Publicado em 15/02/2011 às 21h05
“Que a minha saída do Santos tenha sido um marco na vida do Neymar. Ele sabe que interrompeu um trabalho vencedor.” Dorival Júnior…

Eu também estava com saudades das entrevistas...
Então, vou falar com quem vale a pena.
Exclusiva com Dorival Júnior.
O senhor do destino de mais de ansiosas cinco milhões de pessoas.
Os torcedores do Atlético Mineiro sonham voltar a comemorar grandes conquistas nacionais.
O único título brasileiro aconteceu em 1971.
Nunca a equipe ganhou a Copa do Brasil.
Dorival sabe a pressão que precisa suportar.
Ele já valeu cada tostão da sua contratação ao salvar o clube do rebaixamento para a Série B.
Foi uma alegria imensa para compensar a tosca saída do Santos por causa da histeria de Neymar...
Que o xingou na Vila Belmiro porque o treinador não deixou que cobrasse um pênalti contra o Atlético Goianiense...
Pesou demais o paternalismo do presidente Luís Álvaro que o demitiu para agradar o mimado jogador.
Quem perdeu foi o Santos.
Dorival Júnior acabou até mais valorizado no Brasil.
É respeitado demais no Atlético Mineiro.
Está trazendo vitórias e o que mais faltava para o tradicional clube de Alexande Kalil...
Confiança...
De clube irregular, sujeito a chuvas e trovoadas depois de qualquer derrota, o clube mudou...
É fácil perceber pela reação dos jogadores, da diretoria.
Agora há um comandante de verdade...
Que não apela para o marketing, para os ternos, para uma Comissão Técnica gigantesca, caríssima...
É preciso disputar a Copa do Brasil ou ela já é do Atlético Mineiro?
Nem brinca com isso, Cosme...
O trabalho mal começou agora em 2011.
Estou remodelando a equipe, buscando dar consistência, força, competitividade ao time.
Queremos disputar a Copa do Brasil de uma maneira forte, cientes do que podemos fazer.
O potencial dos jogadores é ótimo.
Estamos ajustando o time.
Não é de uma hora para outra que se consegue isso.
Mas não vou negar que estou animado.
A infraestrutura do Atlético Mineiro, as condições de trabalho são excepcionais.
Sei que a torcida está querendo muito vencer títulos significativos.
Nós também.
Mas antes de prometer conquistas, o importante é construir uma base forte de trabalho.
Não vou trazer mais pressão do que já existe naturalmente ao clube falando em títulos.
A minha meta é deixar a equipe o mais forte possível.
As conquistas virão para um clube tão organizado e com tantos recursos como o nosso.
Não sei se será comigo, com outro treinador, mas o Atlético Mineiro está trabalhando por agora e pelo futuro.
Repito que lógico que vamos brigar ao máximo pela Copa do Brasil, mas o importante é tornar o time consistente.
Que passe confiança a quem jogue e aos nossos torcedores.
O que você encontrou? Com Luxemburgo, o time estava à beira do rebaixamento...
Sim, é verdade.
Mas também é verdade que ele passou pela primeira vez por aquela situação.
O que aconteceu foi uma fatalidade.
O Vanderlei é um excelente técnico.
O time não encaixou.
Isso acontece.
Não podemos crucificar o Vanderlei.
Eu continuo o respeitando muito.
Quando cheguei, tratei apenas de passar mais confiança ao time.
Precisávamos estar bem psicologicamente para escapar do rebaixamento e nós conseguimos
Fiquei realmente feliz pelo trabalho ter dado tão certo.
A preocupação era muita mesmo ao assumir o Atlético Mineiro.
Ficar na Série A foi uma das grandes alegrias da minha carreira.
E você precisava de alegria.
A maneira que saiu do Santos foi muito triste.
Mas, por ironia, seu trabalho acabou sendo até mais reconhecido nacionalmente...
Você pode até ter razão, mas detestei sair do Santos.
Eu ainda tinha muito o que fazer com aquela equipe que montei.
Tinha grandes objetivos.
A minha saída foi um erro nosso.
Meu e do presidente do Santos, Luís Álvaro.
Faltou maior comunicação.
Eu sou obrigado a confessar que senti demais deixar o Santos.
Todo o meu trabalho foi abortado, cortado no meio.
Realmente eu lamento.
E soube, três dias depois que a própria diretoria santista lamentou.
Mas está tudo certo, o que passou, passou.
Mas em relação a Neymar?
O que você pode falar dele?
Que ele errou, me desrespeitou, desrespeitou o grupo, o clube e precisava ser punido.
Para o bem do Santos e até para o bem dele mesmo.
Tomei a atitude de comandante que deveria.
Todos na Vila Belmiro sabem que fiz o certo.
Eu sei que fiz o certo.
E quero acreditar que a minha saída da maneira que foi do Santos seja um marco na sua vida.
Ele não pode se perder, agir como agiu comigo.
Com tudo o que ele fez, um trabalho vencedor foi interrompido.
Havíamos conquistado o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil.
Que a minha saída não tenha sido em vão.
Tomara que ele tenha se conscientizado.
Ele é um bom menino.
Não guardo mágoa sobre o que aconteceu.
Eu o perdoei de verdade.
Ele sabe que é um jogador de talento raro.
Quero que ele e o Santos tenham um excelente futuro.
Vão ter...
Não há mágoa mesmo?
De jeito nenhum.
O Neymar errou, reconheceu e me pediu desculpas.
Está tudo esclarecido.
Foi uma lição para todos os envolvidos.
Mas que eu não saí alegre do Santos, não.
Havia muito por fazer, muito o que conquistar.
Mas sou grato por estar no Atlético Mineiro e muito empolgado com o nosso trabalho.
Temos os nossos planos por aqui e já estamos colocando em prática.
Adilson Batista sentiu na pele o que foi perder o Campeonato Mineiro.
Acabou sendo demitido do Cruzeio...
Mais pelo torneio estadual do que a desclassificação na Libertadores...
Eu posso muito bem definir a importância do Campeonato Mineiro.
Vale demais ganhar.
Só que vale mais ainda para o clube que perde.
O trabalho do treinador fica comprometido.
O clima fica ruim.
Há muita pressão para que o Atlético ou o Cruzeiro saiam campeões do Estado.
E há, sim, consequência para quem sai derrotado.
Não vou negar.
E o pior que as pessoas não percebem que o América cresceu muito no seu potencial.
Os times do interior mineiro também.
Mas não adianta, todos colocam como um campeonato de apenas dois times.
E dentro dessa filosofia, pior para quem perder.
Vocês acabaram de ganhar do Cruzeiro em Sete Lagoas.
Só havia torcida adversária no estádio.
O que uma vitória dessas representa?
Cosme, a superação, a força da equipe, a confiança que todos os atletas têm uns nos outros.
E tivemos três desfalques importantes para a equipe.
Não foi fácil.
A vitória por 4 a 3 fez um bem enorme para o nosso grupo.
Foi apenas um passo.
Há muito o que buscar, muito o que trabalhar.
Eu não me engano e me deixo levar, empolgar.
Está tudo muito cedo.
Nosso torcedor está feliz, mas sabemos muito bem o que vem pela frente.
Vamos manter a calma e a seriedade.
Dentro desse começo de trabalho, um caso precisa ser bem explicado.
O que você está fazendo com o Diego Souza?
Que trabalho de recuperação é esse?
Olha, ele é um jogador importantíssimo que sofreu demais em 2010.
Ele perdeu a Copa do Mundo, que era seu sonho.
Depois ficou muito tempo sem definição no Palmeiras.
Não sabia se iria sair, se ficaria no clube, se jogaria no Exterior.
Tudo isso mexeu demais na sua cabeça.
Eu estou tendo o maior cuidado com ele.
O primeiro passo é deixá-lo no melhor estágio físico possível.
No ano passado, com tudo que aconteceu, ele perdeu força física.
E o seu futebol depende demais do estado atlético.
Eu o deixei de fora de propósito no início do ano.
Ele está trabalhando muito, recuperando a sua força, está consciente do que precisa fazer.
O Diego Souza tem todo o potencial para ser um jogador importantíssimo para nós.
E sabe que está sendo trabalhado com todo cuidado.
Seu futebol não pode e não será desperdiçado.
Dirigentes do Vasco e do Santos deixaram escapar a falta que você faz nesses clubes.
Como você recebe essas declarações?
Eu já ouvi algumas delas e fico muito orgulhoso.
É a prova de que o meu trabalho foi reconhecido.
Gostei muito de trabalhar no Vasco e no Santos.
E principalmente por haver deixado a minha marca, ter feito bem para essas equipes.
Acredito que o importante para um treinador é desenvolver o futebol por onde passar.
Por isso estou me aplicando de corpo e alma a este trabalho no Atlético Mineiro.
Você trabalha tendo como meta a Seleção Brasileira?
Não, de jeito nenhum.
Sinceramente, eu acho que isso não leva a nada.
O importante é dar o máximo no clube em que você está.
Ficar sonhando com Seleção Brasileira não leva a nada.
Só faz deixar de se aprofundar no que está fazendo no seu clube.
Para mim, de coração, o mais importante para mim agora é o Atlético Mineiro.
Os nossos planos, saber os nossos desejos, as nossas limitações, não se deixar empolgar.
Trabalhar de maneira séria, dar um passo pequeno de cada vez.
Seu contrato vai até o final do ano.
Você sente que está cada vez mais valorizado no cenário nacional?
Olha, Cosme, sinceramente, não estou preocupado com isso.
Sei que tenho portas abertas em grandes clubes e estou em um dos maiores deles.
Feliz e empolgado com o que poderemos fazer em 2011.
Pode ser que venham os títulos, pode ser que não venham comigo.
Mas quero sair do Atlético Mineiro com a cabeça erguida, certo que deixei o clube melhor do que quando cheguei.
Mais estruturado, com uma filosofia vencedora e de muito trabalho.
É assim que tem sido a minha carreira.
A valorização está em deixar o clube mais forte.
E o Atlético Mineiro está caminhando para o que eu quero...
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