Publicado em 28/02/2012 às 09h54
O desespero do marketing do Corinthians. Não foi só uma sedução à Hyundai. Mas uma pressão na Hypermarcas. O tiro saiu pela culatra…

"Não foi só uma tentativa de sedução na Hyundai.
Foi uma pressãozinho na Hypermarcas."
Esta foi a explicação de um dos responsáveis pelo marketing no Corinthians.
Uma das pessoas ligadas à nova fracassada tentativa de reaproximar Washington Olivetto do clube.
O vice Luiz Paulo Rosenberg diz que adora estratégias de marketing diferentes, fortes.
"Agressivas", como gosta de classificá-las.
Aceitou de primeira a ideia de mandar fazer uma camisa do Corinthians com símbolo da Hyundai.
E entregá-la ao presidente da montadora no Brasil, Seong-Bae Kim.
Não na sua sala, mas em pleno Pacaembu, no sábado, na partida contra o Botafogo.
Lógico que teria alguém para bater uma foto 'ao acaso'.
E esta foto 'ao acaso' cair na Internet.
Como Chen Zhi-Zhao já está em São Paulo fazendo testes físicos, a associação oriental iria acontecer.
Poucos iriam parar para pensar que a Hyundai é sul-coreana...
E Chen é chinês bancado pela Nike.
Vale é passar para o inconsciente coletivo que o Palmeiras fechou com a montadora Kia Motors, rival da Hyundai.
Mas como rival?, lembra bem o fiel leitor Rafael.
Em 1998, a Hyundai adquiriu a Kia Motors.
Ou seja: formam uma empresa só.
Concorrer consigo mesma em um mesmo estado, eu um mesmo país?
É um pouco difícil.
Mas vai que a história acabe colando...
Para muita gente, olho puxado é olho puxado...
Um samba marqueteiro do criolo doido.
Mas que tem por alvo encurralar a Hypermarcas.
A empresa não quer mais pagar R$ 37 milhões pela camisa do Corinthians.
Não sem Ronaldo, seu principal atrativo.
Rosenberg sabe disso.
O contrato termina em abril.
Pelo acordo, Ronaldo recebia R$ 12 milhões pelo acordo.
Aos cofres corintianos entravam R$ 25 milhões.
Andres Sanchez sabia do encantamento dos executivos da Hypermarcas com Ronaldo.
E acenava como um desesperado para a prorrogação de contrato, mesmo sem a menor possibilidade dele entrar em campo.
Sabia que signficaria dinheiro ao Corinthians.
Ronaldo teve o bom senso de dizer não mais de 30 vezes ao ex-presidente.
Sem um dos jogadores mais midiáticos do mundo, a Hypermarcas quer reduzir custos.
Sabe que ninguém paga tanto no Brasil para ter o patrocínio master de qualquer camisa.
São Paulo e Flamengo estão na praça correndo atrás de interessados.
Mesmo assim, o Corinthians fala em querer cobrar R$ 50 milhões para a Hypermarcas continuar.
Por isso esse carinho todo de Rosenberg para o presidente da Hyundai no Brasil.
Ele que está longe de ser um alienado, percebeu a jogada.
E mandou seu departamento de marketing avisar que não está negociando com o Corinthians.
A princípio não está nos planos investir em futebol.
Ainda mais com os valores cogitados de R$ 50 milhões.
A agressividade de Rosenberg pode ser perfeita para fechar com empresários de carne, aguardente, isqueiros.
Mas sem Ronaldo, a camisa corintiana perdeu uma referência mundial.
E há o medo real de ter de baixar demais a pedida para a camisa continuar com patrocínio.
Só que o vice já antecipava que o clube continuaria a ter o fardamento mais valioso do país.
Rosenberg pode até montar uma fábrica de logotipos no Pacaembu...
E ficar doando camisas estampadas para todo presidente de multinacional que chegar.
Não será assim que conseguirá R$ 50 milhões por ano.
Um dia talvez descubra que não é só ele quem é esperto neste mundo.
Apesar de acreditar piamente nisto.
A crise mundial não é segredo para ninguém.
Assim como o atual descrédito do futebol brasileiro.
Talvez por essa 'agressividade', Olivetto não quis voltar ao Corinthians...
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