Publicado em 26/02/2012 às 06h30
O Grêmio começa a conhecer Vanderlei Luxemburgo. O jogador que foi gato, diminuiu a idade para tirar vantagem em campo, e o treinador que decepcionou o Brasil…

Luxemburgo já deu seu cartão de apresentação ao Grêmio.
Prometeu a classificação para a Libertadores.
O mínimo para o elenco caro que terá nas mãos.
E ainda será reforçado.
Mas feio ficou para a camisa que escolheu.
Posou com a 23 na apresentação.
"Por coincidência", o mesmo número do PPS.
Partido do deputado estadual e, veja só, o presidente do clube gaúcho, Paulo Odone.
Depois tentou se justificar e foi pior.
Disse que queria a camisa 33, seu número da sorte.
Só que ela já era do lateral Edilson.
Mas a 23 também já pertece ao lateral esquerdo Bruno Collaço.
Ou seja, o que falou não tinha a menor consistência.
Infelizmente, tem sido assim sua carreira.
Perdeu o brilho.
A incrível ajuda de Dorival Júnior pode ser uma tremenda armadilha.
A inexplicável derrota do Inter para o Grêmio na quartas de final da Taça Piratini fez da estreia de Luxemburgo uma decisão.
Ele vai a Caxias para logo de cara tentar chegar à decisão.
Tem um time muito melhor.
Esperto, não mexeu na escalação do auxiliar Roger Machado.
Com Gilberto Silva na zaga e tudo.
Se vencer vai correr para os vestiários antes dos jogadores.
Assim garante a luz dos refletores todas para ele.
O gesto aprendeu com amigos ligados à televisão.
O que pode ser interpretado como humildade é na verdade um grande golpe publicitário.
Se a equipe perder para o aguerrido Caxias, a desculpa estará nas ponta da língua.
Não houve tempo.
Impossível para Luxemburgo impor o seu estilo.
Os truques de Vanderlei são repetitivos.
Já procurou se cercar, se aproximar dos repórteres setoristas do Grêmio.
Falou do período em que foi jogador do Inter.
O quanto gosta de Porto Alegre.
Revelou que cuidou dos banhos dos netos em Punta del Este.
Fez suas piadas sem graça.
Se mostrou o mais simpático possível.
A mesma estratégia usada há mais de 20 anos.
Só que deixou de ser novidade.
Jornalistas mais rodados do Rio Grande do Sul conhecem seu modus operandi.
Costurar laços estreitos, procurar quem terá uma relação de confiança.
Cada vez mais o treinador de 59 anos precisa de respaldo.
Sua carreira é decadente, as demissões se sucedem.
A ambição de ser treinador da Seleção em 2014 já foi embora há muito tempo.
Nem o parceiro, irmão Ricardo Teixeira consegue.
Não há como retribuir o favor da CPI de 2000, quando Luxemburgo roubou a atenção.
E o presidente da CBF saiu ileso.
E ainda cortou sua cabeça depois da derrota na Olimpíada de Sidney.
As ilusões vão se acabando.
Com a de voltar para um grande time da Europa.
Ficou mesmo difícil pela pífia campanha no Real Madrid.
Já admitiu a maneira com que o clube espanhol o tratou.
"Como um Zé Mané."
E os europeus não costumam dar chances a quem considera um Zé Mané.
Ainda mais sem resultados.
Com demissões e mais demissões.
Foi para o Grêmio porque dirigentes ainda se encantam com seu discurso vazio.
Cada vez menos.
Tanto que seu campo de trabalho em São Paulo e no Rio não existe mais.
É objeto de cobiça para estados que não o conhecem profundamente o seu trabalho.
Foi o que aconteceu com o Grêmio.
Depois das oito partidas do inseguro Caio Júnior, Paulo Odone queria um alguém vivido e de discurso forte.
Alguém teatral para dar socos na mesa, brigar com repórter que o questiona em coletiva, desviar o foco da diretoria.
Luxemburgo é perfeito para isso.
Sua fase áurea passou há muito tempo.
Passou a ganhar tempo nos clubes com uma palavra mágica: planejamento.
Os times podem perder e ele repete que tudo está dentro do normal.
As vitórias virão com o planejamento.
O Atlético Mineiro quase foi rebaixado no ano passado com essa conversa absurda.
O Flamengo se livrou do problemático treinador que acreditou mandar mais do que a presidente.
Luxemburgo virou mais um especialista em multas rescisórias.
Bem assessorado por advogados competentes, ele não perdeu a inteligência.
E muito menos o instinto de sobrevivência.
De quem foi muito pobre e só sabia jogar futebol.
Com carteira de identidade falsificada fez sua carreira.
Tirou vantagem do jogador mais velho, mais forte fisicamente nas categoria de base.
Coloca a culpa no pai já falecido por ter sido gato a carreira inteira.
Usou letras falsas no nome para buscar mais status.
Adotava com orgulho o W e o Y para valorizar o original.
E cortou um dos sobrenomes mais populares do Brasil.
Não queria ser Vanderlei Luxemburgo da Silva.
Mas a Justiça o obrigou a ter a identidade verdadeira na carteira.
Nada de Wanderley e data de nascimento verdade.
Acabou a farsa.
E este homem que começa a sua trajetória hoje no Grêmio.
Alguém que conseguiu deixar de ser pobre, vendedor de carros usados e virou milionário.
Foi unanimidade no Brasil, mas seu ego e sanguessugas truncaram sua carreira.
Agora capenga, sendo mandado embora dos clubes...
E esperando novas diretorias ávidas pelos holofotes e promessas vazias.
Para Paulo Odone e Pelaipe, Luxemburgo é um prato cheio...
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