Os palavrões de Escadinha fizeram cair o mito Bernardinho no futebol. Decepção para os dirigentes, alívio para os técnicos e incentivo aos jogadores humilhados…

reproducao9381 Os palavrões de Escadinha fizeram cair o mito Bernardinho no futebol. Decepção para os dirigentes, alívio para os técnicos e incentivo aos jogadores humilhados...
Era o final de novembro.

O Brasileiro mais equilibrado de todos os tempos estava perto do fim.

Enquanto isso, o vôlei masculino suava sangue para conseguir vaga nas Olimpíadas.

A competição era a Copa do Mundo no Japão.

O time sofria diante da Argentina.

Quando Bernardinho pediu tempo e resolveu cobrar a equipe da sua maneira tradicional.

Xingou a tudo e a todos.

Como de costume, por sinal.

Murilo se doeu e resolveu enfrentá-lo.

As ofensas ficaram maiores.

Foi quando Escadinha resolveu 'comprar a briga'.

E diante das câmeras encarou o treinador.

De forma firme, dura.

Chegou bem perto e o xingou até mais.

Bernardinho visivelmente assustado colocou as mãos para trás.

Até tentava argumentar, xingar.

Mas foi soterrado pelas ofensas do líbero.

O grand finale foi com as câmeras no seu rosto...

O jogador fala um desmoralizante palavrão ao técnico.

Constrangido, Bernardino se afastou e a partida recomeçou.

E mostrou que os anos desgastam qualquer relacionamento.

Qualquer...

O que tem isso a ver com o futebol?

Tudo.

Porque os treinadores e dirigentes de clubes e até da seleção perderam sua referência.

Bernardinho era exemplo de como o técnico tem de se impor diante das suas equipes.

Não dar espaço para jogador.

Muito menos aceitar atos de indisciplina.

Várias e várias vezes Ricardo Teixeira esteve tentado a aproximá-lo da seleção brasileira.

Não como treinador, mas como um consultor fixo.

Alguém para trabalhar com o técnico.

Teixeira mandou vários recados, mas Bernardinho se fez de desentendido.

Só que nos grandes clubes do país, ele continuou sendo uma espécie de guru.

Ele e Phil Jackson, ex-treinador do Chicago Bulls, no seu melhor momento.

Ser desmoralizado por seu jogador diante das câmeras escapou de muita gente.

Principalmente nos clubes de São Paulo.

Só que veio o fim do ano e o perdão público de Bernardinho a Escadinha.

E mostrou a situação para quem não conhecia.

E a decepção foi enorme.

É o risco de treinadores que escolhem os palavrões para se expressar.

Os resultados de Bernardinho continuam brilhantes.

O Brasil chega a mais uma Olimpíada.

Mas só que ele deixou de ser um exemplo para o futebol.

A aura de comandante foi arranhada profundamente.

Até Luiz Felipe Scolari gostava de ser comparado a ele.

Dirigentes que acompanhavam admirados a carreira de Bernadinho estão decepcionados.

Ele era considerado um ser inatingível.

Vencedor, disciplinador inclemente.

Treinadores estão aliviados.

Porque ele não é exceção e tolera também indisciplina.

Os jogadores perceberam que não precisam aceitar serem xingados por ninguém.

Muito menos humilhados.

E podem dar o troco.

Como no São Paulo de Leão, por exemplo...

Os livros de Bernardinho não terão o mesmo efeito nas concentrações...