Jobson. Uma aula de como tentar jogar a carreira fora. Atlético e Botafogo se cansaram dele. Oferecido ao Palmeiras, Felipão avalia…

divulgacao44 Jobson. Uma aula de como tentar jogar a carreira fora. Atlético e Botafogo se cansaram dele. Oferecido ao Palmeiras, Felipão avalia...
Poucos jogadores de futebol, no final de suas carreiras, podem olhar para trás e pensar:

"A vida me deu várias chances".

Este não será nunca o caso de Jobson.

Atacante rápido, ousado, atrevido.

Surgiu como grande esperança no Brasiliense.

O ex-senador Luís Estevão, dono do clube, viu nele a possibilidade de fazer muito dinheiro.

Mas logo Jobson se mostrou muito atraído pelas tentações da vida.

Mulheres, bebidas, noitadas, punições e fugas para o Pará, onde nasceu e tem família.

Logo as situações ficaram repetitivas, rotineiras.

Luís Estevão se cansou, mas não queria perder dinheiro.

Tratou de emprestá-lo para o mais longe que conseguiu.

E lá foi Jobson jogar na Coréia do Sul, no Jeju United.

Não se acostumou à rigidez oriental.

E muito menos os coreanos se adaptaram ao brasileiro e seus atrasos.

Trataram de devolvê-lo.

Foi quando o Botafogo acabou o levando.

Rio de Janeiro...

Time grande, torcida, dinheiro no bolso.

Noitadas...

Se Jobson logo chamou a atenção de todos no Botafogo: pelos gols e pelas baladas e baladas.

Os jogadores faziam rodízio para sair com ele.

Ninguém suportava o seu ritmo forte.

Os atrasos já começavam a incomodar, quando ele foi pego no antidoping.

A substância apontada foi cocaína.

Um dia, ele disse que a consumiu pura.

No outro, ela chegou ao seu organismo graças ao crack.

Não importa.

Estava negociado com o Cruzeiro quando estourou o escândalo.

Tudo foi desfeito.

Foi suspenso por dois anos.

Dois anos...

Mas o destino o ajudou e a pena caiu para apenas seis meses.

Uma oportunidade de ouro para se recuperar.

Voltou ao Botafogo.

Mas nem Joel Santana, com toda a sua paciência suportou os atrasos, a volta às noitadas de Jobson.

Gastou saliva tentando convencer o atacante a se levar a sério.

Se cansou.

E logo o Atlético Mineiro surgiu e o levou emprestado.

Com a saída de Tardelli e Obina, a diretoria acreditou que o jogador teria todo o espaço para atuar.

Só que não contavam com a seriedade de Dorival Júnior.

Com ele, Jobson não seria tratado como um menino levado.

Pelo contrário.

O técnico, que sabia de toda a história do atleta, foi direto.

Ou ele se enquadraria ao clube e seria seu titular ou ficaria de lado.

Jobson não teve espaço e nem companhia para aprontar.

Dorival Júnior conseguiu montar um grupo consciente e disciplinado.

O time recebe em dia.

Mas sabe que não há espaço para indisciplina ou falta de entusiasmo.

Jobson se viu isolado, pressionado.

E sem ninguém para o mimar, como acontecia nos tempos do Brasiliense, do Botafogo.

Nem mesmo sua mãe, dona Lourdes, que perdeu oito quilos por sofrimento...

Enquanto durou a suspensão do filho por uso de cocaína...

É a única pessoa no mundo que não acredita que ele tenha usado drogas...

Mesmo diante da confissão do atacante...

Coisa de mãe...

Quem tem sabe o que é...

Jobson pediu para sair do Atlético Mineiro.

Alegou falta de adaptação.

Dorival Júnior não moveu uma palha para segurá-lo.

O treinador sabe quanto tempo perdeu tentando convencê-lo a se dedicar à carreira...

A direção do Atlético Mineiro o quer devolver.

O Botafogo não o deseja de volta.

Situação absurda, criada pela falta de responsabilidade, amor à profissão de um jogador.

Mas o destino parece não se cansar de Jobson.

Empresários o estão oferecendo ao Palmeiras.

Felipão já disse uma vez que gostaria de ter o atleta.

Que o endireitaria.

As negociações mal começaram.

Pode ser que não dê em nada.

Mas só o interesse do Palmeiras recoloca o interesse de outras equipes em Jobson.

Realmente, ele nunca poderá reclamar de falta de oportunidade na vida, na carreira.

Que pense agora.

Tem 23 anos e a história de um jogador veterano, problemático, sem rumo...

Seu sonho é passar a aposentadoria pescando no Pará.

Pode ser em um barco moderno e seu...

Ou em uma vara de pescar, sentado na margem do rio...

As escolhas que fizer daqui por diante na vida é que definirão a qualidade de vida que terá e dará à sua família...

Pense bem, Jobson...

Um dia o destino vai cansar de você...

Honre o sofrimento de dona Lourdes...

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