Publicado em 13/12/2012 às 15h58
Tirone desespera os conselheiros do Palmeiras. Está gastando demais, comprometendo a próxima administração. Quer mostrar competência, contratar antes da eleição…

Muita revolta no Palestra Itália.
Conselheiros estão bufando, irritados com Arnaldo Tirone.
Para tentar disfarçar o vexame do rebaixamento, escolheu uma tática.
A de gastar o dinheiro que não pertence à sua administração.
As chances de ser reeleito são mínimas.
Mas ele não quer nem saber.
O importante é tentar recuperar sua imagem.
A sua primeira providência foi em relação a Barcos.
O atacante argentino tem contrato até 2015.
Mas já havia avisado que não poderia ficar em um time da Segunda Divisão.
Colocaria em risco a chance de disputar a Copa do Mundo de 2014.
Deu a coletivo e os conselheiros cobraram Tirone.
Barcos não poderia sair de jeito algum.
É o ídolo do medíocre Palmeiras rebaixado.
No dia seguinte, Barcos veio a público.
Seu discurso foi completamente diferente.
Avisava que ficaria 'por amor' ao Palmeiras.
Ninguém pode duvidar do seu amor.
Mas também houve outro incentivo para continuar no Palestra Itália.
Ele ganha R$ 200 mil por mês.
Tirone lhe prometeu um salário de R$ 500 mil a cada 30 dias.
E mais: pediu que disputasse a Libertadores.
Depois, se surgisse um clube disposto a pagar R$ 11 milhões, o venderia.
Ou seja: ofereceu R$ 3 milhões para o Pirata ficar até junho.
Os conselheiros estão possuídos de ódio.
O assunto não foi debatido, acordado entre os candidatos à presidência do clube.
"Quem manda sou eu até o dia 21 de janeiro.
O regime é presidencialista", repete Tirone.
Barcos ainda não assinou o novo contrato.
Mas Fernando Prass, já.
O goleiro de 34 anos assinou.
Seu salário de R$ 150 mil estava atrasado por três meses no Vasco.
Antes do atraso, buscava assinar por mais um ano em São Januário.
Como Roberto Dinamite não conseguiu pagá-lo, Prass foi à Justiça.
Estava processando o Vasco, quando o Palmeiras apareceu.
E com uma proposta inesperada.
Boa demais para ser verdade.
Tirone mandou abrir os cofres.
Depois de 18 anos, o clube contrataria um novo goleiro.
Desprezaria sua tradição de formar os arqueiros no clube.
O presidente não quis saber de Bruno, Deola, Raphael Alemão.
E tratou de oferecer um acordo que deixou o próprio Fernando Prass surpreso.
Nada menos do que R$ 300 mil mensais.
E um contrato de três anos.
Três anos, o triplo que o goleiro queria no Vasco.
E ganhando o dobro.
Nada foi feito em relação a Valdivia.
Falta coragem para pedir uma redução de salários.
Ele recebe do clube, R$ 375 mil mensais.
Também tem contrato até 2015.
E não há qualquer outra equipe interessada no meio chileno.
Os responsáveis pelos departamentos jurídicos e financeiros palmeirenses estão inconformados.
Acreditam que Tirone está gastando demais, negociando rápido.
E, lógico, usando os contratados como trunfo político.
Ele já autorizou empresários a convencer Rodrigo Souto a voltar do Japão.
Largar o Jubilo Iwata para jogar no Palestra em 2013.
"Dinheiro não é problema por lá", brinca um empresário.
O Palmeiras busca dois zagueiros, um lateral esquerdo, um meia e um atacante.
Tirone quer esses jogadores o mais rápido possível.
Se possível, antes de terminar o ano.
Quer provar sua competência.
Pouco importa se a dívida do clube passou dos R$ 100 milhões.
E passará pela vergonhosa disputa da Segunda Divisão em 2013.
Tirone age como se tudo estivesse na mais perfeita ordem.
Paulo Nobre e Décio Perin, candidatos à presidência assistem a tudo de braços cruzados.
Não podem fazer nadar.
A não ser lamentar.
"Até o dia 21 de janeiro, o presidente sou", repete Tirone.
E vai gastando, comprometendo o dinheiro da próxima administração...
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