Toda homenagem será pequena a Menotti. O técnico mais corajoso que pisou na Argentina…

divulgacao5 Toda homenagem será pequena a Menotti. O técnico mais corajoso que pisou na Argentina...
O grande pecado da sua carreira foi não ter chamado Maradona para o Mundial de 1978.

Acreditou que ele estivesse novo demais.

Fechou os olhos para o talento absurdo do garoto de 17 anos.

Apostou que precisasse de homens feitos para ganhar a Copa da ditadura.

E assim foi.

Com resultados questionados até hoje, Menotti deu a primeira sonhada Copa aos argentinos.

Sua grande contribuição ao futebol foi ter apostado sempre no ataque.

Adorava o toque de bola envolvente dos brasileiros.

E colocou uma pitada no já habilidoso futebol argentino.

Suas equipes eram extremamente ofensivas.

Magoado com o esquecimento, Maradona ficou do lado de quem lhe deu mais atenção.

Mesmo sendo mais pragmático, adepto do futebol de marcação e contragolpes, Carlos Bilardo também foi campeão do mundo.

E teve em don Diego seu fiel escudeiro.

Desde então, o continente argentino se dividiu em uma linha imaginária.

Os adeptos de Menotti de um lado e de Bilardo do outro.

Os dois viraram rivais, fraternos inimigos.

Cada um deles sabia o quanto era favorável a briga.

Trazia moral a ambos.

Eles dominaram os noticiários do país vizinho por 20 anos.

Mas o tempo passa para todos.

E passou para Menotti.

Aos 72 anos, ele trava o seu jogo mais difícil.

Na UTI, tenta sobreviver.

O cigarro, companheiro inseparável, o levou à beira da morte.

A situação está complicada.

Uma pena.

Menotti revolucionou o futebol argentino e graças ao seu gênio difícil, nunca foi tão homenageado quanto deveria.

Teve a coragem de se negar de comemorar a conquista de 78 com os militares.

Poderia ter ganho muito dinheiro caso se vendesse ao regime.

Homem de princípios, disse não.

Durante toda a carreira, os dirigentes foram seus maiores adversários.

Ele não cedia.

E perdeu empregos importantíssimos.

De uma forma quixotesca até, foi fiel aos seus princípios.

Sua paixão por marcar e não evitar gols...

Agora, na UTI, todos se lembraram dele.

Talvez seja tarde.

Tomara que não.

Mas fica sempre a lição mais importante que Zagallo sempre diz.

"Façam festa para mim enquanto estiver vivo.

Depois de morto, eu dispenso."

Que Menotti supere mais essa luta.

E consiga receber o reconhecimento em vida por tudo que fez na história do futebol argentino.

Depois de morrer, não adianta...

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