Publicado em 07/12/2012 às 11h36
Ganso está irritado com a reserva. Diretoria contrariada com Ney Franco. E Juvenal perdoa Luís Fabiano, seu companheiro no camarote. Esse é o clima no São Paulo para a final contra o Tigre…

Seu modo de protestar é o silêncio.
Ele se fecha e fica quieto.
Somem as risadas, as conversas.
Quem conhece Paulo Henrique Ganso sabe como se comporta.
E o meia não gostou nada de não ter jogado contra o Tigre.
Ney Franco não o colocou em campo nem por um minuto.
Justo quando o jogador está no melhor da sua recuperação física.
Ganso era um dos mais animados na concentração depois da vitória diante do Corinthians.
Tinha certeza que seria utilizado na Argentina.
Jogaria a sua primeira final com a camisa do São Paulo.
Não importava se Jadson começasse o jogo.
Tinha certeza que, contra cinturas duras do meio de campo do Tigre, iria se impor.
Mas veio a expulsão de Luís Fabiano, o tempo foi passando.
Ganso percebendo o quanto os argentinos só tinham força e altura.
Mas Ney Franco queria saber de manter o empate.
Mesmo vendo o São Paulo sendo envolvido no segundo tempo.
Não quis colocar Ganso.
O meia voltou para o Brasil decepcionado.
É de sua personalidade.
Quando contrariado, ele se fecha.
No Santos era uma das características que os técnicos tinham de tolerar.
Neymar se transformava no defensor de suas causas.
Era quem procurava os técnicos para levar as queixas de Ganso.
Foi por causa deles, por exemplo, que Adilson Batista teve vida curta na Vila Belmiro.
Os queria participativos demais na marcação.
E a dupla não tolerou essa maneira de jogar.
A rejeição se propagou por todo o time.
Dorival Júnior e Muricy conheceram bem Ganso.
E faziam questões de longas conversas individuais com ele.
É o que Ney Franco precisa fazer.
Paulo Henrique tem de se sentir valorizado.
A direção do São Paulo também ficou incomodada com o técnico.
Ninguém entendeu o motivo dele não colocar sequer um atacante de referência no banco.
Luís Fabiano aprontou de novo, foi expulso.
E Willian José e Ademílson foram para a Argentina só para comer alfajores.
Desta vez, Rogério Ceni não vai se envolver na escalação.
Sutilmente destacou que Cícero, outra vez ele, foi muito bem, resolveu não ir a fundo.
"Da última vez que falei, foi um carnaval.
Agora é com o Ney."
Embora conselheiros estejam espalhando que Luís Fabiano foi multado, não foi.
Juvenal Juvencio não quis problemas com o temperamental jogador.
Mais uma vez ele foi perdoado por uma expulsão que prejudicou o São Paulo.
É a maneira com Juvenal lida com os ídolos no Morumbi.
Se fosse alguém sem prestígio seria até afastado.
Como é Luís Fabiano terá um lugar especial na próxima quarta-feira.
Ficará no camarote ao lado do presidente.
Talvez esse tratamento especial fez com que nunca mudasse.
Quando bate a vontade de dar um pontapé em alguém, Luís Fabiano dá.
"Não levo desaforo para casa", repete como um mantra.
Com a cobertura de Juvenal Juvencio é fácil.
Pior para o São Paulo...
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