Publicado em 03/01/2012 às 06h10
Toda a decepção de Falcão com o Santos, incapaz de bancar o melhor time do Brasil. E o fim do futebol feminino. Que maneira absurda de começar o seu centenário…

"Vou para Orlândia porque o projeto é sério.
A cidade respira futebol de salão.
Lamento muito o que aconteceu no Santos.
Mas entendo.
A vida segue."
Arrasado, o melhor jogador de futebol de salão, Falcão, mostrou toda a sua frustração.
E deixou claro que o Santos começou de forma decepcionante o seu centenário.
Depois de dez anos, o clube resolveu montar novamente uma equipe de futsal.
Megalomaníaca, a diretoria quis logo ter o melhor time do País.
E não hesitou em contratar Falcão e jogadores de Seleção Brasileira.
Comandados pelo competente Fernando Ferreti.
Custo do projeto: R$ 5 milhões.
A Cortiana seria a patrocinadora.
Muita festa, pompa, circunstância e, principalmente, pose.
Luís Álvaro posava com Neymar, Pelé, Falcão, Marta.
"Aqui no Santos, só os melhores do mundo", provocava.
Só que no meio do ano, a cúpula da Cortiana desistiu do time de futebol de salão.
A visibilidade não valia a pena.
A partir do meio do ano, o Santos bancou sozinho o time.
Só que os boatos cresciam que não valia a pena.
A tevê aberta não se interessa pela modalidade.
E tudo o que Luís Álvaro queria era publicidade e não um projeto profundo.
Times de futebol profissional costumam ser assim.
Quando o Santos venceu a Liga Nacional, com ampla cobertura da mídia, foi só festa.
Neymar e Ganso festejando.
A conquista veio de forma sofrida, nos pênaltis contra o Carlos Barbosa.
Mas na emotiva volta olímpica de Falcão algo estava errado.
Era nítido que a raiva se misturava com a alegria.
Ele sabia que não havia patrocinadores.
E muito menos a vontade do Santos em continuar bancando a equipe campeã.
"O projeto era ótimo, mas não houve a visibilidade que os dirigentes esperavam.
Eu respeito a posição do Santos", afirma, decepcionado, Falcão.
A decepção fica por conta da certeza que a direção santista não sabia o que fazia.
Futebol de salão no Brasil é sinônimo de canal fechado.
E os patrocinadores não são citados nos canais a cabo.
Há uma norma da TV Globo e ponto final.
O vôlei e o basquete sofrem com isso há décadas.
Esperneiam, mas não têm para onde fugir.
Mesmo que o time tenha o nome do patrocinador será trocado pela cidade em que está sediado.
Por isso o Santos não arrumou novas empresas dispostas a bancar R$ 5 milhões pelo brilhante time.
Só que essa situação não deveria ser novidade para uma diretoria 'moderna', 'revolucionária', como prega Luís Álvaro.
O fim da equipe campeã brasileira de futebol de salão foi deprimente.
Ainda mais no início do tão badalado centenário do clube.
Traumatizado, o melhor jogador do mundo não cedeu para o Internacional, Corinthians ou Flamengo.
Quis se afastar dos dirigentes de futebol e suas promessas vazias.
A decepção no Santos foi forte demais.
Por isso assinou com o Intelli de Orlândia, bicampeão paulista.
Lá há a certeza de um projeto longo.
Com todo auxílio da prefeitura.
Assim como era nos anos em que defendeu o Jaraguá, em Santa Catarina.
Depois do vexame que fez com seu time de futebol de salão, o Santos implodiu seu time feminino.
Pelo mesmo motivo, falta de patrocínios fortes e visibilidade.
Algo mais do que esperado.
O que prova o óbvio.
Pura empolgação não leva a nada.
Ou melhor, só ao vexame, à desilusão.
Luís Álvaro deveria ser melhor assessorado antes de fazer suas promessas.
E principalmente, posar para as fotos.
O melhor jogador de futebol de salão do mundo...
E a melhor jogadora de futebol do planeta...
São ótimas testemunhas dos desatinos santistas...
(E o que é ruim, pode sempre ficar pior.
O Santos acaba de confirmar.
Acabou também com o futebol feminino.
O motivo?
Falta de patrocínios também.
Pouco importa o acordo que tinha com Marta, a melhor jogadora do mundo.
E assim, a vida segue na Vila Belmiro.)
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