Publicado em 25/11/2010 às 00h23
24 de novembro de 2010…’Pacaembuzazo’… Uma só pergunta, Felipão: vai ter jogo domingo?
Aquela que deveria ser a noite mais alegre do Palmeiras em 2010 foi a mais trágica.
O ano acabou.
E pior, terá reflexos profundos em 2011.
Adeus Libertadores do próximo ano.
Adeus grandes investimentos no novo time.
Adeus participação efetiva da Traffic na busca de reforços.
"Foi brochante demais. O time amarelou.
Que investidor vai colocar dinheiro em um clube que só vai disputar a Copa do Brasil?
O nosso planejamento mudou inteiro para 2011..."
A declaração sincera é do diretor de futebol Wlademir Pescarmona...
"Foi uma vergonha o Palmeiras ter sido eliminado pelo o Goiás. Vergonha", resumiu Kléber.
Mesmo com o apoio de 38 mil pessoas no Pacaembu, o time de Scolari sucumbiu.
E diante do Goiás.
Com o mesmo time que foi rebaixado no Brasileiro no final de semana.
A equipe perdeu em casa por 4 a 1 para o Santos.
O problema foi como o Palmeiras se posicionou.
Nesta nova tragédia marcante na sua história, o descontrole e o acúmulo de erros.
A eliminação palmeirense começou com Valdivia.
Jogador de R$ 14 milhões que não poderia de jeito nenhum estar fora da semifinal.
Um raro jogador talentoso no elenco de Luiz Felipe Scolari.
Foi tratado com enorme incompetência.
Como pode ser liberado para três partidas e ter de abandonar o gramado antes do primeiro tempo?
Diante do Goiás, ele seria fundamental.
Ninguém prende bola e desmonta uma defesa como o chileno.
A responsabilidade cresceu demais para Kléber.
Ficou mais fácil para o time goiano marcá-lo.
Lincoln não tem a metade do talento de Valdivia.
O Palmeiras não tinha como chegar na área dos goianos, a não ser com levantamentos da intermediária.
Mesmo não jogando bem, o time de Felipão saiu na frente com um gol do esforçado Luan.
Todos lembraram dos coadjuvantes que formam o Palmeiras atual quando o Goiás empatou no último minuto.
Gol que nasceu de uma jogada irregular.
De uma falta que não aconteceu.
Marcelo Costa cobrou essa inexistente falta no travessão.
Em seguida a bola foi levantada para a área.
Houve o desvio de cabeça de Rafael Moura para o eterno "'gato" Carlos Alberto.
A cabeçada fraca que desviou em Tinga e enganou Deola...
Foi o suficiente para o time baixar a cabeça.
Não teve grito de Felipão ou de Marcos Assunção que levantasse a equipe.
Os palmeirenses sentiram a pressão.
A responsabilidade.
O peso de ser favorito até em jornais goianos.
No íntimo, eles sabiam que não tinham tanto futebol assim.
Mesmo com 38 mil torcedores desesperados, gritando por eles.
Aplaudindo cada lateral como se fosse um lance genial de Pelé.
O segundo tempo foi ainda mais desmoralizante.
Artur Neto percebeu a tremedeira generalizada no adversário e adiantou a marcação.
O Goiás começou a jogar como se estivesse em casa.
Tabelava na intermediária e buscava a linha de fundo para cruzamentos buscando Rafael Moura.
Aliás, ele parecia possuído.
Jogando bem demais.
Com a cabeça erguida, buscando tabelas, dribles e lançamentos.
Nem parecia o peso morto que passou pelo Corinthians e virou um folclórico cover do He-Man.
Luiz Felipe não conseguiu mudar o desenho tático da partida.
Não tinha jogadores para isso.
Mas pouco tentou.
Deveria ser mais ousado, tentar uma marcação especial no principal jogador goiano.
Pedir para o seu time passar a abusar das faltas.
Fazer alguma coisa.
Só gritou, gritou e não mudou o jeito do encurralado Palmeiras.
E aconteceu o que estava claro que iria se passar.
O Goiás virou.
Depois de uma bisonha furada de Márcio Araújo, Marcão foi lançado e foi até a linha de fundo.
De lá, o ex-zagueiro do Palmeiras cruzou para quem?
A bola chegou até Rafael Moura que a ajeitou para Ernando marcar 2 a 1.
O gol saiu aos 36 do segundo tempo.
Com os dois minutos de acréscimo, o Palmeiras tinha 11 minutos para empatar a partida.
Mas com os nervos travados, os jogadores não conseguiram criar sequer uma chance de gol.
Nas arquibancadas, vários torcedores choravam sentindo a impotência do time que torciam.
Ao final, a maior decepção de 2010.
O Palmeiras eliminado da Sul-Americana.
Caiu na semifinal.
Em casa, diante do time que havia acabado de ser rebaixado para a segunda divisão no Brasileiro.
Não conseguiu sequer o empate que o levaria à final.
Um desastre.
Inclusive para o futuro do time.
Para a fama de Felipão de copeiro.
O sofrido torcedor palmeirense não merecia mais esse desgosto.
Parabéns para os goianos que conseguiram superar o terrível trauma do rebaixamento.
E fizeram o Palmeiras passar por mais uma humilhação histórica.
A noite em que o time tremeu.
Felipão nada fez de útil.
Não justificou salário, fama e títulos.
Nada.
Nem avisar ao seu time que o empate servia.
Foi qualquer um...
E 38 mil torcedores ficaram abandonados à própria sorte, à própria tristeza.
À própria incompetência que domina o Palmeiras nos últimos anos.
A administração Belluzzo termina sem a conquista de um mísero título...
Um fracasso.
Nos últimos dez anos, o Palmeiras só conquistou o desprestigiado Campeonato Paulista, em 2008...
Como é que Felipão terá coragem de colocar um time reserva contra o Fluminense domingo?
"Por mim, nem entrava em campo.
Perdia por W.O.", assume Pescarmona.
"O melhor seria a diretoria nos dar férias a partir da agora", pede Kléber.
Com medo da reação das torcidas organizadas, o treino desta quinta-feira foi cancelado.
Triste Palmeiras de tantas e tantas glórias...
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