Publicado em 13/03/2011 às 22h14
Muricy Ramalho não aceitou questionamentos da nova diretoria do Fluminense. E pediu para sair. Não precisou falar duas vezes…

Oito meses depois da maior demonstração de lealdade dos últimos anos, Muricy Ramalho deixa o Fluminense.
Triste, irritado, tenso...
Traído...
O técnico que disse não à Seleção para seguir no clube carioca em agosto...
Deu o título brasileiro...
Não suportou a pressão política ocasionada com a troca da presidência do clube.
E o fraquíssimo início do time na Libertadores da América.
O medo da desclassificação precoce da competição sul-americana colocou tudo a perder.
Acompanhado, é lógico, do cruel ingrediente: a eliminação da Taça Guanabara diante do Boavista.
Muricy Ramalho perdeu a aprovação total, a admiração que tinha do ex-presidente Roberto Horcades.
Peter Siemsen não tinha essa boa vontade toda.
Queria o retorno do altíssimo investimento para manter o time.
Passou a cobrar sistematicamente o departamento de futebol.
E o vice Alcides Antunes foi a primeira vítima.
Ele era amigo de Muricy Ramalho, mas nos últimos tempos os dois vinham se estranhando.
A queda de Alcides, o treinador pegou para ele.
Como se fosse uma maneira de desabonar o seu trabalho.
Para piorar, antes do clássico contra o Flamengo, o treinador fez questão de cobrar publicamente o clube.
Reclamou do gramado das Laranjeiras.
Percebeu a falta de empenho financeiro na construção de um novo Centro de Treinamento.
Muricy sentiu que não tinha mais o respeito que acreditava merecer.
A postura de Siemsen era fria demais.
O agradecimento do clube ao 'não' à Seleção Brasileira já havia virado coisa do passado.
A decisão da demissão teria acontecido ainda no sábado, quando Muricy percebeu o tom dos dirigentes.
Ele não gostou da cobrança para ganhar o clássico.
Os jogadores foram novamente cobrados pela diretoria.
Muricy se sentiu desrespeitado e resolveu pedir a demissão.
Havia avisado que depois da partida do Flamengo sairia do clube.
De maneira intrínseca, ele quis dizer que não atrapalharia mais na Libertadores.
A demissão foi aceita imediatamente.
Os dois lados, tanto o treinador como os dirigentes, insistem que o motivo foi a falta de um CT, melhorias no clube.
Mas isso é uma parte insignificante da sua saída.
O que houve na verdade foi um desgaste fulminante entre Muricy e a nova administração de Siemsen.
Muricy Ramalho desperta o interesse do Santos.
E Dorival Júnior, do Atlético Mineiro, o do Fluminense.
Mas não há como negar.
A maneira com que Muricy saiu do clube campeão brasileiro foi humilhante...
Sem propósito.
A marca absoluta da falta de planejamento.
Tudo foi um grande desperdício.
Quando o treinador colocar o rosto no travesseiro e fechar os olhos vai pensar...
"Por que eu não fui para a Seleção..."
Se arrependimento matasse, o treinador não despertaria vivo nesta segunda-feira...
Tudo foi amador demais...
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