Publicado em 24/03/2011 às 00h33
Essa vitória foi para Muricy Ramalho. A torcida do Fluminense não o perdoará nunca…

O Fluminense emocionou flamenguista ontem à noite.
Parecia aquele time que se salvou do rebaixamento em 2009 com 2% de possibilidade.
Ao final da partida contra o América, o Engenhão parecia palco de final de campeonato.
E realmente era.
O time não poderia perder para o tinhoso América do México.
Se perdesse, ou até empatasse, a Libertadores acabaria na quarta rodada.
Uma tragédia.
O campeão do Brasil tinha como seu treinador o auxiliar Enderson Moreira.
Muricy Ramalho, campeão brasileiro de 2010, foi duramente xingado pelos torcedores.
Eles não o perdoaram por haver abandonado o clube em plena disputa da Libertadores.
Depois de dois empates em casa e derrota para o América no México.
'Amarelão', 'sem ética', 'o Fluminense não precisa de você'.
Essas foram algumas singelas mensagens para Muricy.
Esses torcedores não sabem o quanto a nova diretoria que assumiu o clube perseguiu, atrapalhou o trabalho do técnico.
Treinador que recusou a Seleção para ficar nas Laranjeiras, por sinal.
Dentro da visão do torcedor, valeu ficar gritando pelo nome de Abel Braga.
Surreal contratação que só assumirá o clube daqui dois meses.
Tomara ele escute muito bem e tenha ficado emocionado nos Emirados Árabes com os gritos dos torcedores.
No campo, a façanha.
Com o coração como estratégia, o time comprou a briga com os mexicanos.
Fred mostrou uma liderança que parecia ter sido perdida com as inúmeras contusões.
Gritou com jogadores do Fluminense, do América, com o árbitro paraguaio Antônio Arias.
E seguindo a fina tática desenvolvida pelos incas: "Vamos que vamos", o Fluminense alcançou uma façanha.
Saiu perdendo duas vezes e conseguiu duas viradas.
Não há uma alma no Rio de Janeiro que não tenha se alegrado com o gol de Deco.
Aos 42 minutos do segundo tempo...
Justo o homem que o presidente do Corinthians diz ganhar R$ 500 mil mensais...
Tão questionado por todos...
Conseguiu aproveitar desatenção total da zaga mexicana e marcou.
Foi uma festa emocionante, sensacional.
Os 13 mil corajosos que foram ao Engenhão mostraram todo o sentido da palavra torcer.
Vibravam, pulavam, se beijavam, se abraçavam.
Assim como os jogadores no gramado.
Foi uma vitória épica, que dá sobrevida ao Fluminense.
Mas a situação continua complicadíssima.
Enfrenta Nacional no Uruguai e Argentinos Juniors em Buenos Aires.
Só depois Abel assume.
Mas depois de ontem, não há quem não tenha tomado uma enorme injeção de ânimo.
Mesmo com todas as bobagens da nova diretoria, o Fluminense continua forte, inteiro na Libertadores...
É de se imaginar o que aconteceria se todos remassem para o mesmo lado nas Laranjeiras...
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