
"Pipoqueiro, pipoqueiro, pipoqueiro."
A própria torcida do São Paulo já ecoou esse coro.
Foram várias vezes.
E tendo, por ironia, o jogador mais indisciplinado do elenco.
O mais sangue quente, irritadiço.
Colecionador de cartões, de brigas.
Um homem como ele não suporta provocações.
Não tem nada de pipoqueiro em relação aos adversários.
O torcedor sabe que ele não foge de uma troca de socos, pontapés.
O problema nestes seis anos e 169 partidas pelo São Paulo é outro.
A insignificância de títulos que conseguiu no Morumbi.
Ele só tem na carreira o torneio Rio-São Paulo de 2001.
Tirando esse fraquíssimo campeonato, nada.
Já foi questionado em 2002.
O São Paulo fez a melhor campanha no Brasileiro.
Iria enfrentar o Santos, oitavo colocado, dono da pior trajetória entre os classificados.
O time de Oswaldo de Oliveira entrou como favorito absoluto.
Perdeu os dois jogos.
A torcida tricolor não perdoou Luis Fabiano.
Tudo ficaria ainda pior no Paulista de 2004.
O São Paulo outra vez fez a melhor campanha na fase de classificação.
O treinador era Cuca.
Entrava para enfrentar o São Caetano, de Muricy Ramalho.
Perdeu por 2 a 0 no Morumbi.
Luís Fabiano além de jogar mal, foi expulso.
Deu um carrinho violento no falecido zagueiro Serginho.
Ouviu a sua torcida gritar.
"Pipoqueiro, pipoqueiro, pipoqueiro."
Raivoso, deu bananas para os torcedores do São Caetano.
Em seguida, o time foi eliminado da Libertadores pelo Once Caldas.
Outra vez a cobrança em cima do atacante.
Foi a senha para ir embora.
Contratado pelo Porto, saiu questionado pelos torcedores.
Mas o tempo cura muitas feridas.
A raiva e a decepção passaram.
E Juvenal Juvêncio o trouxe de volta para o São Paulo.
Entrou em um leilão com o Corinthians.
E o comprou do Sevilla.
O atacante escolheu o Morumbi.
O então presidente corintiano, Andrés Sanchez não o perdoou.
E escolheu o termo que Luis Fabiano mais odeia.
"Estava tudo certo, mas ele pipocou de vir para o Parque São Jorge."
Juvenal Juvêncio gastou R$ 20 milhões no seu retorno.
Ele voltou em março de 2011 sonhando com seleção brasileira.
Quer disputar a Copa de qualquer maneira.
A recepção foi de reconciliação.
Emocionante.
Foram mais de 40 mil torcedores saudar o seu retorno.
Não imaginariam que ele só entraria em campo em outubro.
Teve de fazer duas cirurgias antes de jogar novamente pelo clube.
O Brasileiro do ano passado terminou de forma deprimente.
Nem classificação para a Libertadores.
Veio o Paulista e Luis Fabiano voltou a decepcionar.
O São Paulo goleou o Bragantino.
Mas por um lance maldoso, tomou cartão amarelo.
E não pôde jogar a semifinal contra o Santos.
O time foi eliminado.
As críticas ao destempero do jogador cresceram.
Mas havia a Copa do Brasil.
Torneio de nível técnico fraco, muito fraco.
O time era mais do que favorito para derrotar o Coritiba.
E depois decidir com o Palmeiras.
Só que a equipe perdeu no Paraná por 2 a 0.
A Independente, principal organizada, não perdoou Luis Fabiano.
Na sua página oficial do Facebook, foi ofendido novamente.
O mesmo adjetivo: pipoqueiro.
Veio a derrota no Brasileiro contra o Vasco, no Morumbi.
E outra vez teve de ouvir o que não queria.
As organizadas do São Paulo começaram e boa parte dos torcedores aderiu.
O coro de 'pipoqueiro, pipoqueiro, pipoqueiro' dominou o estádio.
O atacante deu entrevistas, disse que iria pensar no que fazer.
Deixou subentendido que poderia ir embora do Morumbi.
"Vamos pensar agora e, durante esses dias, repensar.
Vamos com a cabeça fria analisar o que é bom para mim e bom para o São Paulo.
Vamos ver o que vai acontecer."
Circularam boatos entre os conselheiros que teria uma proposta para jogar no Oriente Médio.
Iria atuar no Al Rayyan do Catar.
Só que os árabes não pagaram o que o São Paulo queria.
Luis Fabiano ficou.
E outra vez não conquistou o Brasileiro.
Mas voltou a ser convocado para a seleção.
Jogou contra a Argentina no Superclássico das Américas, em Goiânia.
E o São Paulo foi ganhando seus jogos na Sul-Americana.
Ney Franco conseguiu dar padrão à equipe que tanto sofreu nas mãos do ultrapassado Leão.
Como Rogério Ceni disse, a principal competição da América é a Libertadores.
Mas para um clube que não vence nada desde 2008, a Sul-Americana é ótima.
Todos sabem que é um torneio de segunda linha, mas está valendo.
Principalmente para Luis Fabiano.
O time enfrenta na final o Tigre na Bombonera.
A equipe é fraquíssima.
Sem torcida.
O temido estádio do Boca Júnior não deverá ficar lotado.
Muito pelo contrário.
Está na penúltima colocação no Argentino.
É uma espécie de Palmeiras portenho.
Mesmo com elenco fraco, resolveu investir tudo em um torneio mata-mata.
E esqueceu o campeonato nacional.
A chance é espetacular.
Luis Fabiano pode marcar seus gols, posar de Usain Bolt.
Conseguir o seu segundo título com o São Paulo.
E, principalmente, realizar seu maior sonho.
Se livrar da fama de pipoqueiro.
Jogador que some nas decisões.
Principalmente com a camisa do São Paulo.
A hora é essa.
Adversário mais fraco em uma decisão é impossível.
A hora da pose, do desabafo, chegou.
E perguntar:
"Quem é pipoqueiro?"