Publicado em 28/07/2010 às 14h54
Quem dispensa um artilheiro antes de uma decisão? O organizado São Paulo Futebol Clube…
Sorrisos, abraços apertados, despedida emocionada.
Agradecimentos.
Tudo teatro.
A saída de Washigton do São Paulo foi cercada de muita raiva.
Dos dois lados.
Sendo criticado, em péssima fase, ganhando o apelido de 'cone' entre os torcedore, ele marcou gols.
Fez nada menos do que 45 em um ano e meio de São Paulo.
Desde que começou sua carreira, Washington sonhava em jogar em um clube grande paulista.
Corinthians e Palmeiras lutaram muito por ele em várias ocasiões.
Mas tinha a certeza de que iria se consagrar no São Paulo.
Com a infraestrutura, com a moderna diretoria, com os companheiros de alto nível.
Tanto que, em 2009, ele me fez uma revelação importante depois de um programa de televisão.
"O Fluminense e o Grêmio me pagariam muito mais.
Escolhi o São Paulo porque sei que vou fazer história.
Não vou sair de lá tão fácil."
Só que, muitas vezes, a vida não é como a gente sonha.
Washington logo teve pela frente a concorrência de Dagoberto e Borges.
Muricy Ramalho deixou os três se matarem para colocar o que considerava os dois melhores.
Houve um grande e desnecessário desgate.
O incrível é que essa briga em três serviu para aproximá-lo de Dagoberto, com que não se dava bem no passado.
Borges percebeu que seu espaço estava reduzido demais e foi embora.
Desde a chegada de Ricardo Gomes, Washington percebeu que o treinador queria mais dele.
Não bastaria ser aquele atacante fixo na área.
O truculento goleador cuja função era apenas empurrar a bola para as redes.
Não.
Ricardo queria movimentação.
Trabalho de pivô.
Que ele saísse mais da área do que estava acostumado.
Foi assim que começou a matar, expor Washington.
Ele passou a se desgastar muito mais nos jogos.
Como não era mais um menino, o cansaço acabou por prejudicar a eficiência das conclusões.
Daí os inúmeros gols perdidos.
Ele estava cansado, irritado e passou a perder a confiança.
De jogador falante, amigo, se tornou fechado, tenso.
Já tinha recusado o Flamengo, sondagens do Palmeiras.
Mas até que chegou o Fluminense.
Justo às vésperas das semifinais da Libertadores.
Ele tinha certeza que a diretoria do São Paulo iria tentar convencê-lo a ficar pelo menos até o final da competição que o clube ama.
Como abrir mão do artilheiro faltando quatro partidas para a competição terminar.
Mesmo com a contratação de Ricardo Oliveira.
Ninguém no elenco tem o estilo e o faro de gols de Washington.
Mas foi a própria diretoria do São Paulo que o aconselhou a sair.
Ricardo Gomes disse que ele não faria falta.
E assim foi feito.
Washington foi receber mais dinheiro no Fluminense.
Sorriu na apresentação, diz que se 'sente em casa'.
Mas as pessoas próximas a ele sabem o quanto ele saiu magoado e profundamente decepcionado com o São Paulo.
Que ele não faça falta hoje à noite em Porto Alegre.
Ou até mesmo se o clube paulista golear por 5 a 0...
A decisão inédita de mandar embora um artilheiro na véspera de uma decisão é da diretoria do São Paulo...
Com a indicação, lógico, de Ricardo Gomes...
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