A falta de coragem de Roberto Carlos. O estímulo que o racismo russo precisava para comparar mais jogadores a macacos…

sport812.ru  A falta de coragem de Roberto Carlos. O estímulo que o racismo russo precisava para comparar mais jogadores a macacos...
Aos 37 anos, Roberto Carlos deveria estar mais forte.

Mais preparado para a vida.

Encarar de frente as situações.

Não estou me referindo às suas saídas pelas portas do fundo de Palmeiras e Corinthians.

Que já serviriam de assunto para longas leituras sobre compromentimento.

Aquilo que precisa ser discutido é o nojento ato de racismo que sofreu na Rússia.

Um torcedor do Zenit lhe ofereceu uma banana antes da partida do Anzhi, time onde foi buscar os últimos euros da carreira.

Lhe ofereceu é modo de dizer.

Mostrou a banana e o chamou repetidas vezes de macaco.

Durante a partida todas as vezes que Roberto Carlos pegava na bola, uma parte da torcida do Zenit imitava macaco.

A Uefa já ameaçou proibir o clube de disputar competições internacionais por causa de atitudes como essa de seus torcedores.

Por tudo que o lateral representa no futebol, a notícia correu o mundo.

A foto do torcedor ofecendo a banana é de revotar o estômago.

O Zenit tem torcidas organizadas formadas por neonazistas.

Ultranacionalistas, intolerantes, ignorantes.

Formada na sua maioria por jovens desempregados.

Acusam os imigrantes de haver roubado seus empregos.

E não suportam qualquer diferença racial.

Roberto Carlos é negro.

Como poderia ser amarelo, branco, vermelho...

Ele só não pode se omitir.

Diego Maurício se calar é revoltante, mas compreensível.

Foi chamado de macaco e teve de ver peruanos imitar símios no Sul-Americano sub-20.

Cada vez que pegava na bola era a mesma cena repugnante.

Diego Maurício não falou porque suas palavras não repercutiriam.

Mesmo vestido com a camisa da Seleção Brasileira.

Jornalistas peruanos deram a descupa esfarrapada que isso é normal no país.

Como pode ser normal negros serem comparados a macacos em estádios?

Agora cabe a Roberto Carlos fazer a sua parte.

Por mais que deteste polêmica, não pode fugir da luta.

Ele representa os negros, os imigrantes...os discriminados...

Jogador campeão do mundo, milionários, conhecido em todo o planeta...

Seu empresário Fabiano Farah ameaçou protestar na Fifa.

O protesto teria repercussão mundial.

O lateral mandou que se acalmasse, deixasse para lá.

Triste.

A hora não era de perdoar, Roberto Carlos.

Enfrentar, ter coragem de protestar.

Deixar no seu legado bem mais do títulos, troféus e oito filhos...

Mas uma postura corajosa contra a intolerância, o racismo...

Não se acovarde, Roberto Carlos...

Não estimule esses ignorantes russos a comparar jogadores a macacos...

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