Posts de 11 de dezembro de 2012

A torcida corintiana está barbarizando Nagoya. Acabou o silêncio, a paz. Nunca houve uma torcida tão barulhenta e empolgada pelas ruas japonesas. Os policiais não sabem o que fazer diante de tanta bagunça…

No metrô e nos trens-bala japoneses,o aviso é o mesmo.

É proibido falar no celular.

E se não houver saída, mande mensagem.

Mas teclando com o maior cuidado.

Estive no Japão duas vezes.

Em 2002, cobrindo a Seleção.

E no ano passado, acompanhando o Santos.

Pude constatar que o respeito ao próximo prevalece.

O silêncio, os sussurros prevalecem.

Nos jogos do Santos houve um espanto nos estádios.

Com os torcedores cantando, sambando, tocando bumbo, pandeiro.

Apareceu uma cuíca e ela foi vista como algo de outro mundo.

Mas nos hotéis, no metrô e nos trens, os santistas se comportavam.

Foram cerca de oito mil para apoiar o time de Neymar, de Muricy em 2011.

Tenho trocado mensagens com o repórter André Tal no Japão.

O correspondente da TV Record em Tóquio está impressionado.

Os corintianos estão quebrando todas as regras de convivência no Japão.

Em muito maior número que os santistas, cerca de 25 mil, eles perturbam.

Cantando, gritando e desprezando todos os pedidos da polícia e dos seguranças.

No hotel onde o time está hospedado há um grande aviso proibindo a frequência de fãs.

Aviso escrito em péssimo português.

Mas para nada.

A camisa da Gaviões da Fiel parece uniforme.

E os dirigentes corintianos facilitam a circulação dos torcedores.

Assim como na entrada dos CT onde Tite leva seus jogadores.

Os corintianos desprezam as ordens dos policiais para se afastar.

Como os jogadores são solícitos, não há como impedir os autógrafos.

Os japoneses costumam ser muito tietes e mais do que educados.

Formam filas quando encontram algum artista ou atleta famoso.

A situação tem sido uma constante.

Os japoneses alinhados esperando o autográfo de um corintiano.

Mas percebem que perderam seu tempo quando chegam os corintianos das organizadas.

Os brasileiros não querem nem saber daquelas longas filas de japoneses.

E tratam de abraçar, posar para fotos e pedir autógrafos dos jogadores nas camisas.

Nos trens e no metrô, toda hora é desculpa para cantar coro a favor do time paulista.

"Vai Corinthians" é mais falado do que bom dia.

Os policiais não são levados a sério.

Os brasileiros pedem e eles não se negam a tirar fotografias com os torcedores.

Quando chega o time, há uma baderna.

E, desconsertados com o comportamento invasivo dos torcedores brasileiros, os soldados não sabem o que fazer.

Nos restaurantes acabou a paz.

Os corintianos estão alucinados em Nagoya.

Como ficarão amanhã em Toyoto, no jogo contra o Al-Ahly.

André Tal é direto.

"Os japoneses nunca viram uma torcida como a corintiana."

A Gaviões de Fiel do Japão tem dado toda a assistência aos torcedores.

Vários deles não têm dinheiro nem para comer ou ficar em um hotel.

Preparada para isso, a ala da torcida hospeda os torcedores nas casas de corintianos que moram no Japão.

E lhe dá o que comer.

Outra leva de torcedores vende produtos ligados ao clube.

Muitas vezes longe de ser originais.

E com esse dinheiro comem no Japão.

Nagoya está assustada com tanto barulho.

Será assim até o final do Mundial.

O que era exótico, engraçado, está começando a cansar.

E uma parte significativa dos japoneses vai apoiar os ingleses do Chelsea.

Em menor número e muito mais silenciosos do que os brasileiros.

Acabou a paz, o silêncio em Nagoya.

No estádio amanhã em Toyota, as organizadas já foram avisadas.

Não devem levar rojões e sinalizadores.

São proibidos no Japão.

É lógico que os itens obrigatórios para o jogo são dois:

Rojões e sinalizadores.

É também terminantemente proibida a ingestão de álcool nos estádios.

Há um mosqueteiro de plástico oco que virou coqueluche em Nagoya.

Torcedores o enchem de saquê ou aguardente e circulam pela cidade com ele.

Os levarão para o estádio amanhã.

E pretendem beber bem em frente aos policiais.

'Para espantar o frio", alegam.

Esses são os apaixonados pelo Corinthians.

Fazendo a festa.

Dando dribles e dribles nos soldados e seguranças japoneses.

Muito ingênuos para 25 mil corintianos.

E que acabaram de ganhar a Liberadores.

Repare a festa dentro do avião que saiu de São Paulo.

E os levou para Nova York.

O bandeirão foi aberto.

Sem o menor constrangimento.

E já está sendo aberto no Japão.

No metrô, nos trens e nos hotéis.

Amanhã fará a festa no estádio de Toyota.

Com direito a rojões, sinaleiros, saquê, cerveja.

E muita cantoria.

Os japoneses estão de boca aberta...

Flamengo pode ser a volta por cima de Mano Menezes. Depois da constrangedora demissão da seleção, o clube carioca estuda chamá-lo para o lugar de Dorival Júnior. Paulo Pelaipe, companheiro desde a batalha dos Aflitos, é o seu cabo eleitoral…

ae114 Flamengo pode ser a volta por cima de Mano Menezes. Depois da constrangedora demissão da seleção, o clube carioca estuda chamá lo para o lugar de Dorival Júnior. Paulo Pelaipe, companheiro desde a batalha dos Aflitos,  é o seu cabo eleitoral...
Eduardo Bandeira de Mello quer reestruturar o Flamengo.

O novo presidente tem um grupo de empresários que o apoia.

Como o ex-presidente Márcio Braga.

Como Kléber Leite.

A dívida do clube bate nos R$ 450 milhões.

Fora processos não resolvidos.

Como o de Ronaldinho Gaúcho, que cobra R$ 52 milhões.

Bandeira quer uma mudança radical no clube.

Principalmente a recuperação da credibilidade.

Quer planos sólidos para o futebol.

Só assim despertará a confiança de investidores.

A prioridade era contratar um executivo de fora.

Com experiência em redirecionar um clube.

Bandeira investiu em Paulo Pelaipe como diretor executivo.

Por trás do lado polêmico, adora um microfone, ele trabalhou muito bem no Grêmio.

Principalmente quando o clube foi rebaixado em 2004.

Reestruturou o departamento de futebol.

O time venceu a Série B em 2005.

Em 2007 disputou a final da Libertadores.

Ligado a Paulo Odone, foi importantíssimo na nova arena gremista.

Por todo esse trabalho, acabou convidado pelo Flamengo.

Aceitou por não ter mais espaço no Grêmio, com a vitória de Fábio Koff.

Mal chegou e quer de qualquer maneira a finalização do Ninho do Urubu.

CT que Patricia Amorim não conseguiu concluir em três anos.

Já confirmou a vontade de seguir trabalhando com Zinho.

Ele consegue algo fundamental.

Nascido na Gávea, ele teve uma passagem importante no Olímpico.

Junta a intimidade flamenguista com a filosofia gremista.

Agora há o ponto fundamental.

Pelaipe teve um grande colaborador na reviravolta gremista.

O treinador da Batalha dos Aflitos na Série B até a final da Libertadores.

O técnico em que ele mais confia.

E está livre, dispensado da seleção brasileira.

Louco também para uma reviravolta.

Mostrar ao Brasil que foi injustiçado.

Mano Menezes.

Seus dois anos na CBF não foram suficientes.

O sonho de sair da seleção e assumir um clube grande europeu não existe.

Seu trabalho não justifica.

Perdeu Copa América e Olimpíada.

Fez 102 convocações.

Fez a torcida sofrer e sofreu.

Mas quando estava no seu melhor momento, havia descoberto um time, foi demitido.

A sua dispensa o pegou de surpresa.

A ele e a seu empresário Carlos Leite.

Não estavam prontos para a saída.

Tanto que a demissão ocorreu no dia 23 de novembro.

Desde então, o técnico e seu agente se calaram.

Não falam com ninguém.

Articulam o que fazer.

A única saída viável é assumir um grande clube brasileiro.

E tratar de tentar dar a volta por cima.

Se Tite fosse escolhido por José Maria Marin, Mano voltaria ao Corinthians.

Isso estava garantido.

Mario Gobbi o ama mais do que Andrés Sanchez, por incrível que possa parecer.

Só que Marin escolheu Felipão.

O Grêmio tem Luxemburgo.

O Inter está praticamente fechado com Dunga.

Por mais que o presidente Giovanni Luigi tema o gênio forte do ex-colorado.

A diretoria exige Dunga para 'enquadradar' as caras estrelas do Beira-Rio.

O Cruzeiro fechou com Marcelo Oliveira, apesar da rejeição da sua torcida.

No cenário atual, o Flamengo seria o local ideal.

Pelaipe fez questão de deixar vazar na Gávea.

Dorival Júnior não está garantido no cargo.

Suas referências não são tão sólidas.

O diretor executivo viu como Dorival não se impôs no Inter.

E na Gávea tudo o que conseguiu foi fazer com que o time não caia.

Haverá uma reformulação profunda no elenco, isso já está decidido.

Se ela vai acontecer, o ideal seria com um novo comandante.

Alguém de extrema confiança de Pelaipe.

Capaz de dividir os segredos, confidências.

Um treinador que o executivo já viu dar resultados.

Ele é Mano Menezes.

O presidente Eduardo Bandeira de Mello gosta de Dorival.

Acha que, em meio ao furação Patricia Amorim, ele foi perfeito.

Digno, agiu como um comandante.

Se não fosse pelo treinador, na avaliação do novo presidente, o Flamengo seria rebaixado.

Mas pessoas ligadas à nova diretoria seguem pelo caminho de Pelaipe.

Acreditam que a hora é de agradecer a Dorival Júnior.

E seguir com Mano Menezes.

O clube vive esse impasse.

Os primeiros contatos já começaram.

As sondagens se o ex-técnico da seleção quer trabalhar na Gávea.

Está tudo no início, não há nada fechado.

Mas o nome de Mano Menezes está sendo fortemente discutido no Flamengo.

E ele conta com um velho aliado.

Tão gaúcho quanto ele.

Paulo Pelaipe, que diz que não é 'bem assim'.

Sem a menor convicção.

O interesse em Mano é real.

E até Dorival Júnior sabe disso...

O maior ídolo da história do Palmeiras terá um jogo entre veteranos quarentões como despedida. Em uma terça-feira clandestina. Marcos não jogará amanhã, 12/12/12, como queria. O motivo? A direção ficou de joelhos para a tevê, que preferiu a partida do São Paulo contra o Tigre…

ae116 O maior ídolo da história do Palmeiras terá um jogo entre veteranos quarentões como despedida. Em uma terça feira clandestina. Marcos não jogará amanhã, 12/12/12, como queria. O motivo? A direção ficou de joelhos para a tevê, que preferiu a partida do São Paulo contra o Tigre...
Terça-feira à noite...

Dia consagrado para jogos da Segunda Divisão no Brasil.

De um lado, veteranos do Palmeiras campeão da Libertadores de 1999.

Do outro, veteranos campeões da Copa do Mundo de 2002.

Idade média dos jogadores: 44 anos.

Biotipo: barrigudos, sem fôlego.

Mesmo assim essa partida entre aposentados levará 40 mil pessoas ao Pacaembu.

Será o maior público de 2012 de jogos do Palmeiras.

Ano bipolar: da conquista da Copa do Brasil.

E do rebaixamento.

Nada mais justo.

Será a partida de despedida do maior ídolo da história do clube.

Marcos.

"Nunca um jogador foi tão cultuado quanto ele.

É adorado pelos torcedores.

E não só do Palmeiras.

O carisma do Marcos é inexplicável.

É adorado e não só por palmeirenses.

Merece essa devoção.

É o grande ídolo do nosso clube."

As palavras são de Ademir da Guia.

A incompetência dos dirigentes do clube virou marca registrada.

Ele é prova viva.

O maior camisa 10 do Palmeiras parou de jogar em 1977.

Só teve sua despedida em 1984!

E ela aconteceu por superstição.

Diziam que o clube não voltaria a ser campeão enquanto não fizesse a despedida de Ademir.

Mais um capítulo ridículo dos dirigentes.

Pelo menos Marcos não teve de esperar sete anos.

Anunciou que iria parar em janeiro.

Onze meses depois, a partida de hoje.

A diretoria do Palmeiras teve mais de trezentos dias.

E não teve a capacidade de enxergar.

Se Marcos é o maior jogador da história do clube, deveria ter uma despedida à altura.

O clube deveria se mobilizar, buscar parceria com a 9ine, seja com quem for.

E fazer em que na sua última partida estivessem os maiores jogadores do mundo.

Em atividade, não os aposentados.

Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar, Iniesta, Drogba, Rooney, Ibrahimovic...

Daí por diante...

Que se encontrasse a melhor data.

Talvez em agosto deste ou do próximo ano.

Não importa.

Marcos está aposentado. Esperaria.

Os veteranos fariam, no máximo, a preliminar.

E nunca o jogo principal.

Mas isso seria exigir o que esta diretoria palmeirense não tem.

Competência.

O jogo de despedida ao maior ídolo é feito com preguiça.

Desleixo que caracterizou o rebaixamento para a Segunda Divisão.

Vai imperar a filosofia do "não é o ideal, mas serve".

Os dirigentes cometem o maior pecado.

Usar o amor dos torcedores a Marcos.

Como protestar, exigir um jogo mais digno?

Principalmente quando o homenageado é bonachão?

Tem um coração enorme, aceita sem reclamar a partida.

Ele conhece o clube que defendeu por mais de vinte anos.

Sabe que, com tantos incompetentes comandando o clube, está no lucro com o jogo de hoje.

Não teve de esperar anos como Ademir.

Pelo menos terá sua despedida.

Leão, Luís Pereira, Dudu, Edmundo, Evair, Djalma Santos, Djalma Dias...

Heitor, Junqueira, Roberto Carlos, Rivaldo, Julinho Botelho...

E tantos outros foram esquecidos.

Jorge Mendonça passava por sérias dificuldades financeiras.

E principalmente de saúde por causa do alcoolismo.

Houve a ideia de um jogo de despedida entre a cúpula palmeirense.

Partida que aconteceria para ajudá-lo.

Só que houve discussão, várias conversas inúteis.

O assunto foi ficando para depois.

Até que Jorge Mendonça morreu e o jogo não saiu.

Assim costumam agir os comandantes do Palmeiras.

Arnaldo Tirone colocará como grande mérito a partida de hoje.

Sabe que o Pacaembu estará lotado.

A tevê a cabo mostrará o jogo.

Os veteranos vão correr.

Ronaldo 'medida certa' mostrará que emagreceu.

Os apaixonados torcedores aplaudirão os veteranos, os aposentados.

Irão chorar com Marcos quando ele segurar a bola pela última vez.

E der a volta olímpica no Pacaembu.

Tudo terá uma aura especial, será mágico por causa de Marcos.

Mas se houver uma análise fria, distante, impossível não perceber.

O maior ídolo palmeirense mereceria muito mais.

E não seria difícil de fazer.

Mas seria preciso o que se tornou raro no Palestra Itália.

Competência, visão, modernidade, ousadia.

A falta de ambição se fará presente nesta terça-feira.

Dia clandestino para o futebol.

Marcado por partidas da Série B.

Divisão que a direção do clube conseguiu jogar o Palmeiras.

Neste 11 de dezembro de 2012, Marcos deixa o futebol de vez.

Os péssimos dirigentes não conseguiram nem a data dos sonhos de Marcos.

O jogo não será no dia 12 de dezembro de 2012.

12 é o número que mais ama na vida.

Não ganhou esse derradeiro carinho.

Porque amanhã o São Paulo decide a Sul-Americana no Morumbi.

Cadê a coragem de bancar a partida assim mesmo para a quarta-feira?

Venceu a velha covardia de sempre.

Os comandantes palmeirenses ficaram de joelhos diante da tevê.

Marcos terá uma despedida digna da gestão do presidente Arnaldo Tirone.

Veteranos, aposentados se enfrentarão no último jogo do maior ídolo da história.

Os torcedores se conformam, festejam pela devoção.

Se deixam levar pela emoção.

Não percebem que se contentam com pouco, muito pouco.

Não há como não ficar triste pelo adeus ao grande goleiro.

Mas também pela humildade da sua festa de despedida.

Marcos merece muito mais.

Só que é prisioneiro da incompetência.

A mesma que jogou o clube na Segunda Divisão.

Que ele se divirta ao menos no seu último clássico.

O dos quarentões casados contra os descasados.

Diante da postura dos diretores de Tirone só há uma solução.

Se desculpar.

'Perdão, São Marcos.

Eles não sabem o que fazem...'