78 anos de Juvenal Juvêncio. Parabéns? Não! Hora de encarar o espelho de verdade. Admitir que não é o dono do mundo. E reconhecer todo o mal que fez ao São Paulo…

AE13 78 anos de Juvenal Juvêncio. Parabéns? Não! Hora de encarar o espelho de verdade. Admitir que não é o dono do mundo. E reconhecer todo o mal que fez ao São Paulo...
Juvenal Juvêncio é um homem atormentado.

Ele sabe o prejuízo enorme que deu ao clube que diz amar.

Não vai ter coragem nunca de falar em volta.

Ter muito mais personalidade do que toda a diretoria do São Paulo junta foi uma maldição.

Pelo simples fato de não existir um homem com coragem de contestá-lo, ele faz o que quer.

Pior.

Já fez.

Tudo estava nas suas mãos.

O Morumbi era o maior estádio de São Paulo.

Pacaembu, Palestra Itália, Canindé não eram páreos.

O Brasil havia conseguido a Copa do Mundo de 2014.

Juvenal sabia que a final seria no Maracanã.

E jurava pela sua fazenda que a abertura e semifinal seriam no Morumbi.

Assim como o seu staff.

Foi uma corrida pelos camarotes.

Empresas, ex-jogadores, artistas...

Todos viram a possibilidade de lucro fácil.

Ter um camarote no Morumbi e depois negociá-lo com a Fifa.

Pessoas que gerenciariam a comida oferecida, esfregavam as mãos.

Tudo estava sendo amarrado.

Ricardo Teixeira era sim um inimigo.

Mas Juvenal apostava que ele teria de pedir arrego.

Estava nas mãos de quem o contestava com mais coragem no Clube dos 13.

Os governos estadual e municipais resolveriam o grave problema de acesso e estacionamento no estádio.

Com promessa inclusive de isenção fiscal na reforma do Morumbi.

Tudo perfeito.

Juvenal era tratado como a reencarnação do Buda.

Foi aí que se perdeu.

Não seguiu a filosofia do entendimento, não buscou a compreensão entre aqueles que o cercam, como prega o budismo.

Muito pelo contrário.

O centenário futebol misturava os torcedores dos clubes que se enfrentam no início.

Mas a violência e, principalmente, a incompetência da autoridades policiais fizeram isso mudar.

E colocaram uma torcida de cada lado do estádio.

Por décadas era assim.

Juvenal estava vendendo camarotes vips do Morumbi.

Onde as empresas faziam verdadeiras baladas, com direito a vodca, uísque, cerveja e música alta.

E comida de altíssima qualidade.

Antes, no intervalo e depois dos jogos eram uma festa.

E vários camarotes começaram a passar por reformas.

Não importavam o lado do estádio.

Mas como?

Se do outro lado estaria a torcida advesária e poderia criar mil problemas...

Já que estes camarotes estavam sendo comprados por são paulinos endinheirados?

Foi quando o onipotente Juvenal resolveu buscar uma saída jurídica.

Encontrou.

Para os inimigos, a lei.

No regulamento do enfraquecido Campeonato Paulista estava a solução.

O São Paulo poderia ceder até o mínimo de 5% dos ingressos aos rivais.

E escolheu justo o Corinthians para tomar essa atitude.

Os interesseiros que o cercam o elogiaram por tamanha ousadia.

Vários brindes de Black Label foram feitos tendo a fumaça de charutos cubanos.

Era o ápice do poder: humilhar os rivais.

Dali para a frente quem quisesse jogar no estádio da Copa seria assim.

A medida valeria para corintianos, palmeirenses, santistas.

Os seus camarotes seriam preservados.

Os torcedores dos times da plebe ficariam espremidos em locais onde não chegassem nem perto dos locais dos privilegiados.

E com direito a pontos cegos, sem conseguir o gramado por completo.

Juvenal enebriado pelo poder menosprezou seus inimigos.

Andres, na época, o improvisado presidente corintiano veio da Pavilhão Nove.

Com relação umbilical com Lula, então presidente do Brasil.

Não se lembrou de Ricardo Teixeira e de Marco Polo del Nero, homens que cansou de desprezar.

Acreditou ingenuamente em Gilberto Kassab, prefeito paulista que alega ser são paulino.

Juvenal tomou o maior tombo de um dirigente esportivo da história do País.

Em tempo recorde, os conchavos de Andres, Lula, Ricardo Teixeira, Joseph Blatter e Marco Polo tiraram o Morumbi da Copa.

O presidente do São Paulo foi quem viabilizou o nascimento do Itaquerão.

Desesperado, ele viu o mundo ruir à sua volta.

A roda dos 18 anos e dos charutos cubanos diminuiu drasticamente.

Os cumprimentos nas manhãs de sábado e domingo no clube ficaram cada vez menos efuzivos.

Os donos dos camarotes se sentiram traídos.

O departamento de marketing passou a trabalhar como empresários de shows internacionais.

Tudo para compensar o dinheiro perdido com os clássicos...

E com os jogos importantes que os clubes rivais deixaram de fazer no Morumbi.

O Santos decidiu a Libertadores no Pacaembu em 2011 só para não usar o estádio do São Paulo.

Juvenal ficou transtornado.

Mas não abriu mão do seu poder.

Teve uma leitura própria dos estatutos e continuou presidente.

Pisou em gente que o adulava há anos esperando sucedê-lo.

Comprou Luís Fabiano para desviar o foco das críticas.

Gastou R$ 20 milhões e trouxe um jogador contundido.

A esta altura já havia demitido Muricy Ramalho.

Jurou que iria encontrar um sucessor que não o questionasse, obedecesse com um servo.

Conseguiu vários.

Só que os resultados foram humilhantes.

Perdeu jogadores caros que foram embora de graça.

Dagoberto e Miranda bastam como exemplo.

Mandou embora profissionais do nível de Carlinhos Neves e Turibio Leite.

A partir daí, o São Paulo se transformou em um convênio médico.

Jogadores se contundem com a frequência assustadora.

A atração por atletas machucados beira a insanidade.

O clube acaba de contratar o lateral Douglas, que só deve jogar em abril.

Ou maio, junho, julho, agosto...

Com o departamento médico do São Paulo ninguém sabe.

Luís Fabiano está novamente contundido.

O prazo era de três semanas.

Médicos juraram.

Já se passaram quatro semanas e agora não há mais previsão.

A seca de conquistas vem desde 2008.

Nem um miserável Campeonato Paulista.

Deixou de frequentar a Libertadores.

E na Copa do Brasil deu vexame, sendo eliminado pelo Avaí.

Campeonato Brasileiro nem chegou perto de vencer novamente.

Comemoração só uma ridícula taça de bolinhas ganha na justiça...

A vontade de títulos de verdade e ser elogiado é tão grande que Juvenal decidiu ganhar a Taça São Paulo deste ano.

Decidiu e pronto...
Ele, Leão e vários jogadores importantes passaram a não só assistir os treinos dos meninos.

Mas a participar das preleções de Zé Sérgio.

Uma loucura...

Os garotos entravam nos jogos pilhados, desesperados, pressionados.

Tinham de fazer o que os profissionais não conseguiam.

Afinal, o CT de Cotia não é o melhor do melhor do melhor das categorias de base da América Latina?

E no balanço do clube são R$ 19 milhões de investimento na categoria de base.

Ninguém gasta tanto com os garotos como São Paulo.

E Juvenal exigia a vitória.

Como um imperador romano, a morte dos gladiadores rivais.

O polegar estava para baixo.

O resultado não poderia ser outro.

E simbólico.

Eliminação diante do Barueri.

"Um time catado na rua.

Os jogadores passam na porta do clube e eram capturados.

O meu clube perdeu para esse tipo de equipe.

Isso eu não vou tolerar."

A promessa de Juvenal foi cumprida.

Demitiu quem mandava e contratou René Simões.

O clube perdeu R$ 25 milhões por ano e mais prestígio.

O patrocinador BMG não quis continuar na camisa do São Paulo.

Nem com eventual baixa para R$ 20 milhões.

Sem conseguir empresas interessadas, Juvenal correu atrás de Roberto Justus.

Aceitou o vaidoso empresário para tentar a busca de patrocinadores.

Ele percebeu que seu clube é igual aos outros.

E doeu.

A ponto de esticar a mão para um dos seus maiores inimigos: Marco Polo del Nero.

A aproximação deu resultados.

Nos olhos dos maldosos, as arbitragens ficaram menos severas.

Coincidência, lógico...

E Lucas não foi liberado para jogar o clássico de amanhã só pelo escândalo de Leão.

Marco Polo conseguiu a liberação para que ele enfrente o time do seu coração, o Palmeiras.

Isso se Marco Polo tiver coração...

Uma revelação.

Juvenal Juvêncio completa hoje 78 anos.

Dia de reflexão.

De avaliar as vitórias e, principalmente, as derrotas.

Sua maneira ditatorial de conduzir o clube tirou o Morumbi da Copa do Mundo.

E nem a compensação, a Copa das Confederações, conseguiu.

O clube fala em reformular o estádio, mas não tem nem patrocínio.

Escolheu como treinador uma pessoa que estava aposentada.

Na hora do brinde e de ouvir os parabéns de tanta gente fraca que mantém ao seu redor...

Tomara que Juvenal olhe de verdade para o espelho.

Enxergue mais do que o cabelo branco, as rugas, a pele vermelha do sol da fazenda...

Descubra que não é o dono do mundo.

Pense no quanto a sua personalidade prejudica um dos maiores clubes do mundo.

E, por mais que doa, admita que há gente muita mais esperta nesta vida...