Publicado em 16/01/2012 às 18h14
“Se o UFC quiser e valorizar, o Júnior sobe de categoria e unifica os cinturões.” “É verdade, estão fazendo um filme sobre a minha vida como técnico de MMA.” Exclusiva com Dedé Pederneiras, o melhor treinador de MMA do mundo…
A primeira: José Aldo pode deixar sim, a categoria pena...
E enfrentar Frank Edgar pelo cinturão dos leves.
A segunda: está sendo feito um filme sobre a vida do melhor treinador de MMA do mundo.
Dedé Pederneiras...
Em entrevista exclusiva ao blog, ele antecipa as duas situações.
Depois da vitória fácil de José Aldo diante de Chad Mendes, não há o que fazer mais entre os penas.
Por que não subir logo de categoria e deixar o José Aldo lutar entre os leves?
Ninguém sabe como foi difícil conseguir essa hegemonia do José Aldo.
Sofremos muito até atingir esse status.
Não foi da noite para o dia.
Foram anos de preparação.
O Junior conseguiu vencer os grandes competidores da sua categoria.
Mas não vai largar assim tudo de mão beijada.
Longe disso.
Ele é o campeão dos penas e tem o reconhecimento da direção do UFC.
Mas vejo a chance sim dele subir de categoria.
Qual é essa chance, Dedé?
Ele precisa ter uma oferta realmente alta para mudar de categoria.
Algo que valha a pena.
Além do dinheiro, o Júnior só sobe se for direto para uma decisão de cinturão.
Com o Frank Edgar ou com quem for o campeão.
Esta decisão já está tomada por nós.
Não fará nenhuma luta como leve sem valer o título.
Se o UFC o quer na categoria de cima, basta recompensá-lo.
E colocá-lo na decisão do cinturão dos leves.
É simples.
Ou então, continuará satisfeito entre os penas.
Com o cinturão e esperando pelos desafiantes.
Fez por merecer isso.
Assim colocamos um ponto final nesta história.
O José Aldo sofre para perder peso para lutar entre os penas?
Sofre.
Mas como muitos outros lutadores.
Assim é o MMA.
Seu sofrimento não é nada de outro mundo.
Tanto que a sua agilidade, explosão e força nunca são prejudicados.
O que ele fez com o Chad, por exemplo, não deixa dúvida de quanto ele se sente à vontade.
Subir de categoria não é seria uma dificuldade.
Mas isso tem de partir do UFC.
Lembrando sempre que ele é o campeão dos penas.
Está há seis anos invicto.
E é um dos melhores entre todas as categorias.
Não podemos nunca esquecer do talento e de tudo o que o Júnior conquistou.
Lembrar das dificuldades que enfrentou na vida.
Não tinha nada quando saiu de Manaus e chegou ao Rio.
Morava na favela.
E muitas e muitas vezes dormia na minha academia por ter mais conforto.
O Júnior é um vencedor, serve de exemplo para muita gente.
E agora que chegou tão longe, merece esse reconhecimento em todos os aspectos.
Até na valorização financeira.
Nada mais justo.
E nós estamos muito satisfeitos porque o UFC tem reconhecido esse esforço.
Esse talento.
O que você sentiu quando viu que ele comemorou sua vitória com a torcida?
Eu sabia que ele iria aprontar uma cagada.
Só não tinha idéia qual seria.
O Júnior estava feliz demais com este UFC no Brasil.
Foi a primeira vez que ele fez a luta principal.
Estava entusiasmado.
Quando pressenti o que ele iria fazer, invadi o octógono para tentar segurá-lo.
Mas ele me driblou, como driblou todos os seguranças e foi para a galera.
Foi um momento histórico, lindo.
Mas sei o esporro que vamos tomar da direção do UFC.
Ele se expôs muito.
Entendo sua alegria, mas não há porque se expor tanto.
Como vocês se prepararam para a luta?
Sabíamos do talento do Chad.
A luta era muito difícil, perigosa.
Não estava invicto por acaso.
Ele iria tentar colocar o Júnior para baixo.
Só que ele não esperava que ele estivesse tão preparado para reagir.
Treinamos muito essa movimentação.
A joelhada na saída, de encontro.
O Júnior é muito talentoso e preciso.
Deu tudo certo.
Ele realmente é um talento raro no MMA.
Como vocês trabalharão daqui por diante?
Preparando para lutas entre os leves ou ainda entre os penas?
Entre os penas.
Mas esperando apenas o UFC se manifestar.
Desde que eles queiram fazer uma luta para unificar os cinturões, não haverá problemas.
Hoje eu não colocaria mais dificuldade.
Poderia ser até a próxima.
Desde que o Júnior fosse recompensado à altura do grande lutador que é...
E todos reconhecem isso.
Mas vamos tocar a nossa vida como entre os leves, categoria em que ele é campeão.
Agora, vamos falar sobre você?
Está sendo feito um filme sobre sua vida?
Sim, é verdade.
Já filmamos na Inglaterra, nos Estados Unidos.
A diretora é a Roberta Salaome.
A intenção é mostrar a preparação dos meus atletas na Nova União.
O Júnior, o Renan Barão.
Mostrar para as pessoas como é a minha vida como treinador de MMA.
Será um documentário que vai revelar todo o sacrifício, a rotina e os desafios do MMA.
Estou empolgado.
A Roberta está acertando com alguns patrocinadores.
As filmagens estão emocionantes.
Você se acha o melhor treinador de MMA do mundo, como muita gente acredita?
Nunca falaria isso de mim.
Sou um trabalhador que gosta realmente do que faz.
E se dedica de corpo e alma.
Quero que meus lutadores sejam os melhores do mundo.
Não eu...
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