Publicado em 16/12/2010 às 16h49
Dunga, Mano, Scolari, Tite, Roth. A decepção com os gaúchos que mandaram no futebol brasileiro em 2010…
São de todos os tipos.
O que veio a peso de ouro, maior salário da América Latina pago a um treinador de futebol.
Com o currículo pesadíssimo de pentacampeão mundial, bicampeão da Libertadores da América.
Foi tratado como um rei.
Mandou os jogadores se calarem; eles se calaram
Ordenou o fechamento dos treinos; os treinos foram fechados.
Até a turma do amendoim passou a se comportar como tietes enlouquecidos.
Tudo isso deu em nada na prática.
O Palmeiras continuou sendo motivo de tristeza.
O clube perdeu a semifinal da Copa Sul-Americana em casa, jogando como time pequeno, contra o Goiás.
No Brasileiro fez uma campanha pífia.
Culminando nas derrotas que ficaram para a história por falta de empenho, contra Fluminense e Cruzeiro.
Luiz Felipe Scolari foi uma grande decepção até para fãs de carteirinha.
O outro abriu mão do Campeonato Mundial de Clubes.
Esperto, sabia que o fraquíssimo Al Wahda não tinha condições de vencer ninguém.
Aceitou correndo a proposta para treinar Ronaldo.
E ganhar o Brasileiro.
Estava fácil.
Pensou que não iria frustrar mais uma torcida no seu centenário, como fez com o Inter.
Mesmo com os pontos que o boicotado Adilson Batista desperdiçou, era muito possível fazer o Corinthians ganhar o Brasil.
Mas a falta de coragem tática na partida contra o Vitória em Salvador custou o campeonato.
Pior ainda foi empatar na última rodada com os reservas e juniores do Goiás.
Como bem um leitor escreveu: quer disputar campeonatos de forma digna, contrate Tite.
Quer vencer, busque outro técnico.
Essa é a imagem que Tite, o homem que só sabe contragolpear, consolidou no Brasil.
O outro parecia haver exorcizado seus demônios.
Ter aprendido a ganhar.
Já que venceu a Libertadores.
Se tornou mais leve, dócil com a vida, com os jogadores, com a imprensa.
A direção do Inter comemorava até a evolução de Celso Roth como técnico.
E ele teve toda a permissão de cumprir o seu plano de abrir mão do Brasileiro.
A intenção era vencer o Mundial.
Estava tudo planejado para vencer a Inter de Milão, que capenga nas mãos de Rafa Benítez.
Só que o Mazembe acabou com o sonho.
E de forma convincente, desmoralizadora.
Os africanos dançaram em cima dos planos de Roth.
Poucas vezes um treinador ficou tão envergonhado dando uma coletiva para explicar uma derrota.
Perdeu a chance de passar de patamar de técnico de times médios para top no Brasil.
O melhor deles assumiu o São Paulo.
Depois de ótima campanha no surpreendente Atlético Paranaense.
Finalmente parece ter aprendido que os jogadores não têm a genial leitura da partida que ele tinha em campo.
E simplificou seus esquemas táticos.
Parou de criar táticas que não treinou durante os jogos.
Está conseguindo se reinventar.
Passa confiança aos torcedores.
E para a diretoria.
A sensação de submissão que havia com Ricardo Gomes foi embora.
Paulo César Carpegiani está conseguindo resgatar a sua carreira no Morumbi.
De tanto apanhar, aprendeu que o simples funciona.
E o último que merece ser citado está exilado.
Fez o que fez com a Seleção Brasileira na África do Sul.
E até agora está tentando entender o que aconteceu.
Sua marca registrada é a da intolerância, da raiva de tudo e de todos.
Até o seu nome provoca pé atrás: Dunga.
Só dirigentes que pensavam em punir seus jogadores o sondaram.
Como o São Paulo.
Mas depois a diretoria desistiu.
Viu que o time não merecia alguém agressivo como um feitor.
E sim um técnico.
Foi substituído pelo político Mano Menezes.
Tirou o Corinthians das Trevas da Série B.
Conseguiu por um semestre domar Ronaldo e ganhou o Paulista e a Copa do Brasil.
Só que depois naufragou no planejamento para a Libertadores.
Viu, a contragosto, a diretoria fazer o péssimo negocio de vender Douglas, André Santos e Cristian.
Sua base foi embora, quebrada no vértice.
Na Libertadores faltou coragem na partida do Rio de Janeiro.
Perdeu uma partida fundamental, com um homem a mais.
E foi eliminado em casa, no Pacaembu.
Diante do Flamengo, time inferior tecnicamente.
Dirigida por treinador interino.
Mas a maior derrota mereceu um prêmio.
Politicamente, Andres Sanches o colocou na Seleção Brasileira.
Ganhou dos fracos e perdeu o único amistoso contra uma equipe do mesmo nível: a Argentina.
2011 será fundamental para mostrar se terá fôlego para chegar até a Copa de 2014.
Mano não termina o ano seguro, não.
Porém o melhor, disparado, em 2010 foi aquele que leva Gaúcho como sobrenome.
Justamente o mais desacreditado.
Aquele que posava de óculos escuros na Barra da Tijuca.
Resolveu sair do Rio e se descobriu treinador de verdade no Bahia.
E com o apoio até do Minuano, levou o Grêmio da zona do rebaixamento para a Libertadores.
Montou um time competitivo, rápido objetivo.
Só ele mereceu as bombachas que veste.
A grande maioria dos gaúchos que dominou o futebol brasileiro em 2010 precisa se reciclar.
Deixou muito a desejar.
Que em 2011 os chimangos e maragatos consigam reagir.
A felicidade de milhões de pessoas está nas mãos desses gaúchos...
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