
O Fluminense enfrentará o desesperado Goiás, em Goiânia.
O Corinthans, o tranquilo Cruzeiro, em Uberlândia.
Quem terá o jogo mais fácil?
Quem já pode contar com os três pontos da vitória que o manterá disparado na frente?
Por incrível que possa parecer, os corintianos estão mais confiantes que os tricolores.
O Cruzeiro tem uma equipe muito mais técnica, forte do que o Goiás.
Como em todo ano, Zezé Perrella despejou vários jogadores no clube.
E colocou Cuca na vaga do agora corintiano Adilson Batista.
Entrosar uma equipe com a obrigação de classificar o time até a Libertadores não nada fácil.
Ainda mais com um treinador que acabou marcado no futebol brasileiro por sua insegurança.
Cuca é muito trabalhador, tem uma visão privilegiada dos jogos.
Mas se complica na hora de escolher as peças.
Demora a se decidir.
Os jogadores já perceberam isso.
E ele presta muito atenção a tudo que ocorre fora do campo.
De vez em quando vê fantasmas onde não existe.
Só que desta vez existe de verdade.
Adilson Batista ficou dois anos e meio na Toca da Raposa.
Era tratado a pão de ló por Zezé Perrella.
Foi vice da Libertadores.
Montou equipes eficientes, ofensivas.
E conheceu profundamente a maioria dos atletas que serão seus adversários hoje à noite...
Cuca vai tentar exorcizar Adilson colocando sua equipe no ataque, buscando a iniciativa do jogo.
É tudo o que o corintiano quer.
Vai fazer o que puder para explorar as deficiências da zaga Gil e Edcarlos.
Roberto Carlos e Jorge Henrique vão para cima de Jonathan.
Jucilei, Elias e Bruno César têm ordem de fazer o que gostam.
Contragolpear em bloco, com liberdade para invadir a área, tabelar ou chutar de fora da área.
Neste estilo de jogo é muito bom ter a inteligência de Iarley.
Chega a ser sorte que o gordo Ronaldo só possa jogar contra o Vitória, no domingo.
O jogo estará do 'jeito do Corinthians'.
O maior perigo está na bola parada de Montillo e no imprevisível Wellington Paulista.
Mas os paulistas estão convictos de que terão a partida sob controle.
Por outro lado, Muricy Ramalho sabe que o Goiás, ao contrário do Cruzeiro, não pode perder hoje.
O time de Leão estão em penúltimo lugar.
Não tem apoio de seu torcedor.
Tem jogado mal demais.
A diretoria está em pé de guerra.
O presidente Syd Oliveira emprestou seus dois melhores atacantes: Felipe e Jonanthan.
Fez para desafiar o conselho do clube, não se importando com a chance do rebaixamento.
A imprensa de Goiás pressiona, quer a demissão de Leão de qualquer maneira.
O time não vence no Brasileiro desde que acabou a Copa do Mundo.
É neste ambiente que o agressivo treinador se sente bem.
Vai tentar transformar o clima dentro de campo em guerra.
Todos contra o Goiás.
Especialista em sindrome de perseguição mostrará aos seus atletas que o mundo está contra eles.
E vai exigir um comportamento kamicaze contra o líder do Brasileiro.
A melhor chance que o destino poderia dar ao grupo.
Sob os holofotes do País inteiro, a oportunidade de uma reviravolta.
Pouco importa a técnica.
É para colocar a cabeça nas travas das chuteiras adversárias.
Morder o tornozelo dos bem pagos jogadores cariocas.
Contra adversários assim, nos últimos anos, Muricy Ramalho tem se complicado.
Ele tem sob seu comando uma equipe técnica, talentosa.
Mas contra o Vasco, time sem tantos talentos, quase sucumbe diante do coração.
Além do talento, Deco, Conca, Mariano, Júlio César, Emerson só sairão de Goiânia de cabeça alta se tiverem muita vibração, personalidade.
Se jogarem com raiva.
Aí é que está o perigo.
Talvez tudo isso faz com que os corintianos estejam tão confiantes que a liderança poderá mudar de mãos.
Será?
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