem patrocínio em fevereiro.

Mas considera ser uma derrota ter a 'camisa limpa'.

E está oferecendo como prova de boa vontade a continuidade do patrocínio.

Tal gesto no entanto não tem poder para seduzir os sul-coreanos.

Um dos pontos que era muito importante no contrato se chama Luiz Felipe Scolari.

Sem o treinador campeão do mundo e com o time na Segunda Divisão não há interesse.

Mesmo os R$ 9 milhões oferecidos por ano são na verdade, R$ 4,5 milhões.

Já que em julho, a direção da Kia Motors quer ir embora.

Paulo Nobre saiu tenso demais da reunião de hoje.

Otimista, quando candidato contabilizava os R$ 18 milhões neste ano.

Desnorteado, ele e Brunoro estão fazendo uma análise do mercado.

Buscando saídas.

Até mesmo conselheiros do lado do rival Décio Perin estão tentando ajudar.

Eles são ligados ao ex-presidente Belluzzo.

Pensam em até tentar seguir o caminho do Vasco e do Corinthians.

E buscar uma estatal como patrocinador master.

Pensam até em contatar o ex-governador José Serra.

Vale tudo nessa hora.

O momento é terrível para Paulo Nobre.

E de muita vergonha à nova diretoria.

Fechar por seis meses e por apenas R$ 4,5 milhões é muita derrota.

Chega a ser humilhante.

Principalmente para quem posava no ano passado.

Fingia ter o maior contrato do Brasil.

A situação do Palmeiras é lastimável...

Internacional, Cruzeiro e Santos. Mais do que vencer. Esse domingo será o dia do Ressentimento. Ideal para atrapalhar o futuro do Grêmio, Atlético Mineiro e São Paulo. Principalmente na Libertadores…

a3 Internacional, Cruzeiro e Santos. Mais do que vencer. Esse domingo será o dia do Ressentimento. Ideal para atrapalhar o futuro do Grêmio, Atlético Mineiro e São Paulo. Principalmente na Libertadores...
O principal instinto no esporte é vencer.

O pobre barão de Coubertin seria visto como um ingênuo.

Seu ideal, ridicularizado.

"O importante é competir."

Lindas palavras que combinavam com a primeira olimpíada, em 1896.

A adrenalina da vitória resulta em dinheiro, popularidade.

Mas principalmente em adrenalina.

Basta checar como estão Dunga, Marcelo Oliveira e Muricy Ramalho.

Por trás de toda a verniz, a educação, a política, o domingo será diferente.

O trio tem a chance de dar uma satisfação a seus torcedores.

Não só derrotar Grêmio, Atlético Mineiro e São Paulo.

Mas ter a satisfação sórdida, sádica que ninguém revela.

Nem mesmo ao espelho.

A felicidade de atrapalhar o rival na Libertadores.

Competição que os clubes que comandam não conseguiram disputar este ano.

A preparação no Internacional, no Cruzeiro e no Santos está diferente.

Quem cobre o dia-a-dia destes clubes sente a ansiedade.

Dunga está de volta ao futebol depois de um ano e meio afastado.

Só conseguiu se livrar dos fantasmas da Copa de 2010 agora.

E tem no seu estado sua antítese.

Vanderlei Luxemburgo.

Pessoa que adora holofotes, aparecer.

Que não respeita a própria hierarquia.

Chamando seus jogadores de Ferrugem, Negão.

E que foi parar em Porto Alegre por falta de espaço em São Paulo, no Rio, em Belo Horizonte.

Queimado, busca a afirmação com o riquíssimo Grêmio.

Foi cabo eleitoral de Paulo Odone.

Mas, esperto, conseguiu se compor com Fabio Koff.

Só ocupa o cargo porque Felipão foi para a Seleção.

Tem a sombra de Mano Menezes, mas finge não ver.

Se classificou na bacia das almas para a fase de grupo da Libertadores.

Atenta a diretoria gaúcha não esqueceu o quanto jogou mal o time contra a LDU.

A vaga nas penalidades não agradou ninguém.

E antes de começar a fase de grupo, esse Gre-Nal indesejado.

Onde ele só teria a perder.

O que Luxemburgo faz, para desgosto dos gremistas.

Fugiu da raia.

Colocará o time B e mandará Roger para o jogo.

Um ato que não combina com a tradição gremista da peleia.

O treinador acredita que está se poupando.

Mas se vier a derrota, será cobrado.

Não se perde um Gre-Nal para se preservar.

Essa história só irritou ainda mais Dunga.

Seu time entrará para trucidar o rival.

Depois do fraca estreia, no empate em 0 a 0 com o Novo Hamburgo.

O ex-treinador da Seleção quer derrotar o maior rival.

Mesmo que Luxemburgo mande o time infantil, dirigido pela Xuxa.

Marcelo Oliveira nem de longe pensa em fugir do confronto.

Em colocar o time B do Cruzeiro contra o Atlético.

De jeito nenhum.

Vai colocar todos os jogadores que o time comprou vendendo Montillo.

A partida é histórica.

Marca a reabertura do Mineirão.

Oliveira precisa vencer o jogo até para apagar a rejeição da própria torcida.

Ele deve ser o único treinador da América Latina que assumiu o cargo.

E colocou em risco a vida do presidente do seu clube.

Gilvan Tavares foi ameaçado de morte caso o contratasse.

Marcelo Oliveira tem o seu passado marcado pelo Atlético Mineiro.

Jogador talentoso e treinador apaixonado pelo clube.

Só que o tempo passou, foi trabalhar em outras equipes.

E recebeu um convite irrecusável para dirigir o seu grande rival na vida.

Agora tem de colocar todo o seu conhecimento neste clássico.

Ele será a pessoa mais cobrada no Mineirão.

A torcida cruzeirense quer a vitória diante do milionário Atlético Mineiro.

Cuca e Ronaldinho Gaúcho já sabem que será pressão do início ao fim do jogo.

A Polícia Mineira deu uma demonstração de força.

E abortou a história de jogo de uma só torcida.

Se Belo Horizonte tem a Copa do Mundo, não pode baixar a cabeça para vândalos.

Uma derrota diante do Cruzeiro atrapalhará sim o rumo do Atlético.

Alexandre Kalil não quer nem pensar nisso.

E apela para o velho truque de oferecer uma premiação especial para o domingo.

Será o jogo mais brigado e interessante do domingo no Brasil.

A raiva já domina os jogadores dos dois lados.

A história do primo pobre contra o primo rico se encaixa perfeitamente.

Já na Vila Belmiro, Muricy tem de provar que a má fase foi embora.

E nada melhor do que pegar o seu ex-clube.

Com Neymar, Montillo e um time extremamente ofensivo.

O treinador sabe o quanto a torcida santista quer a vitória.

Derrotar o São Paulo e ver humilhado Paulo Henrique Ganso.

O jogador que ousou abandonar a Vila e ir para o Morumbi.

Só que o jogo é muito mais do que esse confronto.

Muricy é um fantasma na vida de qualquer treinador no Morumbi.

O pacato Ney Franco está tentando se impor.

Estava indo bem, enfrentando Ceni, deixando Ganso no banco.

Mas não teve força para fazer seu time segurar a vitória contra o Bolívar.

Vencendo por 3 a 0, a derrota por 4 a 3 ficou mais dolorida.

Magoou egos.

Por mais que faltasse oxigênio em La Paz, faltou postura de time grande.

Por isso uma nova derrota em Santos o atrapalharia.

Traria insegurança em um grupo montado com muito dinheiro.

O argentino Montillo confirma que se sente em dívida.

E está.

Embora não tenha tido muito tempo para entrosamento, se esperava mais dele individualmente.

O foco estará nele e em Paulo Henrique Ganso.

O jogador tentará fazer da partida uma homenagem a Luís Álvaro.

Por mais que negue publicamente, o jogador nutre um poço de mágoa em relação os presidente santista.

Acredita que mereceria estar ganhando o mesmo que Neymar, R$ 3 milhões.

Na sua concepção não recebe porque lhe faltou apoio.

E Muricy ainda não se conformou pela maneira que foi mandado embora do São Paulo.

Com Ricardo Gomes já contratado.

Cada jogo contra o seu clube do coração é diferente para ele.

É como se enfrentasse Juvenal Juvêncio e Carlos Augusto de Barros e Silva.

Foi o vice presidente Leco quem derrubou Muricy do cargo.

Por seu jeito abrutalhado não combinar com o clube.

O treinador sabe que isso foi desculpa.

Deixou o Morumbi por não permitir que Leco e outros dirigentes frequentassem os vestiários.

Eles se sentiam com poder para cobrar os atletas.

Ou simplesmente os adularem.

Tudo isso virá à tona neste final de semana.

Pierre de Coubertin ficará chocado com o que virou o esporte.

Mas criativo, saberia batizar muito bem a situação.

O Gre-Nal, Cruzeiro e Atlético e São Paulo e Santos têm muito em comum.

Viverão o Domingo do Ressentimento.

Quem puder mais vai chorar menos.

A adrenalina já corre nas veias.

Tanto em Porto Alegre, Belo Horizonte e Santos...

Entre Oswaldo de Oliveira e o fantasma de Loco Abreu, os botafoguenses optam pela saudade. O político técnico transformou o egocêntrico jogador em mártir. E agora sofre as consequências…

ae1 Entre Oswaldo de Oliveira e o fantasma de Loco Abreu, os botafoguenses optam pela saudade. O político técnico transformou o egocêntrico jogador em mártir. E agora sofre as consequências...
Foi Oswaldo de Oliveira quem não quis mais Loco Abreu.

O maior ídolo do Botafogo foi embora do clube por causa dele.

Mauricio Assumpção colocou a decisão nas mãos do técnico.

O presidente ouviu que ele seria reserva com o treinador.

Mas um jogador com tanto carisma minaria o clube no banco.

De gênio forte não controlava suas entrevistas.

Quer disputar a Copa do Mundo de 2014.

Sabe que na reserva seria abandonado por Óscar Tabárez.

Além disso, a torcida pediria sua entrada em todos os jogos.

E ele foi para o Nacional do Uruguai.

Certo que estará nos planos para o Mundial do Brasil.

Mas não poderia deixar por menos.

De lá, mostrou o quanto é vingativo.

"Eu não saí porque eu quis.

Eu saí porque, obviamente, o treinador não queria a minha presença.

Sou muito agradecido ao Botafogo.

E para não atrapalhar ninguém, achei que sair era o melhor."

O jogador de 36 anos sabia que suas palavras teriam poder no Rio.

Sabotariam o trabalho de Oswaldo.

O jogaria contra a apaixonada torcida.

Principalmente porque não há ninguém no elenco como ele.

Um ídolo de tanto carisma, personalidade.

Seedorf é outro tipo.

Contido, importante para o grupo.

Não é de inflamar torcedores com declarações, gestos teatrais.

Nunca pensaria na atitude de Loco Abreu.

Jogando emprestado ao Figueirense enfrentou o Flamengo.

Após a partida fez questão de se dirigir até a torcida rubro negra.

Mostrou que por baixo da camisa catarinense tinha a do Botafogo.

E beijou o escudo diante dos flamenguistas.

Ainda fez o gesto da cavadinha, lembrando a decisão do Carioca.

Quando marcou o gol na cobrança de pênalti, batendo da sua maneira debochada.

Espetacular golpe de marketing.

Sabotou sua passagem por Florianópolis.

Mas não se preocupou.

Queria e conseguiu ganhar de vez o coração dos botafoguenses.

Órfãos, os torcedores passaram a se vingar de Oswaldo.

Não importa se o Botafogo vença a partida.

O importante é crucificar o técnico.

Xingar, ofender, humilhar.

No pobre Campeonato Carioca, vários estádios são vergonhosos.

Não combinam com o século XXI.

Acanhados, os torcedores ficam gritando a três metros do técnico.

E Oswaldo tem sido torturado.

Sentido nos tímpanos a cobrança por ter mandado embora Loco Abreu.

Na quarta-feira, no Moça Bonita, ouviu todos os palavrões possíveis.

O time goleava o Audax por 4 a 0 e xingamentos continuavam.

Os gols do Botafogo não importavam.

Um grupo de torcedores se postou atrás do banco e cobrou o técnico.

Não o perdoava pela saída do uruguaio.

Oswaldo esqueceu tudo que aprendeu sobre zen budismo, meditação.

Virou as costas para o jogo e devolveu boa parte dos palavrões aos torcedores.

Desabafou, falou até o que gostaria de ter dito ao jogador.

E foi além.

"Quarta-feira, a esta hora, só tem vagabundo."

Lógico que ele estava se referindo a quem estava no estádio.

O jogo foi na tarde de quarta-feira.

Mas inteligente que é, percebeu o absurdo que disse.

O gesto seria explorado como um desafio a toda torcida botafoguense.

Aí não sobreviveria sequer mais um dia no cargo.

Tratou de dar uma desculpa esfarrapada.

Disse que o problema era só com aqueles torcedores.

"Sou daqui e conheço algumas pessoas que me xingavam.

Foi para elas a quem me dirigi.

Não tenho problema com a torcida do Botafogo."

Resposta política, mas que não convence.

Oswaldo é trabalhador, honesto.

Mas um treinador fraco, seus times são previsíveis.

Não têm vida longa.

Se fez na carreira ganhando o título mundial com o Corinthians em 2000.

Assim como Brasileiro e Paulista de 1999.

Ganhou porque assumiu o time montado por Luxemburgo, que foi para a Seleção.

Só seguiu o que já estava definido.

Depois do Mundial de 2000, sua carreira naufragou no Brasil.

Não venceu mais nada em cinco anos.

Foi para o Catar.

Voltou para o Fluminense e Cruzeiro.

Dois vexames.

Foi para o Japão em 2006.

Lá se encontrou.

O Japão parou de investir no futebol.

Os campeonatos são muito fracos, com jogadores locais.

Ou estrangeiros decadentes.

Acabou o dinheiro para grandes contratações.

Nesta terra de cegos, Oswaldo fez a festa.

O Kashima Antlers é um dos clubes mais ricos.

E nele Oswaldo ganhou oito títulos em cinco anos.

O que pode parecer uma façanha para quem não acompanha o atual futebol japonês.

Cansado, queria voltar ao Rio de Janeiro.

No dia em que completou 61 anos foi anunciado no Botafogo.

Na temporada passada esteve várias vezes ameaçado de demissão.

No meio do ano bateu de frente com Loco Abreu.

O público é que o treinador se cansou da falta de movimentação do atacante.

Lento, sem explosão por causa da idade.

Meia verdade.

O uruguaio se sabia ídolo botafoguense.

E não tolerou quando o treinador lhe indicou o banco de reservas.

Os dois ficaram sem se falar.

Foi um duelo silencioso.

A diretoria ficou do lado de Oswaldo.

Com motivo.

"A última vez que conversei com ele foi no jogo contra o Inter.

Ele ia ficar na reserva e não quis viajar.

Aliás, só jogava no Rio de Janeiro.

Não viajou para a Paraíba, Campinas, Campos, Macaé.

Como bate no peito e diz que é botafoguense?

E se recusa a entrar em campo quando o time precisa?"

Oswaldo só trouxe a público a situação agora, quando está sendo perseguido.

Revelasse o quando Loco Abreu é egocêntrico enquanto ele estivesse no Rio.

O desmascarasse diante da torcida.

Agora é fácil.

Tudo foi muito mal conduzido.

Pela diretoria e principalmente pelo treinador.

Loco Abreu saiu como vítima.

Oswaldo como criminoso.

A situação vai continuar enquanto o endividado clube não buscar alguém carismático.

Capaz de fazer o coração dos botafoguenses bater mais rápido com suas palavras.

Enquanto isso, tal qual a famosa tortura chinesa, muitos torcedores vão continuar.

Em todo jogo xingarão Oswaldo de Oliveira.

O cobrarão pela ausência de Loco Abreu.

O treinador tinha todo o direito de não querer um atacante lento.

E rebelde.

Mas aos 62 anos deveria ter aprendido.

A sinceridade era a melhor saída.

Tivesse mostrado o quanto Loco só pensava nele tudo estaria esclarecido.

Revelar os podres agora tem dois efeitos colaterais.

O primeiro, o de não convencer.

O segundo, e muito pior, mostra o quanto lhe falto firmeza, personalidade.

Técnico firme teria convocado uma coletiva.

E impedido Loco Abreu de pisar no Botafogo com ele como técnico.

Foi ser político, transformou o jogador, que não é um santo, em mártir.

E ganhou o ódio eterno de vários botafoguenses.

Eles se sentem órfãos.

Quem perde nesta fogueira de vaidade, no duelo de egos?

O Botafogo de Futebol e Regatas...

O apelo de Neymar foi à toa. A torcida santista não perdoa Paulo Henrique Ganso. Já prepara as moedas e o coro que ele mais detesta: o de ‘mercenário’. Domingo na Vila Belmiro, o inevitável reencontro…

ae O apelo de Neymar foi à toa. A torcida santista não perdoa Paulo Henrique Ganso. Já prepara as moedas e o coro que ele mais detesta: o de mercenário. Domingo na Vila Belmiro, o inevitável reencontro...
O banco adversário é infernal na Vila Belmiro.

Estádio histórico, mas ultrapassado.

Encalacrado em um bairro residencial, não tem onde crescer.

Ficou pequeno demais para o Santos.

Tudo é muito apertado, os torcedores ficam grudados nos alambrados.

E torturam os adversários.

"Tive de trabalhar com um copo de água e jogando na minha camisa.

Só para amenizar as cusparadas que levei dos torcedores.

Na Vila Belmiro é sempre assim.

Um desrespeito só", desabafou Tite.

Neymar sabe bem que o estádio é um inferno para os adversários.

A proximidade da torcida do gramado é terrível.

Ainda mais para os desafetos dos torcedores santistas.

Por isso implorou.

Quer os torcedores poupem Paulo Henrique Ganso.

Fez questão, pediu para dar entrevista ontem.

Mesmo sabendo que enfrentaria as perguntas sobre racismo.

O jogador de 20 anos detesta brigas.

Ainda mais tocar em temas polêmicos.

Disfarçou, aceitou não ter entendido bem o que o técnico Roberto Fonseca falou.

Em vez de 'macaco', ficou 'cai cai' mesmo.

Colocou uma pedra nesta história mal contada.

Nunca foi o motivo de querer falar ontem.

Enfrentou jornalistas pelo grande amigo.

Com gênios opostos, são próximos de verdade.

Padrinhos um do filho do outro.

Nem o disparate de salários, quando atuavam juntos, os distanciou.

Neymar embolsava R$ 3 milhões e o meia R$ 130 mil quando deixou o Santos.

A amizade dos dois veio da categoria de base.

Quem testou a sua intensidade acabou se dando mal.

Como Fábio Costa.

Neymar e Ganso detestavam a maneira com que ele os tratava quando juniores.

Muito amigo do ex-presidente Marcelo Teixeira, o goleiro era rude.

Não fazia a menor questão de proximidade com os garotos.

Os cobrava aos gritos, era péssimo o relacionamento.

E tudo ficou pior quando resolveu gritar com Ganso.

O meia estava começando a ganhar espaço no time.

Ele falhou contra o Goiás, perdeu a bola e a equipe tomou um gol.

O goleiro o humilhou nos vestiários.

Não sabia o que estava fazendo, com quem estava mexendo.

Neymar comprou a briga.

Ele ficou de um lado e Ganso e Neymar de outro.

Os três não se falavam.

A nova geração de atletas santistas ficou contra o goleiro.

Era maio de 2009.

Em novembro do mesmo ano, Luís Álvaro foi eleito.

Ele sabia da situação.

Assim como da profunda ligação de Fábio Costa e Marcelo Teixeira.

O ex-presidente lhe deu um contrato de R$ 300 mil mensais.

Até o final de 2012.

O presidente queria liberá-lo.

Mas o jogador não aceitou, topou prorrogar o vínculo até 2013.

E o Santos pagaria menos mensalmente.

Acordo feito, veio a confirmação.

Laor entendeu.

Neymar e Ganso e os outros jovens jogadores não o queriam no time.

De jeito nenhum.

E Fábio Costa nunca mais jogou pelo time.

Essa vitória uniu ainda mais as duas maiores promessas santistas.

Assim como não terem sido chamados por Dunga em 2010.

Sofreram e se consolaram juntos.

Neymar tentou aproximar Ganso de Luís Álvaro.

Só que o meia guardou muita mágoa do dirigente.

Se sentiu desprezado quando teve de se submeter à segunda operação nos joelhos.

Foi quando o presidente estava quase acertando o mesmo projeto que ofereceu a Neymar.

O meia disse ao atacante que Luís Álvaro sumiu.

Justo quando estava no processo de recuperação.

Os empresários da DIS, donos de 45% dos seus direitos, foram cruéis.

Como tinham péssimo relacionamento com Luís Álvaro, insistiram no abandono.

Convenceram Ganso que o dirigente não tinha consideração por ele.

De nada adiantou depois, o presidente oferecer por três vezes o plano de carreira.

Ganso estava convencido que o dirigente não acreditava nele como atleta.

Esteve mesmo disposto a ir para o Corinthians em 2011.

Mas Andrés Sanchez não quis comprar uma briga nos tribunais.

Por isso tem a gratidão de Laor até o final dos tempos.

Ganso já estava propenso a trocar de time em 2012.

Seu relacionamento com os dirigentes era péssimo.

E ficou insuportável em agosto do ano passado.

Após uma derrota por 3 a 1 contra o Bahia.

Na acanhada Vila Belmiro, ele recebeu uma chuva de moedas.

Torcedores revoltados com a sua falta de empenho desabafavam.

"Ganso mercenário.

Não quer jogar no Santos.

Vai para a casa do ca..."

O jogador rebateu nas rádios e televisões.

"Mercenário, eu?

Sou o salário mais baixo no Santos."

E era mesmo, ganhava R$ 130 mil.

Seu desafeto, Fábio Costa, embolsava R$ 170 mil sem jogar.

Foi neste dia que decidiu não continuar no clube.

A proximidade dos torcedores do gramado da Vila Belmiro foi decisiva.

Ouviu todos os palavrões.

Via a feição daqueles que o xingavam.

Várias moedas caíram aos seus pés.

Neymar sabe o quanto o amigo ficou humilhado.

E por isso implorou ontem aos torcedores que poupem Ganso.

O meia deve ficar no banco de reservas de Ney Franco.

O que torna tudo muito pior.

Estará ainda mais perto dos rancorosos santistas.

No banco que Tite odeia.

E será alvo fixo no aquecimento, já que deverá entrar na partida.

O cenário para este primeiro reencontro não é nada animador.

Membros das torcidas organizadas santistas já avisaram.

Usaram as redes sociais para se manifestar.

Não respeitarão o pedido de Neymar.

Muito pelo contrário.

Reservaram mais moedas, vão protestar.

Não perdoaram Ganso por preferir jogar em um rival.

Não estão nem um pouco preocupados com sua péssima fase.

Com a apatia que lhe trava o começo de vida no São Paulo.

Querem vingança por ele haver desprezado a camisa 10 santista.

E vão sim usar o coro que o jogador mais detesta.

O de 'mercenário'.

O amor a Neymar não é tão grande quanto o rancor a Ganso...

(Ney Franco acaba de confirmar que mudou de ideia.

Ganso será titular.

Melhor para a integridade do jogador.

Escapará das cusparadas.

Mas não das moedas.

E nem dos gritos de mercenário.

Mas pelo menos terá a chance de mostrar.

Fazer com que os santistas lamentem o que perderam...)