Publicado em 23/01/2012 às 13h51
D’Alessandro e Montillo só ficam no Inter e no Cruzeiro se ganharem um grande e inesperado aumento. As diretorias se desdobram para tentar pagar…
Dois grandes motivos para o futebol brasileiro admirar o argentino.
Mais tradicionais, os treinadores de base do país rival desprezam o 3-5-2.
E insistem na importância dos meias e não os volantes como acontece no futebol brasileiro.
Por isso os camisas 10 de verdade continuam nascendo por lá e rareando por aqui.
Os dois são ídolos absolutos do Inter e do Cruzeiro.
Mas vivem situações idênticas.
Os dois têm propostas financeiras compensadoras para abandonar seus times.
O Shanghai Shenhua oferece nada menos do que dez milhões de euros a D'Alessandro.
Basta que cumpra dois anos de contrato.
São cerca de R$ 23 milhões por 24 meses.
Mais de R$ 900 mil a cada 30 dias.
Ele recebe R$ 350 mil.
Ao time gaúcho, os chineses oferecem apenas sete milhões de euros.
Cerca de R$ 16 milhões.
Por esse dinheiro, a direção do Inter não negocia o jogador fundamental para a Libertadores.
Aliás, os dirigentes não querem vendê-lo de jeito algum.
Dorival Júnior o coloca como jogador fundamental ao time na competição mais importante do ano.
E desde que surgiu a proposta, no começo da semana passada, D'Alessandro está sendo bombardeado.
Foram inúmeras reuniões com os dirigentes.
E conversas com Dorival Júnior.
Todos estão tentando convencê-lo a ficar.
E virar as costas para o dinheiro chinês.
Os torcedores colorados fazem campanha, imploram.
O argentino vai completar 31 anos em abril.
Está no Inter desde 2008.
Tem a chance de ganhar três vezes mais no Oriente.
Mas o clube gaúcho sonha em vencer a Libertadores e o Mundial de Clubes outra vez.
E não há outra saída.
Por mais que disfarcem, os gaúchos só manterão o atleta satisfeito se ele ganhar um bom aumento.
A direção tentou fugir, mas não há outra tentativa de solução.
O medo é de um efeito avalanche.
Mas não há outro jeito.
O meia dá sinais que está disposto a aceitar ficar.
E até jogar na quarta-feira contra o Once Caldas na pré-Libertadores.
Mas quer entrar em campo com tudo acertado.
Os dirigentes estão trabalhando para dar esse aumento e seguir com o planejamento.
Dorival Júnior se mostra esperançoso, mas não iludido.
Sabe que de uma hora para outra, os chineses podem voltar.
Por isso conversa, elogia.
Coloca D'Alessandro no céu.
A estratégia não é garantia de nada.
Mas no Brasil só há um outro clube tão empenhado para manter seu camisa 10.
E está em Belo Horizonte.
Montillo já demonstrou ontem que sabe separar as coisas.
Ele continua insatisfeito com o que poderia ganhar no Corinthias
Dois milhões de euros como luvas (R$ 4,5 milhões) e mais R$ 500 mil mensais.
É uma proposta digna de clube europeu.
Ou chinês, como está na moda.
Mas a direção do Cruzeiro não quis.
Iria receber apenas R$ 19 milhões.
Queria R$ 34 milhões.
E a transação foi abortada.
A direção corintiana disse que desistiu, mas sonha com um telefonema de dirigentes cruzeirenses.
Esperam que eles reavaliem.
Montillo sabe que vai disputar o esvaziado Campeonato Minero e a Copa do Brasil.
Por um time limitado, sob o comando de um treinador ainda mais fraco.
A derrota contra o América Mineiro ontem mostra o que o espera.
A equipe paulista foi campeã brasileira e vai disputar a Libertadores.
A valorização e a exposição seriam muito maiores.
Mas a direção cruzeirense disse não.
Vagner Mancini e os torcedores imploraram que ficasse em Belo Horizonte.
Ele diz que fica, mas quer imediatamente um aumento.
"Se o Corinthians me valorizou, o Cruzeiro também precisa valorizar", disse.
Ele recebe R$ 150 mil em Belo Horizonte.
Quer ganhar pelo menos o dobro.
A direção cruzeirense sabe que o clube não nada em dinheiro.
Mas não vê outra solução.
Terá sim de aumentar o que ele recebe.
Pouco importa que tenha assinado até 2015.
Internacional e Cruzeiro sabem o que têm nas mãos.
São dois dos mais talentosos jogadores no País.
O assédio é poderoso.
Mas se querem manter seus camisas 10 argentinos não há outra solução.
Precisam dar dois belos aumentos.
Mesmo assim torcer para que eles não tenham uma recaída.
E queiram sair de qualquer maneira...
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