Publicado em 17/11/2010 às 23h55
Palmeiras 2010. Ou Criciuma, 1991? A estratégia e o comandante são os mesmos…

Luiz Felipe Scolari viu a chuva e o gramado pesado do Serra Dourada.
E abriu um enorme sorriso.
Aos seus olhos, estava vendo mais um presente dos céus.
O cenário não poderia ser melhor para o seu Palmeiras guerreiro, mas sem técnica.
Diante desse time, estava o franco atirador Goiás, tentando compensar o rebaixamento certo no Brasileiro com a tentativa de chegar à final da Copa Sul-Americana.
Sem Valdivia, mesmo o torcedor fanático palmeirense sabia que haveria sufoco.
Felipão lotou a intermediária de jogadores.
A intenção era não deixar, de qualquer maneira, que os goianos trocassem bola na entrada da área.
Vigiar Rafael Moura e Felipe era missão dada.
E tinha de ser cumprida.
Para desafogar a pressão, Kléber na frente.
E os mágicos chutes de Marcos Assunção.
Luan desempenhava a função que consagrou Jorge Henrique no Corinthians: tomar todo o corredor esquerdo como um maratonista, marcando e atacando.
O Goiás não teve como se livrar da previsível estratégia de Felipão.
Faltou dinheiro para contratar jogadores talentosos.
A partida foi um desespero para os dois lados.
O futebol era feio de doer.
E era extremamente favorável ao Palmeiras.
Tudo acontecia exatamente como Felipão queria.
O primeiro tempo terminou e o 0 a 0 estampado no placar era ótimo para os paulistas.
Mas ficou espetacular quando Marcos Assunção dominou a bola da entrada da área.
Logo aos três minutos, ele acertou o chute indefensável.
No ângulo esquerdo de Harlei, grande goleiro e dono do time goiano.
Palmeiras: 1 a 0.
Melhor do que Felipão e seus jogadores esperavam.
Os desanimados goianos baixaram a guarda.
Nervosos, tensos.
Estavam prontos para serem abatidos.
Mas Felipão não quis nem saber.
Ousadia para quê?
Estava tudo fantástico.
Tratou de tirar o meia Lincoln e colocar o volante Pierre.
A estratégia: dar chutões e tentar fazer o tempo passar.
Seu aliado, os nervos à flor da pele e ruindade do adversário.
Deola também era um pilar para tranquilizar Felipão.
Evandro Rogério Roman anulou um gol marcado em impedimento do Goiás no fim da partida, o máximo que a equipe de Artur Neto conseguiu.
Logo depois, a confirmação da importantíssima vitória palmeirense.
O time só precisará empatar na próxima quarta-feira (24), no Pacaembu, para se garantir na final da Sul-Americana.
Aí a história será diferente contra o Independiente ou LDU.
Mas isso é depois.
Agora é comemorar mais uma vitória sofrida que nasceu dos pés de Marcos Assunção.
Mas que estão salvando o ano palmeirense.
Scolari está justificando cada centavo que recebe.
Está fazendo milagre com o elenco que tem nas mãos.
Do seu jeito.
Do jeito que aprendeu com o Criciuma, campeão da Copa do Brasil em 1991, quando nascia para o cenário nacional.
Sua estratégia com o Palmeiras está sendo a mesma que deu certo há 19 anos.
Repare na primeira fileira de baixo para cima da foto.
Na quinta pessoa, da direita para a esquerda.
Sim, esse bigodudo é mesmo ele, o adorador de gramados enlameados para times limitados.
Luiz Felipe Scolari...
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