Publicado em 07/08/2010 às 11h42
Caminho aberto para o Piritubão. Para sobreviver, Kassab sai da frente…
A política é mais pesada do que simples mortais podem imaginar.
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab que o dia!
Ele me disse na África do Sul nem pensar em construir um estádio só para futebol em Pirituba.
O terreno apontado como ideal não tem infraestrutura, hotéis cinco estrelas por perto, nada.
Para um centro de convenções seria o ideal.
"São Paulo tem o Morumbi, que é perfeito para abrir a Copa do Mundo.
Viajei bem pela África.
Não há necessidade de colocar dinheiro público em um novo estádio.
Depois do Mundial, ele perderia a razão de existir.
Temos o Morumbi, o Pacaembu, o Palestra Itália, o Canindé...
Dá e sobra.
Não apoio de jeito nenhum esse tal Piritubão."
A nossa conversa foi há pouco mais de um mês.
Pois bem, a política envolve situações publicáveis e outras impublicáveis.
Vamos seguir por essa linha tênue e escrever o que é possível, sem acabar preso.
Kassab recebeu uma pressão inimaginável.
De altíssimas esferas.
Até dentro do seu próprio partido.
Se São Paulo perder a abertura ou mesmo deixar de ser uma das sedes de 2014, sua carreira correrá perigo.
Há muitos interesses: dinheiro, prestígio e votos em jogo.
São Paulo perder a Copa por teimosia de Kassab seria um suicídio político.
Mesmo que ele tenha dado a palavra aos dirigentes do São Paulo.
Ninguém lutou mais pelo Morumbi do que ele.
Mas chegou ao limite.
A construção de uma arena em Pirituba envolve cerca de R$ 700 milhões.
Poderá ser usada pelo Corinthians e pelo renascido Santos.
Agradaria ao governo federal.
À CBF.
À Fifa.
A empreiteiros poderosos.
Com tanto apoio assim é fácil para qualquer político virar governador.
E ao contrário?
Qual seria o futuro de político que travou tantos interesses?
Ao anunciar ao mundo que pediu estudos, uma análise sobre a possibilidade da Arena, Kassab avisou.
Já cedeu.
Não de vez.
Vai levar um tempo até assumir publicamente.
Mas ele já sinalizou: desistiu.
Os dirigentes do São Paulo compreenderam.
A luta está perdida.
O Morumbi perdeu seu maior defensor.
Assim como o dinheiro público paulista.
Escolas para quê?
Hospitais?
Armas de verdade para policiais?
Bobagem...
Que venha o Piritubão de R$ 700 milhões...
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