Publicado em 01/02/2012 às 19h56
O espírito de Port Said já está no Brasil há muito tempo. Os erros são os mesmos, o descaso das autoridades, as selvagens organizadas fazendo o que querem. Só estamos esperando o nosso massacre…
Outra vez será a mesma história.
O mundo chocado.
A Fifa prometendo mudanças.
E daqui seis meses, todos se esquecem.
A selvageria dos torcedores e incompetência das autoridades se juntam outra vez.
O resultado...
Dezenas de mortos.
Até agora, 73 pessoas perderam a vida.
São mais de mil feridos.
Por um jogo de futebol no Egito.
Tudo filmado ao vivo, filmado.
Em 2012, a barbárie.
A falta de visão, planejamento, autoridade foi responsável pelo massacre.
E as gangues batizadas de torcidas organizadas.
Na cidade egípcia de Port Said haveria um jogo importante.
O time da casa, o Al-Masry, enfrentaria o melhor time do Egito: o invicto Al-Ahly.
O clima era de guerra.
As declarações irresponsáveis de dirigentes, de jogadores do Al-Masry...
O clima de guerra contagiou os torcedores.
Principalmente os membros das organizadas.
Os do Al-Masry eram esmagadora maioria.
As agências internacionais informam que houve negligência.
Falta de policiais no estádio.
E os que estavam não se importavam.
Esqueceram-se das suas obrigações e, omissos, colaboraram com a barbárie.
A partida já havia sido paralisada na comemoração de um dos gols do Al-Masry.
Os torcedores alucinados comemoraram com fogos de artifício.
E muitos sinalizadores de fumaça.
O estádio ficou um caos.
Era um sinal do que viria pela frente.
Ao final do jogo, confirmada a vitória do time local por 3 a 1, o terror.
Os policiais permissivos, nada fizeram para evitar a invasão dos torcedores do Al Masry.
Irresponsáveis, não tinham idéia do que estavam fazendo.
Quando tentaram agir, foi tarde.
Ensandecidos com a facilidade para entrar no gramado, os torcedores organizados partiram para a agressão aos jogadores e comissão técnica do Al-Ahly.
Esmurravam, chutavam, queriam linchar os adversários.
Eles conseguiram correr, fugir.
E acabaram se escondendo em um quartel perto do estádio.
Porque se não fossem para o quartel, poderiam ser mortos.
Nas arquibancadas ficou tudo pior.
Incentivados com a displicência da polícia, os torcedores do Al-Masry, em covarde maioria, partiram para cima da torcida do Al-Ahly.
Foi onde aconteceram as mortes.
Pessoas tentavam fugir e morriam pisoteadas.
Ou asfixiadas, presas entre as organizadas da casa e os alambrados.
No meio disso tudo, os policiais em pequeno número e despreparados tentavam fazer alguma coisa.
E agrediam quem passava pela frente.
As cenas começam a chegar de todos os lados.
Foi uma selvageria, lamentável.
A contagem de mortos e feridos só aumenta.
Até porque pessoas foram mortas no gramado, agredidas de todas as formas.
Linchadas por estarem com a camisa do Al-Ahly.
Até nos corredores que levavam ao vestiário torcedores foram mortos.
As autoridades egípcias suspenderam o campeonato devido à barbárie em Port Said.
Sempre é a mesma situação.
Depois que acontece, o início das providências.
Mas está cada vez mais claro: as torcidas organizadas são as grandes inimigas do futebol.
O que aconteceu no Egito foi a prova do que elas são capazes quando ficam livres.
E ainda mais em grande vantagem numérica diante do adversário.
Só medidas extremas como aconteceram na Inglaterra para acabar com seu poderio.
Medidas que o Egito deve tomar depois do massacre de hoje.
Sempre assim.
Depois que muitas vidas foram perdidas de maneira estúpida, as providências são tomadas.
O Brasil vai organizar a Copa do Mundo de 2014.
A maior comemoração da Fifa foi o acordo pela liberalização da cerveja.
Em troca permitirá um certo número de meias-entradas.
Ricardo Teixeira, o ministro Aldo Rebelo, Ronaldo, Dilma Rousseff comemoram.
Mas até hoje não há plano algum traçado em relação à segurança dos torcedores.
Só se pensa nos R$ 70 bilhões que o Brasil gastará com a Copa.
Uma notícia que poucas pessoas prestaram atenção.
E é chocante.
O secretário extraordinário de Segurança para Grandes Eventos, José Ricardo Botelho, pediu demissão do cargo.
No dia 24 de janeiro.
A secretaria, vinculada ao Ministério da Justiça, foi criada no ano passado.
Sua função: coordenar e planejar as ações de segurança dos grandes eventos que o Brasil vai sediar nos próximos anos.
Botelho era responsável pelo planejamento da Copa e da Olimpíada de 2016.
Ele alegou 'motivos pessoais'.
Mas na verdade, ele pediu demissão porque não havia vontade política...
Investimento de verdade do governo federal para o plano de segurança.
Lógico...
Esse serviço não aparece.
O que importa é jogar dinheiro no ralo com arenas modernas e dispensáveis.
Plano de segurança não rende inauguração, foto em jornais.
Talvez o que tenha acontecido hoje no Egito faça a nossa presidente acordar.
Talvez.
Se não houver um planejamento sério para a Copa...
O controle absoluto das torcidas organizadas...
Quem vai para estádio no Brasil sabe que o quanto estamos perto de Port Said...
Antes de criticar os Estados Unidos por Guantánamo...
Pense no que acontece no seu país, presidente...
Descubra que o espírito de Port Said já chegou por aqui...
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