Publicado em 28/12/2011 às 06h58
Os palavrões de Escadinha fizeram cair o mito Bernardinho no futebol. Decepção para os dirigentes, alívio para os técnicos e incentivo aos jogadores humilhados…
O Brasileiro mais equilibrado de todos os tempos estava perto do fim.
Enquanto isso, o vôlei masculino suava sangue para conseguir vaga nas Olimpíadas.
A competição era a Copa do Mundo no Japão.
O time sofria diante da Argentina.
Quando Bernardinho pediu tempo e resolveu cobrar a equipe da sua maneira tradicional.
Xingou a tudo e a todos.
Como de costume, por sinal.
Murilo se doeu e resolveu enfrentá-lo.
As ofensas ficaram maiores.
Foi quando Escadinha resolveu 'comprar a briga'.
E diante das câmeras encarou o treinador.
De forma firme, dura.
Chegou bem perto e o xingou até mais.
Bernardinho visivelmente assustado colocou as mãos para trás.
Até tentava argumentar, xingar.
Mas foi soterrado pelas ofensas do líbero.
O grand finale foi com as câmeras no seu rosto...
O jogador fala um desmoralizante palavrão ao técnico.
Constrangido, Bernardino se afastou e a partida recomeçou.
E mostrou que os anos desgastam qualquer relacionamento.
Qualquer...
O que tem isso a ver com o futebol?
Tudo.
Porque os treinadores e dirigentes de clubes e até da seleção perderam sua referência.
Bernardinho era exemplo de como o técnico tem de se impor diante das suas equipes.
Não dar espaço para jogador.
Muito menos aceitar atos de indisciplina.
Várias e várias vezes Ricardo Teixeira esteve tentado a aproximá-lo da seleção brasileira.
Não como treinador, mas como um consultor fixo.
Alguém para trabalhar com o técnico.
Teixeira mandou vários recados, mas Bernardinho se fez de desentendido.
Só que nos grandes clubes do país, ele continuou sendo uma espécie de guru.
Ele e Phil Jackson, ex-treinador do Chicago Bulls, no seu melhor momento.
Ser desmoralizado por seu jogador diante das câmeras escapou de muita gente.
Principalmente nos clubes de São Paulo.
Só que veio o fim do ano e o perdão público de Bernardinho a Escadinha.
E mostrou a situação para quem não conhecia.
E a decepção foi enorme.
É o risco de treinadores que escolhem os palavrões para se expressar.
Os resultados de Bernardinho continuam brilhantes.
O Brasil chega a mais uma Olimpíada.
Mas só que ele deixou de ser um exemplo para o futebol.
A aura de comandante foi arranhada profundamente.
Até Luiz Felipe Scolari gostava de ser comparado a ele.
Dirigentes que acompanhavam admirados a carreira de Bernadinho estão decepcionados.
Ele era considerado um ser inatingível.
Vencedor, disciplinador inclemente.
Treinadores estão aliviados.
Porque ele não é exceção e tolera também indisciplina.
Os jogadores perceberam que não precisam aceitar serem xingados por ninguém.
Muito menos humilhados.
E podem dar o troco.
Como no São Paulo de Leão, por exemplo...
Os livros de Bernardinho não terão o mesmo efeito nas concentrações...
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