Publicado em 02/02/2012 às 02h11
O inseguro Luxemburgo sabe que nada está decidido no Flamengo. A vitória contra o Potosí não é garantia de permanência. Para mandá-lo embora,como Ronaldinho quer, Patricia Amorim tem de bancar a multa de R$ 3,3 milhões…
A pergunta foi de Luxemburgo para o repórter Jorge Eduardo da rádio Globo/Rio.
Ele se referia à lamentável coletiva que deu após a vitória contra o Real Potosí.
O treinador fugiu de todas as perguntas.
Inseguro.
Disse que estava trabalhando já para a partida de sexta-feira contra o Olaria.
Ou seja: não estava demitido.
No mais, enrolou, não falou nada com nada.
E fez o que mais gosta.
Elogiar o próprio trabalho.
Disse que chegou para salvar o Flamengo da Segunda Divisão em 2010.
Salvou.
Depois ganhou o Carioca invicto e conseguiu a vaga para a Libertadores.
Ficou sete meses invicto.
Da eliminação da Copa do Brasil pelo Ceará de Vagner Mancini, ele não falou.
Nem pelos 4 a 0 que tomou da Universidad de Chile, no Engenhão, na eliminação da Copa Sul-Americana.
Muito menos dos dez jogos sem vencer no Brasileiro.
Destacar o lado favorável é típico dele.
Ficou claro que ele não vai pedir demissão.
Não quer perder o emprego e muito menos a multa de R$ 3,3 milhões.
Se o Flamengo quiser vê-lo longe terá de pagar.
Ele não está nem um pouco preocupado se Ronaldinho o quer ver longe da Gávea.
Assim como a maioria dos atletas.
O desgaste é evidente.
E percebido nos detalhes.
Todos sabiam que sua cabeça está a prêmio.
A ameaça de demissão é absoluta.
Mesmo assim, os jogadores titulares não fizeram questão de comemorar com ele os gols.
Léo Moura e, principalmente Ronaldinho Gaúcho, não quiseram lhe dar moral.
Uma mera corrida para o banco seria significativa.
Os experientes jogadores sabiam muito bem disso.
Por isso correram em sentindo inverso a Luxemburgo.
O Flamengo mostrou muita disposição e criou inúmeras chances no primeiro tempo.
Mas no segundo, a equipe cansou.
E Luxemburgo reforçou o sistema de marcação com medo dos bolivianos.
Houve muita tensão na vitória por 2 a 0.
A torcida ficou muito irritada porque o Real Potosí criou chances de empatar na etapa final.
O belo gol de Ronaldinho Gaúcho no final do segundo tempo aliviou o clima.
Mas o Flamengo outra vez foi um time muito irregular.
Outro detalhe que não pode ser desprezado foi a ausência dos dirigentes na coletiva de Luxemburgo.
Esta é a demonstração clássica de apoio incondicional.
Muito pelo contrário quando um dirigente não o acompanha.
Ele sabe que já se transformou em persona non grata na Gávea.
O motivo: expor Ronaldinho Gaúcho.
Deixar vazar que ele estava com mulher em Londrina.
Justo ele, a quem o Flamengo deve a maior parte dos salários dos últimos seis meses.
A Traffic não lhe pagou R$ 4,5 milhões.
E mesmo assim, ele foi o líder que o time precisava na vitória diante do Real Potosí.
De nada adiantaram os beijinhos, abraços.
A direção sabe que o jogador não suporta Luxemburgo.
Assim como grande parte da direção.
O vice Michel Levy telefonou e acertou até os salários de Joel Santana.
Ele tem a certeza que deixará o Bahia hoje e acertará sua ida ao Flamengo.
"Ninguém sabe o amanhã", disse Joel ontem ao ser questionado se estava se despedindo do Bahia.
Só que existem os R$ 3,3 milhões de multa.
Luxemburgo já mandou avisar Patricia Amorim que não abrirá mão.
A presidente está sem saber o que fazer.
Tem se aconselhado com os dirigentes que nomeou, mas juridicamente está amarrada.
A situação está confusa.
Nem mesmo a classificação na Pré-Libertadores mudou o quadro.
A insegurança de Luxemburgo é o maior sinal de que tudo pode mudar hoje.
A Gávea não está calma.
Muito pelo contrário.
O dia promete ser muito agitado.
Na prática, Luxemburgo conseguiu só algumas horas a mais como treinador do Flamengo.
A decisão sairá hoje.
(Isso se Patricia Amorim conseguir se controlar.
Após a vitória do Flamengo, ela colocava a culpa na imprensa pela crise que o clube vive.
"Vocês queriam me derrubar", dizia, incoerente.
Era a sua diretoria que deseja a saída de Luxemburgo.
Ela não quis dizer se ele continuará ou não.
Com certeza queria pensar.
Para tomar decisões importantes no Flamengo ela precisa ouvir muita gente...)
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