Publicado em 05/03/2011 às 02h19
Treino de Ronaldinho do Flamengo é antecipado para ele colocar o bloco na rua. No Carvanal, o Rio é outro país…

A postura do Internacional de Celso Roth é completamente inversa a do Flamengo de Vanderlei Luxemburgo.
O time gaúcho treinará intensamente no Carnaval.
O treinador não quer seus atletas perdendo energia nos bailes, nos blocos, na rua.
O Flamengo está liberado para a farra.
O treino de segunda-feira passou para a manhã por um motivo 'nobre'.
Ronaldinho Gaúcho possa levar o seu bloco para desfilar à tarde.
Por que tamanha diferença de comportamento?
Parece dois países, dois mundos diferentes.
E realmente são.
Não foi por acaso que Ronaldinho Gaúcho escolheu o Flamengo, o Rio, no leilão promovido por seu irmão Assis.
Ele sabia o que iria encontrar.
E o que não iria.
O Rio de Janeiro tem uma alegria intrínseca.
Só quem passou algum tempo por lá para entender a energia, a disposição para a alegria.
O futebol se estruturou tanto que conseguiu os dois últimos títulos brasileiros.
Com todos os méritos.
Mas não abre mão das suas tradições.
Seu samba, suas festas, seus blocos no rua.
O Carnaval é a data mais sagrada no estado.
Os clubes, os dirigentes e os torcedores não entendem a cobrança para essa festança no futebol.
Não aceitam que o resto do país olhe desconfiado para tantos jogadores na farra de madrugada.
E com total autorização dos dirigentes.
O Rio de Janeiro é assim e pronto.
Para os cariocas chega a ser obrigação festejar o Carnaval.
Os atletas não falam de outra coisa.
Muitos dos seus treinadores e dirigentes também.
Consideram uma heresia não cultuar Momo.
Enquanto isso, no Rio Grande, o Inter trabalha.
Tem a Libertadores pela frente.
Se não tivesse, também trabalharia.
Renato Gaúcho resolveu dar três dias de folga.
Mas mesmo sendo um semideus no Olímpico, sofreu as primeiras críticas pelas costas.
Essa história de trocar trabalho pesado por carnaval é influência carioca.
Os dirigentes gremistas aceitaram contrariado a postura de Renato.
Os jogadores gaúchos do time não vibraram com a notícia.
E alguns deles treinarão por conta nestes dias.
Querem se manter bem para a Libertadores e para a fase decisiva do Gaúcho.
Essa postura é inimaginável nos atletas dos grandes do Rio.
Se pudesse, a maioria iria para o carnaval durante a noite, durante a madrugada e dormiria durante o dia.
Esse é o jeito de o Rio de Janeiro levar o futebol no carnaval.
Sempre foi assim e não vai mudar.
É uma cidade à parte em relação ao resto do Brasil.
Por isso ela combina tão bem com Ronaldinho Gaúcho.
Onde no mundo um treinador mudaria o horário treinamento só para um jogador desfilar com o bloco que criou?
Onde?
Só no Rio de Janeiro...
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