O incrível controle que o Barcelona impõe sobre o melhor time do mundo. É fácil entender por que Messi é tão diferente de Ronaldinho Gaúcho…

reproducao1 O incrível controle que o Barcelona impõe sobre o melhor time do mundo. É fácil entender por que Messi é tão diferente de Ronaldinho Gaúcho...
O Barcelona é um segredo para a própria imprensa da Espanha.

Conseguir informações verdadeiras do melhor time do mundo é uma façanha.

O caso Neymar é simbólico.

"A prioridade do clube não é atender a imprensa.

São cerca de 200 pedidos de entrevistas do mundo inteiro por mês.

Se fôssemos atender a todos, não faríamos outra coisa na vida.

O interesse do Barcelona é ganhar seus jogos.

Quando for bom para o clube, o atleta fala.

Quem determina isso é o Barcelona, não a imprensa.

Cada um publique o que quiser."

O resumo é de Chemi Teres Olivella.

O chefe de imprensa internacional do Barça deu uma entrevista exclusiva ao blog.

E mostrou as peculiaridades da relação do melhor elenco do mundo com os jornalistas.

Como é o acesso dos jornalistas aos jogadores do Barcelona no dia a dia?

Vou ser bem sincero.

Não há acesso no dia a dia.

Fazemos o nosso treinamento e os primeiros 15 minutos são liberados para imagem.

E só.

Muitas vezes, quando o técnico acha necessário, nem isso.

Quem vai jogar ou o esquema tático são importantes para o time, para o clube.

Não para a imprensa.

Nas vésperas do jogo, o treinador ou o seu auxiliar dão coletivas.

Também quando acreditam ser importante.

Mas podem também não falar.

O critério é da Comissão Técnica.

Depois da partida, o treinador e mais um ou dois jogadores falam em coletivas.

Há um rodízio entre todos os atletas.

Também não é uma obrigação que eles falem.

Temos o Barça TV que é do nosso clube.

Lá disponibilizamos imagens dos treinos e algumas entrevistas para o mundo todo.

Lógico que só colocamos o que interessa ao Barcelona.

Não vamos usar a hipocrisia.

Controlamos como podemos a imagem do nosso clube.

A Comissão Técnica e os jogadores sabem bem como devem se comportar.

E a imprensa trabalhe como achar melhor.

Os jogadores são livres para dar entrevistas?

O fundamental é que todos são orientados e sabem que representam o Barcelona.

Têm a responsabilidade de seguir normas.

Mesmo sendo de vários países diferentes.

As normas são as mesmas para todos.

Há regras claras.

O atleta que não participa da partida não fala de jeito nenhum.

O que fica por exemplo todo o tempo no banco.

O que ele poderia dizer que não fosse para complicar o time?

É proibido mesmo.

O atleta fala de acordo primeiro com o interesse do Barcelona.

Se o clube quer atingir determinado nicho, determinado país, informar seus torcedores sobre um fato.

Por exemplo, o Oriente Médio, o Japão, a China.

Quando nos interessa, o atleta fala e ponto final.

Só depois vem o interesse do atleta.

Se ele deseja falar a um veículo, a um jornalista, à imprensa do seu país.

Mas nada acontece de forma aleatória.

O clube acompanha tudo.

Confia na responsabilidade do atleta.

E não há dúvida que há uma séria cobrança sobre isso.

As entrevistas não podem atrapalhar, comprometer o clube como um todo.

E o elenco sabe disso.

O Barcelona é um clube que grandes interesses que vão além do futebol.

Representamos politicamente e socialmente uma região importantíssima, a Catalunha.

E com isso, ninguém pode brincar.

O Barcelona é mesmo muito mais do que um clube.

Você diz que há um rodízio entre os atletas.

Jornalistas espanhóis garantem que em 2011, Messi falou apenas uma vez.

O Messi é o melhor jogador do mundo.

Não sou eu quem vai dizer a você o que ele representa ao Barcelona.

Ele tem toda a liberdade da diretoria para se resguardar.

Todos sabem o peso de suas palavras.

Nós da imprensa do Barcelona, seguimos o que nos é determinado.

É natural que o Messi seja mais preservado.

Vou revelar um dado.

São cerca de 200 pedidos de entrevistas por mês.

Não há como atender a todos.

O interesse do Barcelona é ganhar seus jogos.

Quando for bom para o clube, o atleta fala.

Quem determina isso é o Barcelona, não a imprensa.

Não há inveja do grupo em relação ao Messi?

Não por dois motivos.

O primeiro por todos reconhecerem o jogador que ele é.

O que significa.

A sua importância como melhor do mundo.

É lucrativo em todos os sentidos ser companheiro dele.

E a outra razão é a sua personalidade.

Dentro do grupo ele faz questão de ser apenas mais um.

É amigo de todos, tem excelente relacionamento com os titulares, reservas.

Lionel é uma pessoa diferenciada.

Há muitos ídolos que são estrelas e se comportam como estrelas até com o próprio time.

Messi, não.

Por isso não há inveja.

Pelo contrário, todos o querem muito bem.

É fácil perceber isso durante os jogos.

Seja comemorando um gol ou sofrendo uma falta.

Como é o comportamento do técnico Guardiola?

Simples.

Ele não dá entrevista exclusiva.

A ninguém.

Disse que seria mais justo assim.

E é o que tem feito.

Nos disse que pode passar duas horas em coletivas.

Mas não dará privilégio a nenhum órgão de comunicação com exclusivas.

É assim e respeitamos sua vontade.

Nem levamos em consideração pedidos de exclusivas para o Guardiola.

Como é que o Barcelona trabalha o assédio da imprensa à sua divisão de base.

Há jovens selecionados pelo mundo todo entre os juniores, os juvenis...

A situação para a imprensa é simples.

Não há acesso aos jogadores de base.

De jeito nenhum.

No máximo, o jornalista consegue falar com o coordenador.

Com os jovens jogadores, nunca.

Eles são proibidos de dar entrevista por contrato.

Só quando são profissionalizados.

Nós os estamos protegendo.

Não damos espaço para que nada perturbe a formação dos nossos atletas.

Como é vocês lidam com o desejo de independência da Catalunha da Espanha?

Nós somos o Barcelona.

Como eu já disse, sabemos o que representamos politicamente.

Damos entrevista em catalão, espanhol, inglês.

Respeitamos demais a luta da Catalunha.

Por isso que eu falo que o Barcelona é mais do que um clube.

Não deixamos que a política seja mais importante do que o futebol.

Mas nunca esquecemos da nossa importância política.

Da vontade da nossa gente.

Quando o Barça entra em campo é muito mais do que um mero jogo de futebol.

A situação política já foi muito mais tensa no passado.

Mas não nos esquecemos do clube e do nosso povo que deseja uma vida independente.

Há jogo de interesse nos jornais de Madrid, defendendo o Real?

E os da Catalunha defendendo o Barcelona?

Sou jornalista também, meu caro.

Há um grande interesse comercial dos dois lados.

Os jornais querem vender.

E colocam na capa o que motiva o seu leitor a gastar seu dinheiro para ler a notícia que o interessa.

A competição está cada vez mais forte por causa da Internet.

Então, em Madrid como na Catalunha, há essa preocupação comercial nos jornais.

E é evidente que cada um defende o seu lado.

Não há porque ficar espantado com isso.

As coisas são assim há décadas.

Com esse difícil acesso aos jogadores do Barcelona não há um efeito colateral?

Não há muitas notícias que não são verdadeiras.

Por exemplo: em relação ao Neymar muita coisa foi publicada que não se concretizou.

Principalmente a sua compra pelo Barcelona...

Nós temos uma postura transparente em relação à imprensa.

O Barcelona não diz nem sim e nem não quando uma negociação está acontecendo.

Só nos manifestamos quando a situação está concluída.

Com o jogador já tendo assinado seu contrato.

Não vamos perder tempo negando nada.

Isso só complica as coisas para o clube.

O jornalista que apure a melhor notícia para o seu leitor.

Sobre o Neymar, o Barcelona nunca se manifestou oficialmente.

Nunca, além de dizer o óbvio, que é um ótimo jogador.

Se negociou, se negocia ou se vai negociar é algo que interessa só ao Barcelona.

Caso o contrate, todos vão ficar sabendo.

Se houver negociação e não o contratarmos, não saberão por nós.

Há uma cartilha de comportamento para os jogadores?

Por que é incomum escândalos envolvendo atletas do Barcelona.

Há apenas o bom senso e a certeza que estão representando em todas as situações o Barcelona.

Isso nunca pode ficar esquecido.

Lógico que todos são humanos, sujeitos a erros, exageros.

Mas ninguém nunca vai poder dizer que errou por não estar orientado.

Há uma maneira de se comportar que se adequa aos jogadores do Barça.

Foi por isso que o Ronaldinho Gaúcho deixou o clube?

Por suas noitadas?

Ah, o Ronaldinho...

Ronaldinho...

Deixe para lá...

Eram outros tempos...

O que passou, passou.

Vale lembrar as coisas boas.

Ele foi muito importante na história do nosso clube.

Foi o melhor do mundo com as nossas cores.

Nós reconhecemos isso.

Saiu quando tinha de sair...

Que ele seja bem feliz no Flamengo...