
São Paulo...
Quem acompanhou a ascensão de Luiz Felipe Scolari no cenário nacional lembra bem.
Ele fez do Grêmio uma máquina de jogar futebol.
Não de toque refinado, mas de garra, força.
Jogadores com menor potencial técnico superavam craques.
"Felipão é o maior motivador do futebol mundial."
A frase foi dita por Ronaldo a este jornalista logo após a conquista do pentacampeonato no Japão.
O treinador não ficou no banco de reserva.
Não se expôs e respeitou seu auxiliar/irmão Murtosa.
Mas sua alma já havia impregnado o limitado time palmeirense.
Na preleção, os gritos, os palavrões, o carinho, o passar da mão pesada na cabeça dos jogadores.
O tapa nas costelas.
Felipão é rústico.
Mistura peculiar de observador inteligente com requinte de sargento de exército.
Que sabe como ninguém os perfis psicológicos que Regina Brandão faz dos seus jogadores.
Aprende até onde pode ir com cada um.
Os anos de Europa trouxeram uma camada de refinamento.
Quem teve a chance de acompanhar seus comentários na tevê africana viu um lado diferente.
Com terno e gravata mostrava acertos e defeitos das seleções que disputaram a copa.
Elegante, não caía nas provocações do bom apresentador africano.
Aquele que o pegou de surpresa dando a 'notícia' de que era o novo treinador da Seleção.
Sem reação, Scolari apenas riu.
Não disse nem sim, nem não.
Como na longa e repetitiva coletiva de ontem, regada a pipocas no CT do Palmeiras.
Pipocas à parte, quem viu o time de Scolari contra o Santos enxergou o Grêmio.
Primeiro, foi anulado o principal jogador adversário.
Neymar não teve espaço para respirar.
Depois, o time jogou compacto, com um sistema de cobertura firme, pelas laterais.
O amante da Arte da Guerra foi encurralando o rival como um exército.
O time de Dorival Júnior estava desfalcado, mas mostrou apatia típica de equipes de Ricardo Gomes.
Acabou sendo a vítima perfeita para o retorno da alma de Felipão para o Palmeiras.
Perdeu por 2 a 1.
E foi pouco.
Mesmo com o comando virtual da equipe, no celular, o treinador foi o grande vitorioso no Pacaembu.
A tarefa é dura.
O torcedor do Palmeiras ficou mal acostumado com as fáceis conquistas da era de ouro da Parmalat.
E está ansioso.
Principalmente por ver novamente Scolari de verde.
Mas ainda há muito por fazer.
A Traffic ser parceira de verdade e não só em entrevistas rasas de seus dirigentes.
Belluzzo está usando até as suas amizades pessoais para trazer patrocinadores ao clube.
Decidiu lutar por uma reeleição e tentar aproveitar uma fase de conquistas.
O seu início como presidente foi frustrante, cheio de equívocos.
Felipão é um sobrevivente.
Sabe ler como ninguém o ambiente que o cerca.
E a saída para o atual Palmeiras é a volta aos tempos do Olímpico.
Ele viu in loco na África: a saída para times sem grandes estrelas é fechar os espaços...
Velocidade nos contragolpes...
Tudo temperado com entrega total, fazer de cada partida uma guerra.
O Palmeiras de toque refinado do tempo da Academia não será exemplo para Felipão.
Assim como o time que deu vexames seguidos nas mãos de Luxemburgo e Muricy também não.
Ainda bem...
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