Publicado em 13/03/2011 às 16h07
Toda homenagem será pequena a Menotti. O técnico mais corajoso que pisou na Argentina…

O grande pecado da sua carreira foi não ter chamado Maradona para o Mundial de 1978.
Acreditou que ele estivesse novo demais.
Fechou os olhos para o talento absurdo do garoto de 17 anos.
Apostou que precisasse de homens feitos para ganhar a Copa da ditadura.
E assim foi.
Com resultados questionados até hoje, Menotti deu a primeira sonhada Copa aos argentinos.
Sua grande contribuição ao futebol foi ter apostado sempre no ataque.
Adorava o toque de bola envolvente dos brasileiros.
E colocou uma pitada no já habilidoso futebol argentino.
Suas equipes eram extremamente ofensivas.
Magoado com o esquecimento, Maradona ficou do lado de quem lhe deu mais atenção.
Mesmo sendo mais pragmático, adepto do futebol de marcação e contragolpes, Carlos Bilardo também foi campeão do mundo.
E teve em don Diego seu fiel escudeiro.
Desde então, o continente argentino se dividiu em uma linha imaginária.
Os adeptos de Menotti de um lado e de Bilardo do outro.
Os dois viraram rivais, fraternos inimigos.
Cada um deles sabia o quanto era favorável a briga.
Trazia moral a ambos.
Eles dominaram os noticiários do país vizinho por 20 anos.
Mas o tempo passa para todos.
E passou para Menotti.
Aos 72 anos, ele trava o seu jogo mais difícil.
Na UTI, tenta sobreviver.
O cigarro, companheiro inseparável, o levou à beira da morte.
A situação está complicada.
Uma pena.
Menotti revolucionou o futebol argentino e graças ao seu gênio difícil, nunca foi tão homenageado quanto deveria.
Teve a coragem de se negar de comemorar a conquista de 78 com os militares.
Poderia ter ganho muito dinheiro caso se vendesse ao regime.
Homem de princípios, disse não.
Durante toda a carreira, os dirigentes foram seus maiores adversários.
Ele não cedia.
E perdeu empregos importantíssimos.
De uma forma quixotesca até, foi fiel aos seus princípios.
Sua paixão por marcar e não evitar gols...
Agora, na UTI, todos se lembraram dele.
Talvez seja tarde.
Tomara que não.
Mas fica sempre a lição mais importante que Zagallo sempre diz.
"Façam festa para mim enquanto estiver vivo.
Depois de morto, eu dispenso."
Que Menotti supere mais essa luta.
E consiga receber o reconhecimento em vida por tudo que fez na história do futebol argentino.
Depois de morrer, não adianta...
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