Publicado em 02/12/2011 às 16h24
Adenor Leonardo não consegue conter a tensão. Não sabe se merece ser campeão do Brasil com o Corinthians…
Em 21 anos de carreira, Tite ganhou dois títulos relevantes.
A Copa do Brasil com o Grêmio há dez anos.
E a Sul-Americana há três, com o Internacional.
Seu currículo é pobre...
Ele sabe.
E por isso precisa tanto do Campeonato Brasileiro.
Se não fosse pela postura firme, ou teimosa, dependendo do ângulo...
Ele não deveria estar no Corinthians há muito tempo.
No seu retorno dos Emirados Árabes, o time perdeu o Brasileiro de 2010.
Depois veio enorme vexame da Pré-Libertadores e eliminação para o Tolima.
Resultado que acelerou a despedida de Ronaldo.
Foi vice no Paulista.
A demissão não aconteceu porque Andrés Sanchez deu sua palavra ao tirá-lo do Al-Wahda.
"Você será o meu técnico até o meu último dia como presidente."
Desde então, Tite tenta de todas as maneiras retribuir.
Ele encontrou um elenco ofensivo e uma torcida ansiosa por conquistas.
O sonhado centenário acabou sendo um fiasco.
Sem qualquer conquista.
Apaixonado pelos contragolpes, Tite se deixou levar em 2011.
Os jogadores corintianos imploram para atacar.
Não sabem, não querem e não gostam de ficar atrás esperando que o adversário erre.
Como a estratégia que o consagrou não estava dando certo.
Tite liberou sua equipe.
E o que se viu foi o Corinthians rápido, efetivo, fulminante.
Os pontos acumulados nos dez primeiros jogos são responsáveis pela confiança que fez o time liderar o Brasileiro tanto tempo.
E por tantas rodadas.
O time entra para a última rodada do Brasileiro precisando apenas de um empate contra o Palmeiras.
Situação mais do que privilegiada neste estranho Campeonato Nacional.
Onde não há uma equipe que seja bem melhor do que aos outras concorrentes.
Nem mesmo apenas melhor.
O Corinthians foi apenas um pouco mais regular.
Mas o que vale mesmo é reparar em Adenor Leonardo.
Nestes últimos dias ele está agoniado.
Depois da sensação de ser campeão do Brasil por alguns minutos em Florianópolis, ele mudou.
Está ansioso, tenso.
Quer de novo a 'bala Juquinha', como filosoficamente definiu ser campeão do Brasil.
Nas várias entrevistas especiais que deu durante a semana, foi contraditório.
Chorou, riu, prometeu, se irritou.
Quem o conhece sabe que está uma pilha de nervos.
Tem pela frente o agora desafeto Luís Felipe 'Fala Muiiito' Scolari.
E o time que o colocou para fora pela porta do fundo, o Palmeiras.
Ser campeão em cima de Felipão e do time da Mancha Verde e do Palaia seria sensacional.
É o que Adenor Leonardo quer, mas não fala.
Além disso, ele completou 50 anos em 2011.
É uma idade marcante na vida de qualquer homem.
A que obriga um balanço na vida, na carreira.
A família que construiu realmente é exemplar.
Sua esposa lhe dá a base para ser o homem de bem que é.
Mas a carreira de treinador precisa de uma definição.
Ele não é um treinador que os grandes clubes do País se matem para contratar.
Também não pode ser considerado emergente.
Está dando cabeçadas por aí há 20 anos.
Com 30 estava comandando o Guarany de Garibaldi.
Tem a vitória, o empate e Flamengo a seu favor.
Fora o Pacaembu empilhado de corintianos.
O cenário para a consagração está montado.
Colocar o time no ataque para massacrar o Palmeiras e mostrar que é o legítimo campeão?
Ou jogar com o regulamento, travar o jogo e comemorar o 0 a 0?
Um treinador campeão do Brasil entra para a história.
Todos que venceram já entraram.
No domingo às 19h10, Adenor Leonardo mostrará se mereceu ou não entrar neste seleto clube.
Pelas suas reações na véspera do jogo, nem ele sabe...
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