Posts de 17 de dezembro de 2012

Romário errou feio. Cássio não chegou à seleção por causa de Carlos Leite. Foi fundamental na Libertadores e no Mundial do Corinthians. Está na hora do deputado não se calar. E se redimir…

getty2 Romário errou feio. Cássio não chegou à seleção por causa de Carlos Leite. Foi fundamental na Libertadores e no Mundial do Corinthians. Está na hora do deputado não se calar. E se redimir...
"E, agora, o goleiro do Corinthians.

Que tem seus direitos econômicos ligados a pessoas da CBF.

Após a convocação e alguns jogos pela seleção...

Se já não foi, será vendido para o Roma.

Quem leva?"

A pergunta foi feita por Romário.

Ele questionava a convocação de Cássio.

A postura do deputado federal atingiu em cheio o goleiro.

O jogador tem como seu empresário Carlos Leite.

O mesmo de Mano Menezes.

Constrangido, ele nunca entrou em campo.

O ex-treinador não o escalou.

Não foi testado.

As palavras de Romário tiveram muito peso nesta decisão.

Ele foi apenas treinar com Mano.

Seu desconforto na seleção era evidente.

Parecia que todos haviam se esquecido da espetacular Libertadores que disputou.

Protagonizou o lance mais importante da competição.

Quando Diego Souza travou passe de Alessandro.

O vascaíno arrancou sozinho para o gol corintiano.

O Pacaembu lotado ficou sem respirar por oito segundos.

Diego Souza só tinha entre ele e as traves, a rede e Cássio.

O meia não quis arriscar o drible e colocou no canto esquerdo.

O jogador de 1m95 se esticou e espalmou a bola para a linha de fundo.

Defesa fundamental na conquista do título.

Cássio foi também primordial para o campeonato de forma invicta.

Foi escolhido pela Conmebol na seleção da Libertadores.

Cássio havia sido goleiro da base da Seleção Brasileira.

Foi o titular na conquista do Sul-Americano sub-20 em 2007.

Acabou vendido ao Grêmio para o PSV Eindhoven.

Tudo isso foi atirado na lata do lixo.

Com as declarações de Romário, Cássio só havia chegado à Sseleção por Carlos Leite.

O empresário garantiu.

"Tudo foi um absurdo.

E sem sentido.

Tenho outros jogadores importantes e o Mano não o leva.

O Cássio não teve nem sondagem.

E não vai para o Roma", garantiu Carlos Leite.

Tímido, o goleiro não quis briga pública com o deputado.

Mas ele teve todo o apoio de Tite e dos companheiros no Corinthians.

Até que veio o Mundial.

Na partida contra o Al-Ahly, apesar do sufoco, não foi incomodado.

Mas sabia que diante do Chelsea teria de trabalhar.

E foi perfeito.

Nas saídas e no reflexo, na coragem e na sorte.

A começar pelo chute à queima-roupa de Cahill.

Depois do escanteio, a bola caiu no pé do zagueiro.

Ele chutou forte demais e o chute foi parar embaixo da coxa do goleiro.

Depois, a defesa mais difícil, plástica.

De mão trocada evitou a bola colocada pelo nigeriano Moses.

Aí, salvou o chute cara a cara de Fernando Torres.

Travou o belga Hazard que invadia a área corintiana.

Saiu nos pés do jogador e fechou o ângulo, com toda coragem.

Outra vez, anulou Fernando Torres, sozinho, livre diante dele.

Depois de cada defesa, a frieza.

Sabia que tinha todas as câmeras no seu rosto, mas ficou tranquilo.

Não fez marketing, não bateu no peito.

Não gritou: "Eu sou foda".

Até deveria.

Mas foi humilde, como se não tivesse feito mais do que a obrigação.

Cássio foi escolhido como o melhor jogador do Mundial.

E, lógico, o melhor da decisão contra o Chelsea.

Teve todos os microfones à sua disposição.

Poderia se vingar de Romário.

Cobrar com juros e correção monetária a desconfiança que o deputado atirou sobre ele.

Só que não quis.

Preferiu se calar.

Sabe muito bem que é um dos melhores goleiros do Brasil.

Acabou de ganhar a Libertadores e foi campeão do mundo em seguida.

Qualquer convocação de Felipão virou obrigação.

Tem futebol para disputar com Cavalieri e Jefferson, uma vaga na seleção.

O indeciso Mano Menezes convocou 13 goleiros enquanto era o técnico do Brasil.

Romário escolheu criticar a escolha por Cássio.

Péssima opção.

O tempo passou.

Ele não foi vendido ao Roma.

E teve atuações fabulosas.

Quanto mais importante o jogo, mais foi firme, decisivo.

E agora?

Romário não deveria se calar.

Admitir que pode ter todas as dúvidas que quiser em relação a Mano e Carlos Leite.

Tomara que tenha as mesmas em relação a Jorge Mendes e Felipão.

Afinal, o novo treinador da seleção também tem empresário.

Tudo o que não pode fazer é se calar em relação a Cássio.

O que fez pelo Corinthians justifica qualquer convocação.

Em apenas uma temporada já se tornou um dos melhores goleiros da história do Corinthians.

Desta vez Romário errou feio.

Está na hora de se redimir, deputado...

As autoridades garantem. A barbárie do embarque não será repetida amanhã, na chegada do Corinthians bicampeão mundial. O aeroporto de Cumbica e a civilidade deverão ser preservados. São Paulo não precisa passar por outro vexame…


Muito medo.

Esse foi o efeito colateral do bicampeonato corintiano.

Não nos rivais, São Paulo, Palmeiras e Santos.

Mas na concessionária que administra Cumbica.

Ninguém se esquece dos momentos de barbárie que foi o embarque do time.

Foram entre 20 e 15 mil torcedores que pararam a rodovia Ayrton Senna.

Fizeram uma procissão do CT do Parque Ecológico até o aeroporto.

A demonstração de amor ao time foi linda.

Mas a confusão foi trágica, vergonhosa.

O caminho para o maior aeroporto da América Latina foi travado.

Como se a cidade tivesse de ser curvar para os corintianos.

Foi um desrespeito à civilidade.

Torcedores em cima dos ônibus das organizadas.

Festim para vendedores de aguardentes e cerveja.

Motocicletas amarradas em árvores.

Carros e ônibus largados ao lado das pistas.

Milhares de pessoas sem acesso a banheiros por horas.

Um caos.

Com a omissão, conivência das autoridades.

Tudo ficaria pior no próprio aeroporto.

Um acordo entre a Polícia Militar e os torcedores definia.

Todos veriam os jogadores de longe.

E iriam embora sem entrar no aeroporto.

Só que a ingenuidade, a pressa e o descuido se misturaram.

A grande maioria dos policiais foi embora assim que o Corinthians embarcou.

E milhares de torcedores invadiram Cumbica.

Vários passaram a importunar os passageiros.

Principalmente as mulheres.

Se dependurar em escadas rolantes, que tiveram de ser paralisadas.

Foi quando, em menor número, policiais resolveram expulsar os torcedores.

Com cachorros e ameaças, conseguiram tirar milhares de dentro de Cumbica.

Na parte de fora, os torcedores insistiam em ficar, atrapalhando o trânsito.

Impedindo os passageiros de embarcar ou desembarcar.

Os carros não podiam se aproximar.

Foi quando houve exagero dos policiais.

Decidiram pelo caminho mais fácil.

O uso de bombas de efeito moral e tiros de borracha.

Assustados, os torcedores correram para todos os lados.

Muitos entraram novamente no aeroporto.

Cenário de guerra urbana.

Um caos.

A festa acabou da pior maneira possível.

Por mera sorte não aconteceu uma tragédia.

E ninguém morreu.

Os administradores que cuidam de Cumbica não protestaram.

Como ganharam uma concessão do governo federal, não quiseram comprar briga.

O acordo é absolutamente político.

Ter a rejeição do clube mais popular de São Paulo não é bom negócio.

Só por isso a barbárie não teve a projeção que merecia.

Porém, para o retorno, marcado para amanhã, todas as providências foram tomadas.

O aeroporto de Cumbica será preservado.

Nem que tenha de ser à força.

Houve longas reuniões entre as polícias.

A Militar, a Rodoviária e a Federal.

Além da Receita Federal.

E a Guarda Municipal representando a Prefeitura de Guarulhos.

Até a Força Aérea Brasileira participou.

Há a garantia de que os torcedores não pisarão em Guarulhos.

Por um motivo especial.

Os jogadores não passarão pelo aeroporto.

Do avião, irão para uma área anexa para os trâmites burocráticos.

Foi abortada a ideia de carro de bombeiros partido do aeroporto.

Os policiais exigiram que os atletas fossem de ônibus ao CT do Corinthians.

Ou ao próprio clube.

Com batedores para evitar paralisar o trânsito.

E de um desses lugares, sim, partir no carro de Bombeiros.

Na direção do estádio do Pacaembu ou do Sambódromo do Anhembi.

E lá fazer a festa com seus torcedores.

O importante na operação é preservar o aeroporto de Cumbica.

Serão mais de 600 policiais envolvidos.

Soldados importantes para a cidade, cada vez mais violenta.

Mas amanhã participarão de uma missão importantíssima.

Garantir que o maior aeroporto da América Latina funcione normalmente.

Não pare por causa do Corinthians.

Que a vida de milhares de passageiros não seja prejudicada.

O cadeado está sendo colocado depois do portão arrombado.

Mas se não fosse, seria arrombado de novo.

Até porque a tendência é que o número de corintianos seja pelo menos o dobro.

Se já foi um caos no embarque com 15 mil pessoas...

O que esperar no desembarque com o time bicampeão com 30 mil corintianos?

Desta vez o trabalho é muito mais sério.

Para o bem de São Paulo.

Da imagem do Brasil, o País da Copa.

Chega de barbárie.

Os torcedores não pisarão no aeroporto.

Gilberto Kassab, Alckmin e Sebastião Almeida juram que acordaram.

Houve omissão, incompetência, despreparo demais no embarque.

Nova selvageria envergonharia outra vez qualquer brasileiro.

Não teria cabimento repetir o vexame.

Os jogadores chegarão a São Paulo amanhã às 7h05...