Rogério Ceni faz o impossível. Finge não ver a decadência do São Paulo. E sofre calado…

divulgação393 Rogério Ceni faz o impossível. Finge não ver a decadência do São Paulo. E sofre calado...

Mais uma vez ele conseguiu o quase impossível.

Marcou um gol e defendeu um pênalti.

Que goleiro do mundo não estaria sorrindo, dando cambalhotas, comemorando um fato raríssimo.

Não Rogério Ceni.

Por culpa dele o São Paulo não voltou ontem derrotado do Maracanã.

Em um fim de semana macabro para o clube, para Juvenal Juvêncio, com a confirmação definitivo da Copa do Mundo de 2014 para o Morumbi.

Rogério Ceni evitou que tudo ficasse pior.

E por que ele não sorriu, comemorou?

Por que o maior ídolo da história do São Paulo está decepcionado.

Com a falta de cuidado da diretoria com o time.

Ninguém vai arrancar nem sob tortura uma palavra dele sobre a falta de planejamento.

Sobre o improviso.

Do apoio irracional a um treinador que não estava dando certo.

Não respeitaram as suas lágrimas na eliminação da Libertadores.

Ele chorou pela inércia da diretoria.

Pela competição mais importante para o São Paulo jogada no ralo.

Se Juvenal não estivesse tão amarrado ao Morumbi veria que bastaria um pouco de atenção.

Faltou um golzinho só para o clube conquistar o direito de decidir a Libertadores...

Decidir o Mundial de clubes...

A substituição de Ricardo Gomes era algo nítido, pedido pelos conselheiros, sugerido pelos jogadores.

Mas o presidentes resolveu bancar a sua palavra dada ao treinador.

Não importando se o São Paulo perdesse a sagrada Libertadores.

E o mais previsível aconteceu.

O time foi eliminado da competição e Ricardo Gomes perdeu o emprego.

Ceni enxergava o cenário mas não abriu a boca.

Apenas chorou.

Agora é nítido também que ele não concorda com o absurdo da torcida cobrar o time.

Da diretoria abrir o Centro de Treinamento para os atletas receberam ameaças, serem xingados.

Nem por manter um treinador interino, que está aprendendo o que é dirigir uma equipe profissional com o São Paulo.

Nada contra Baresi, mas o passo é grande demais para qualquer um.

Só que Juvenal buscou a solução mais fácil.

O São Paulo se apequenou.

Acabou a pose.

Está pior do que o Corinthians na década de 70, onde os jogadores tinham medo dos torcedores.

E sob qualquer pretexto, os dirigentes usam a torcida como ameaça.

Rogério Ceni enxerga tudo, mas não abre a boca.

Só faz o que é possível e impossível para o time não perder dentro do campo.

É ótimo ter se casado com uma psicóloga.

Esse convívio ajuda na hora de conter o desabafo.

Ele e Mano Menezes são as pessoas mais frias e calculistas ao falar no futebol brasileiro.

Mas Ceni mostra sua indignação no tom de voz.

Isso fica claro para quem o conhece há anos.

Nos anos em que o São Paulo era respeitado e invejado por seu planejamento.

Essa era passou.

E Rogério Ceni sabe...

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