Publicado em 25/02/2012 às 15h31
78 anos de Juvenal Juvêncio. Parabéns? Não! Hora de encarar o espelho de verdade. Admitir que não é o dono do mundo. E reconhecer todo o mal que fez ao São Paulo…

Juvenal Juvêncio é um homem atormentado.
Ele sabe o prejuízo enorme que deu ao clube que diz amar.
Não vai ter coragem nunca de falar em volta.
Ter muito mais personalidade do que toda a diretoria do São Paulo junta foi uma maldição.
Pelo simples fato de não existir um homem com coragem de contestá-lo, ele faz o que quer.
Pior.
Já fez.
Tudo estava nas suas mãos.
O Morumbi era o maior estádio de São Paulo.
Pacaembu, Palestra Itália, Canindé não eram páreos.
O Brasil havia conseguido a Copa do Mundo de 2014.
Juvenal sabia que a final seria no Maracanã.
E jurava pela sua fazenda que a abertura e semifinal seriam no Morumbi.
Assim como o seu staff.
Foi uma corrida pelos camarotes.
Empresas, ex-jogadores, artistas...
Todos viram a possibilidade de lucro fácil.
Ter um camarote no Morumbi e depois negociá-lo com a Fifa.
Pessoas que gerenciariam a comida oferecida, esfregavam as mãos.
Tudo estava sendo amarrado.
Ricardo Teixeira era sim um inimigo.
Mas Juvenal apostava que ele teria de pedir arrego.
Estava nas mãos de quem o contestava com mais coragem no Clube dos 13.
Os governos estadual e municipais resolveriam o grave problema de acesso e estacionamento no estádio.
Com promessa inclusive de isenção fiscal na reforma do Morumbi.
Tudo perfeito.
Juvenal era tratado como a reencarnação do Buda.
Foi aí que se perdeu.
Não seguiu a filosofia do entendimento, não buscou a compreensão entre aqueles que o cercam, como prega o budismo.
Muito pelo contrário.
O centenário futebol misturava os torcedores dos clubes que se enfrentam no início.
Mas a violência e, principalmente, a incompetência da autoridades policiais fizeram isso mudar.
E colocaram uma torcida de cada lado do estádio.
Por décadas era assim.
Juvenal estava vendendo camarotes vips do Morumbi.
Onde as empresas faziam verdadeiras baladas, com direito a vodca, uísque, cerveja e música alta.
E comida de altíssima qualidade.
Antes, no intervalo e depois dos jogos eram uma festa.
E vários camarotes começaram a passar por reformas.
Não importavam o lado do estádio.
Mas como?
Se do outro lado estaria a torcida advesária e poderia criar mil problemas...
Já que estes camarotes estavam sendo comprados por são paulinos endinheirados?
Foi quando o onipotente Juvenal resolveu buscar uma saída jurídica.
Encontrou.
Para os inimigos, a lei.
No regulamento do enfraquecido Campeonato Paulista estava a solução.
O São Paulo poderia ceder até o mínimo de 5% dos ingressos aos rivais.
E escolheu justo o Corinthians para tomar essa atitude.
Os interesseiros que o cercam o elogiaram por tamanha ousadia.
Vários brindes de Black Label foram feitos tendo a fumaça de charutos cubanos.
Era o ápice do poder: humilhar os rivais.
Dali para a frente quem quisesse jogar no estádio da Copa seria assim.
A medida valeria para corintianos, palmeirenses, santistas.
Os seus camarotes seriam preservados.
Os torcedores dos times da plebe ficariam espremidos em locais onde não chegassem nem perto dos locais dos privilegiados.
E com direito a pontos cegos, sem conseguir o gramado por completo.
Juvenal enebriado pelo poder menosprezou seus inimigos.
Andres, na época, o improvisado presidente corintiano veio da Pavilhão Nove.
Com relação umbilical com Lula, então presidente do Brasil.
Não se lembrou de Ricardo Teixeira e de Marco Polo del Nero, homens que cansou de desprezar.
Acreditou ingenuamente em Gilberto Kassab, prefeito paulista que alega ser são paulino.
Juvenal tomou o maior tombo de um dirigente esportivo da história do País.
Em tempo recorde, os conchavos de Andres, Lula, Ricardo Teixeira, Joseph Blatter e Marco Polo tiraram o Morumbi da Copa.
O presidente do São Paulo foi quem viabilizou o nascimento do Itaquerão.
Desesperado, ele viu o mundo ruir à sua volta.
A roda dos 18 anos e dos charutos cubanos diminuiu drasticamente.
Os cumprimentos nas manhãs de sábado e domingo no clube ficaram cada vez menos efuzivos.
Os donos dos camarotes se sentiram traídos.
O departamento de marketing passou a trabalhar como empresários de shows internacionais.
Tudo para compensar o dinheiro perdido com os clássicos...
E com os jogos importantes que os clubes rivais deixaram de fazer no Morumbi.
O Santos decidiu a Libertadores no Pacaembu em 2011 só para não usar o estádio do São Paulo.
Juvenal ficou transtornado.
Mas não abriu mão do seu poder.
Teve uma leitura própria dos estatutos e continuou presidente.
Pisou em gente que o adulava há anos esperando sucedê-lo.
Comprou Luís Fabiano para desviar o foco das críticas.
Gastou R$ 20 milhões e trouxe um jogador contundido.
A esta altura já havia demitido Muricy Ramalho.
Jurou que iria encontrar um sucessor que não o questionasse, obedecesse com um servo.
Conseguiu vários.
Só que os resultados foram humilhantes.
Perdeu jogadores caros que foram embora de graça.
Dagoberto e Miranda bastam como exemplo.
Mandou embora profissionais do nível de Carlinhos Neves e Turibio Leite.
A partir daí, o São Paulo se transformou em um convênio médico.
Jogadores se contundem com a frequência assustadora.
A atração por atletas machucados beira a insanidade.
O clube acaba de contratar o lateral Douglas, que só deve jogar em abril.
Ou maio, junho, julho, agosto...
Com o departamento médico do São Paulo ninguém sabe.
Luís Fabiano está novamente contundido.
O prazo era de três semanas.
Médicos juraram.
Já se passaram quatro semanas e agora não há mais previsão.
A seca de conquistas vem desde 2008.
Nem um miserável Campeonato Paulista.
Deixou de frequentar a Libertadores.
E na Copa do Brasil deu vexame, sendo eliminado pelo Avaí.
Campeonato Brasileiro nem chegou perto de vencer novamente.
Comemoração só uma ridícula taça de bolinhas ganha na justiça...
A vontade de títulos de verdade e ser elogiado é tão grande que Juvenal decidiu ganhar a Taça São Paulo deste ano.
Decidiu e pronto...
Ele, Leão e vários jogadores importantes passaram a não só assistir os treinos dos meninos.
Mas a participar das preleções de Zé Sérgio.
Uma loucura...
Os garotos entravam nos jogos pilhados, desesperados, pressionados.
Tinham de fazer o que os profissionais não conseguiam.
Afinal, o CT de Cotia não é o melhor do melhor do melhor das categorias de base da América Latina?
E no balanço do clube são R$ 19 milhões de investimento na categoria de base.
Ninguém gasta tanto com os garotos como São Paulo.
E Juvenal exigia a vitória.
Como um imperador romano, a morte dos gladiadores rivais.
O polegar estava para baixo.
O resultado não poderia ser outro.
E simbólico.
Eliminação diante do Barueri.
"Um time catado na rua.
Os jogadores passam na porta do clube e eram capturados.
O meu clube perdeu para esse tipo de equipe.
Isso eu não vou tolerar."
A promessa de Juvenal foi cumprida.
Demitiu quem mandava e contratou René Simões.
O clube perdeu R$ 25 milhões por ano e mais prestígio.
O patrocinador BMG não quis continuar na camisa do São Paulo.
Nem com eventual baixa para R$ 20 milhões.
Sem conseguir empresas interessadas, Juvenal correu atrás de Roberto Justus.
Aceitou o vaidoso empresário para tentar a busca de patrocinadores.
Ele percebeu que seu clube é igual aos outros.
E doeu.
A ponto de esticar a mão para um dos seus maiores inimigos: Marco Polo del Nero.
A aproximação deu resultados.
Nos olhos dos maldosos, as arbitragens ficaram menos severas.
Coincidência, lógico...
E Lucas não foi liberado para jogar o clássico de amanhã só pelo escândalo de Leão.
Marco Polo conseguiu a liberação para que ele enfrente o time do seu coração, o Palmeiras.
Isso se Marco Polo tiver coração...
Uma revelação.
Juvenal Juvêncio completa hoje 78 anos.
Dia de reflexão.
De avaliar as vitórias e, principalmente, as derrotas.
Sua maneira ditatorial de conduzir o clube tirou o Morumbi da Copa do Mundo.
E nem a compensação, a Copa das Confederações, conseguiu.
O clube fala em reformular o estádio, mas não tem nem patrocínio.
Escolheu como treinador uma pessoa que estava aposentada.
Na hora do brinde e de ouvir os parabéns de tanta gente fraca que mantém ao seu redor...
Tomara que Juvenal olhe de verdade para o espelho.
Enxergue mais do que o cabelo branco, as rugas, a pele vermelha do sol da fazenda...
Descubra que não é o dono do mundo.
Pense no quanto a sua personalidade prejudica um dos maiores clubes do mundo.
E, por mais que doa, admita que há gente muita mais esperta nesta vida...
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