Publicado em 19/02/2012 às 09h51
Teixeira resolve mostrar que ainda manda no futebol brasileiro. Só sai na hora em que quiser. E agora, presidentes de federações?

Ricardo Teixeira é a pessoa com maior rejeição no futebol brasileiro.
As acusações são gravíssimas:
O seu envolvimento com a ISL, segundo a imprensa inglesa apurou.
O amistoso entre Brasil e Portugal, mérito da TV Record;
Os três milhões de reais pagos ao tio Marco Antônio pela dispensa da CBF;
O depósito do presidente do Barcelona na conta de sua filha, de acordo com o UOL.
Assessores de Dilma Rousseff fazem o que podem e nutrem jornalistas de provas contra Teixeira.
Tudo isso é verdade.
E seriam suficientes para derrubar qualquer pessoa de um emprego público.
Mas não Ricardo Teixeira da CBF.
Ele está lá há 23 anos.
Conhece como a engrenagem funciona.
Muitos leitores insistem em perguntar o motivo dele não cair.
A resposta é simples e legal:
Ele preside uma entidade particular.
O poder público não tem como simplesmente afastá-lo.
Decreto nenhum de Dilma Rousseff tem poder para isso.
É como se fosse o presidente de rede de fast food.
E, por acaso, acusado de várias irregularidades.
O máximo que poderia acontecer a ele seria ir preso.
Nunca deixar de ser o presidente.
Pelo simples fato de Teixeira dominar completamente quem poderia se juntar para derrubá-lo.
A prova veio agora, com toda essa crise.
Ele viajou para a Miami.
Muita gente comemorou antecipadamente, acreditando que ele não voltaria.
E começaram a brigar pelo seu espólio.
Como se Teixeira estivesse morto.
Não foi por acaso que Marco Polo del Nero acusa Novelletto, presidente da Federação Gaúcha de vender e comprar jogadores.
E como resposta, o gaúcho questiona a credibilidade de Marco Polo.
É desse nível para baixo a briga por quem deseja suceder Teixeira.
Foi marcada uma reunião dia 29 entre os presidentes das federações.
O motivo: discutir o sucessor de Teixeira.
Os presidentes das Federações do Rio e do Rio Grande do Sul não aceitam a lei.
Não querem que o vice mais velho, José Maria Marin, o homem que embolsou a medalha na Copa Juniores, assuma.
Querem uma eleição.
Até porque são candidatos.
As articulações já estavam avançadas.
Teixeira sabe o papel que cada presidente de federeção está representando.
Os traidores, os poucos aliados.
Gente para telefonar e contar com todos os detalhes não falta.
A última informação dá conta de que Andrés Sanchez e Ronaldo, Rodrigo Paiva entre outros teria convencido Teixeira a ficar.
Exercer seu poder na CBF.
Teixeira sabe que possui argumentos fortes para dobrar todos os presidentes de federações.
Todos os favores que fez.
O dinheiro que adiantou para organizar campeonatos.
Os muitos empréstimos.
Tudo está documentado na sede da CBF.
E chegou a hora de cobrar, fazer valer tudo o que tem nas mãos.
A ideia é confrontar de verdade os dirigentes.
Ver quem é quem.
E, de Miami, vem a notícia que ele convocou uma assembleia com os presidentes das federações.
Adivinhe em que dia?
No dia 29...
Ou seja: Quem está com ele irá à assembleia.
Quem tiver coragem de ficar contra se articulará na reunião marcada para o mesmo dia.
Os que lutavam pelo espólio começaram esse domingo de Carnaval assustados.
Não esperavam o contragolpe tão forte, claro, à luz do dia.
A convocação dessa assembleia é um golpe forte para quem apostava que Teixeira nem voltaria mais dos Estados Unidos.
Como foi colocado no início do texto: a rejeição popular não importa.
O que vale é o poder que ainda Teixeira tem nas mãos.
E ele será colocado à prova no último dia de fevereiro.
Alguém tem dúvida que nenhum presidente de federação faltará à assembleia?
Esse é o retrato de quem comanda o futebol brasileiro...
Que Ricardo Teixeira conhece tão bem por ser seu melhor representante...
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