Posts de 1 de dezembro de 2012

O sorteio da Copa das Confederações foi o pior possível. México e Itália no mesmo grupo do Brasil. O risco é real da Seleção de Felipão ser eliminada na primeira fase. Sabotaria de vez o clima da Copa do Mundo…

ae11 O sorteio da Copa das Confederações foi o pior possível. México e Itália no mesmo grupo do Brasil. O risco é real da Seleção de Felipão ser eliminada na primeira fase. Sabotaria de vez o clima da Copa do Mundo...

Cuidado com o que você deseja, diz o ditado.

Luiz Felipe Scolari pediu ontem.

"Tomara que o Brasil tenha adversários difíceis pela frente."

Terá.

Alex Atala tornou patético o sorteio da Copa das Confederações.

O chef brasileiro não conseguiu diferenciar a letra A da B.

Se fizesse o mesmo com os ingredientes, o D.O.M estaria fechado.

O erro atordoou o irritadiço secretário-geral da Fifa.

Foi um vexame transmitido para o mundo todo.

Mas o que sobrou para o Brasil foi muito ruim.

A seleção de Scolari terá quem não queria como companhia: o México.

A Itália já era conhecida, imposta pelo regulamento.

Na primeira fase, dois times do mesmo continente não podem se enfrentar.

Os italianos ficaram com os brasileiros.

E os uruguaios com os espanhóis.

Restava o México e seu excelente trabalho nos últimos anos.

Não foi por acaso que o país venceu as Olimpíadas.

Se preparou, montou uma seleção que trabalhou forte por quatro anos.

Isolada da principal.

Agora faz a mesma coisa com seu selecionado para a Copa do Mundo de 2014.

O time é forte, muito bem montado por José Manuel de la Torre.

Vicente Del Bosque e Felipão sabiam que os mexicanos seriam uma companhia indesejada.

Porque são dois classificados por grupo.

Mas as lindas mãos de Adriana Lima trouxeram o adversário para o grupo brasileiro.

A situação é simples e complicada.

Brasil, Itália, México e Japão disputarão duas vagas.

Para aquecer, o time fraco.

Os japoneses na estreia, em Brasília.

Depois os mexicanos, em Fortaleza.

E, finalmente, a Itália, em Salvador.

O sorteio foi padrasto para a seleção brasileira.

Se não quiser dar vexame, Scolari terá de se apressar.

Há, sim, o sério risco de o Brasil ser eliminado na primeira fase.

Os mexicanos e italianos estão com seleções muito à frente da brasileira.

Os japoneses também trabalham, mas o nível técnico de seus jogadores ainda é baixo.

A seleção vai precisar se aprontar em cinco meses.

O primeiro amistoso está marcado para a Inglaterra, em fevereiro.

Felipão não vai aproveitar a base do time de Mano.

Ele quer rechear o jovem time de veteranos.

Tudo ficará ainda mais difícil.

A importância de uma comunhão com os torcedores será fundamental.

O Brasil não pode ter a torcida contra o time.

Até pela força dos rivais.

Isso só na primeira fase da Copa das Confederações.

No grupo B, há a Espanha e o Uruguai.

Times que também estão prontos para a disputa.

A campeã do mundo, bicampeã da Europa, manteve todo seu time.

O envelhecido Uruguai, campeão da Copa América, ainda tem muito fôlego para a competição.

São mais favoritos hoje do que a seleção jogando em casa.

Complementam o grupo B, o Taiti e o representante africano, que sairá em fevereiro.

Espanhóis e uruguaios deverão ser os classificados para a fase final.

No grupo A, Brasil, Itália e México brigarão por duas vagas.

O sorteio foi péssimo para o time de Felipão.

Uma eliminação precoce, ainda na primeira fase, sabotaria o clima para a Copa.

Felipão sabe muito bem disso.

E, a partir de hoje, a obrigação não é vencer o Mundial.

Passa a ser passar pela primeira fase da Copa das Confederações.

Se ele queria dificuldade na vida, já tem.

Até de sobra.

Mexicanos e italianos o esperam em 2013.

Se passar por eles, há ainda os uruguaios e espanhóis...

Mano Menezes acabou queimando toda uma geração de técnicos. Muricy, Tite, Abel, Cuca, Dorival, Luxemburgo. Com a volta de Felipão, serão 12 anos apenas assistindo de longe a tudo o que acontece com a seleção. O Brasil se cansou de testes…

ae1 Mano Menezes acabou queimando toda uma geração de técnicos. Muricy, Tite, Abel, Cuca, Dorival, Luxemburgo. Com a volta de Felipão, serão 12 anos apenas assistindo de longe a tudo o que acontece com a seleção. O Brasil se cansou de testes...

Mano Menezes está incomunicável.

Sua assessora de imprensa, a filha Camila, também.

Assim como o empresário Carlos Leite.

Não adianta deixar mensagem no celular, mandar e-mail.

Eles não querem falar.

Frustrados com a demissão às vésperas do sorteio da Copa das Confederações.

Com todo o staff da Fifa no Brasil.

Reuniões com Vicente del Bosque, Cesare Prandelli e Oscar Tabárez.

José Manuel de La Torre poderia explicar como venceu tão fácil a Olimpíada com o México.

Se aproximar de Blatter, Jérôme Valcke.

E da imprensa internacional, que o ouviria, divulgaria suas ideias.

Faria propaganda do seu nome para os grandes clubes europeus.

Seu futuro poderia estar garantido no Velho Continente.

Mas todos os holofotes acabaram com Luiz Felipe Scolari e Parreira.

O fracasso de Mano Menezes não foi só dele.

Foi também a de uma geração de treinadores.

Felipão comandou o Brasil em 2002.

Parreira teve de voltar em 2006.

Dunga não era nem técnico quando trabalhou em 2010.

Foram desprezados todos os outros nesses dez anos.

Luxemburgo, Muricy, Tite, Dorival Júnior, Abel Braga, Autuori.

Cuca, Ney Franco, Oswaldo de Oliveira e Celso Roth.

Todos eles caíram com Mano.

Muricy foi o mais revoltado com a queda.

O que mais escancarou a incoerência com a demissão.

Depois de perder a Copa América e a Olimpíada, Mano estava mesmo no seu melhor momento.

Foram 102 convocações e vários esquemas táticos.

102 convocações.

13 goleiros...

Até que chegou a um time, sua estratégia ideal.

Diego Alves, Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo;

Paulinho, Ramires, Oscar, Kaká e Hulk;

Neymar.

Essa era a sua equipe depois de dois anos e meio.

Time ágil, de muita movimentação do meio para frente.

Sem atacante fixo.

Tática inspirada nos espanhóis campeões do mundo.

Eles a adotam há pelo menos seis anos.

Estava disposto a apostar nela até a Copa de 2014.

Mas não teve tempo.

A falta de conquistas e aura de insegurança o derrubaram.

A inexperiência ficou evidente nos pequenos e grandes gestos.

Marin tem 80 anos, pode ser rotulado de reacionário de várias formas.

Só que não houve a contestação, a revolta popular com o retorno de Felipão.

Não houve protestos radicais.

Ninguém se incendiou decepcionado pelo Brasil não ter Guardiola.

O trabalho de Mano acabou afetando o novo.

Até porque, é duro admitir, mas não houve realmente nada significativo no Brasil.

Os nossos treinadores ficaram parados no tempo, no espaço.

Autuori e Abel Braga foram campeões do mundo.

Autuori, Abel, Roth, Tite e Muricy ganharam a Libertadores nesses dez anos.

Uma década entre a saída e a volta de Felipão.

A Europa, neutra na questão, valorizou os jogadores.

Como se tivessem ganho os títulos sozinhos nesses dez anos.

Não reconhece a ação dos treinadores.

Não quis levar nenhum desses.

Os que tiveram chances foram os que haviam passado pela seleção.

Luxemburgo foi mal demais no Real Madrid em 2005.

Assim como o próprio Felipão no Chelsea em 2009.

Tudo ficou ainda pior.

A valorização acabou apenas interna.

Mas não suficiente para que a seleção fosse entregue a um deles de olhos fechados.

Mano era o representante dessa geração.

E acabou trocando os pés pelas mãos.

Não foi fácil.

Alguém se impor sem ter tido o convívio com a elite do futebol mundial.

Dunga nunca havia sido técnico.

Mas conviveu em grandes clubes do mundo, jogou na Itália, na Alemanha.

Além de anos e anos de seleção brasileira.

Nada para ele era tão novo em 2010.

Mano tinha o respaldo de Andrés, mas não se impôs.

Mesmo na entressafra ele se perdeu.

Não adiantou se preocupar com fonoaudióloga.

Estudar inglês, que compreende bem.

Treinar exaustivamente entrevistas fictícias com a filha.

O media training perfeito se perdeu com as convocações, as decisões no banco.

Como deixar Ganso na Olimpíada de birra.

O meia não tinha condições de jogar, mas não foi cortado porque a notícia vazou.

Se vingar de atletas que falharam em derrotas importantes.

Fez isso com Hernanes, Douglas, Ramires, Robinho e Elano.

Sua falta de rumo ficava evidente em cada convocação.

Farta de novidades e incoerência.

O Brasil esperava e precisava de declarações como a de ontem de Felipão.

"O time da Copa das Confederações é 90% ou 100% a equipe da Copa do Mundo."

Ponto-final.

Os testes de Mano deixaram jogadores, mídia, torcida inseguros, perdidos.

Ele demorou demais para conseguir sossegar o coração, ter seu time.

Acabou se queimando e torrando os técnicos de sua geração.

Muricy, Tite, Abel, Autuori, Cuca e Luxemburgo vão esperar.

Pelo menos mais um ano e meio para voltar a sonhar.

Ficarão, na prática, doze anos na expectativa.

Sem ter acesso à seleção brasileira.

Mano voltou para o fim da fila.

O pior é que eles não percebem o óbvio.

No desejo por Guardiola havia um protesto implícito.

Os nossos técnicos na plenitude não serviam.

Seus conceitos táticos são ultrapassados.

Eles também foram rejeitados.

Tanto pela vanguarda como pelos reacionários que buscaram Felipão e Parreira.

Quem quis o catalão não reconhecia talento na atual geração de treinadores.

A declaração de Muricy logo após decisão do Mundial no Japão ainda ecoa.

O Santos foi impiedosamente goleado por 4 a 0.

"O Barcelona joga praticamente num 3-7-0.

No Brasil seria um absurdo, viraria caso de polícia.

Mandariam prender o técnico."

Não, muito pelo contrário.

Muricy estava errado.

Muita, mas muita gente queria o catalão comandando a seleção.

Veio Felipão e serviu.

Por que serviu?

Porque o Brasil estava cansado de insegurança, de testes, de laboratório.

Rejeitou os contemporâneos de Mano Menezes.

Ninguém brigou por eles.

Há 12 anos, essa geração acompanha a seleção como qualquer torcedor.

De longe.

Pela televisão.

O lugar que poderia ser de um deles está nas mãos de dois homens.

Um com 69 anos e outro com 64.

Parreira e Felipão.

E o Brasil se sente mais seguro...