Publicado em 22/10/2010 às 14h43
Mundial do Corinthians não passou mesmo de um Mundialito. Roberto Carlos estava certo…
"Era um Mundialito.
Mas, sinceramente, muitos jogadores do nosso time ficavam acordados até as 5 horas, 6 horas.
O pessoal não dormiu, muitos vieram aqui a passeio.
Além do mais, os times europeus enfrentaram um calor enorme.
O pessoal do Manchester United, então, lá no Rio, ficava só na piscina tomando cerveja".
Ele desmoralizou a maior conquista corintiana, o Mundial de 2000.
Outra vez o lateral-esquerdo foi sincero e paga por isso.
A pressão no Corinthians para ele se desmentir é imensa.
Andrés e Ronaldo não perdoaram o desatino.
Porque no futebol quem fala a verdade é punido.
Ainda mais porque Roberto Carlos não é mais funcionário do Real Madrid.
Seu dinheiro vem do Corinthians.
Como eu não tenho nada a ver com o Corinthians, dou o meu depoimento.
Cobri o Mundial, ou Mundialito - depende do freguês.
Acompanhei, na primeira fase, justamente os jogadores do Real Madrid, que ficaram em São Paulo.
Primeiro: os espanhóis estavam contrariados.
Não concordavam com o formato do torneio.
Estavam irritados com o calor.
A preocupação era com o que acontecia na Europa.
Lindas mulheres estavam, por coincidência, por supuesto, no luxuoso hotel do Real Madrid.
O treinador era ninguém menos do que Vicente del Bosque, atual campeão mundial com a seleção espanhola.
A estrela máxima era Raúl.
O jovem goleiro Casillas não saía do hall do hotel.
Deu tanta entrevista que ninguém mais queria falar com ele.
O espírito era de raiva e de pressa para voltar para a Espanha.
Todos faziam questão de mostrar que estavam no Mundialito obrigados.
As farras noturnas estavam presentes nas olheiras dos jogadores pela manhã.
Prostitutas de luxo da região dos Jardins fizeram a festa.
Para elas sim, foi um verdadeiro Mundial.
Fui para a fase final no Rio de Janeiro.
E encontrei a delegação do Manchester United.
Não no treino.
Mas na danceteria Nuth.
Muitas mulheres bonitas, público selecionado.
A grande estrela era Beckham.
Ele e seus companheiros de time estavam simplesmente celebrando a eliminação do torneio.
Sim.
Comemorando voltar para a Inglaterra.
Foi a primeira e última vez que vi isso na carreira.
Todos beberam muito.
Ficaram o tempo todo no camarote.
Alguns garotos furaram o cerco, se aproximaram, conversaram, arrancaram alguns beijos.
Menos Beckham, o mais arredio, preocupado com fotógrafos.
Era transparente a felicidade dos ingleses por estarem livres para voltar do Rio.
Ao final da noite, Beckham terminou bêbado, sentado na calçada, esperando o ônibus para levar o time de volta ao hotel.
Cena surreal que não tem preço.
Ou seja: Roberto Carlos não estava menosprezando o Mundial do Corinthians.
Os europeus realmente não deram a menor importância para o torneio que a Fifa resolveu fazer no Brasil.
E os obrigou a disputar.
O Corinthians é o digno campeão.
Jogou com todo empenho e seriedade.
Assim com o Vasco.
Cobrindo evento, a divisão foi clara.
Para os brasileiros, a competição valia a vida.
Para os europeus, um torneio sem sentido que a Fifa os obrigou a disputar.
E que eles sabiam que nunca mais seria repetido da mesma forma.
Não foi mesmo.
Só quem acreditou que haveria outro Mundial daquele foi o ex-presidente Mustafá Contursi.
Ele abriu a vaga do Palmeiras para o Vasco apostando no segundo, na Espanha.
Mustafá e os palmeirenses estão esperando por esse novo Mundial, ou Mundialito, há dez anos...
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