
São Paulo.
CT do Palmeiras...
O cheiro de pipoca dominava o ambiente.
Cerca de 200 pessoas estiveram no inútil ginásio do CT da Barra Funda.
Finalmente o ginásio teve alguma utilidade.
Foi adaptado para a chegada de Luiz Felipe Scolari.
O evento levou cerca de 2h30.
A conclusão foi simples.
Nunca em toda a sua história, o Palmeiras ficou tão dependente de um treinador.
Dez anos depois de sua saída, Felipão mudou muito.
A conquista do pentacampeonato mundial, o vice europeu com Portugal...
Sabotado ou não, o fiasco com o Chelsea...
A bem sucedida aventura financeira no Uzbequistão...
Tudo isso já o tornaria uma celebridade.
Mas o orgulho dos dirigentes ficou ainda mais forte por estar cotado para voltar à Seleção.
Nas enquetes populares ele é o nome campeão.
Banif, Parmalat e Unimed se reuniram para pagar cotas que pagarão os salários de R$ 700 mil mensais.
Já descontado o imposto de renda, como ele queria.
No dia seguinte à Traffic tirar Cleiton Xavier.
Antes tinha sido Diego Souza.
O time do Palmeiras é fraco.
Kléber já sentiu isso no amistoso contra o Boca Juniors.
Murtosa também já o avisou.
A direção sonha com Valdívia.
E com mais jogadores 'com nível de Seleção Brasileira' que Jota Hawilla teria prometido.
Enquanto se sonha, Scolari usou o seu carisma.
Em relação ao Palmeiras a sua afirmação mais importante...
"Quero pedir de agora até o início do ano que vem paciência aos torcedores."
Ele não é bobo.
Sabe que não adianta os torcedores esperam por milagres verdes.
E mais, para mostrar que está mudado, Felipão não sentará no banco de reservas hoje.
Deixará para o seu auxiliar e companheiro para todas as horas, Murtosa.
Contra o Santos há a certeza de uma partida dificílima e com favoritismo todo do outro lado.
Não seria bom estrear correndo tanto o risco de uma derrota.
Se fosse o Felipão de dez anos atrás sentaria sim no banco.
Jogaria bola para dentro do campo, brigaria com o bandeirinha, sapatearia, mas estaria lá.
Agora ele passou a outra categoria de treinador.
Foi possível perceber durante a coletiva, que Scolari está muito menos espontâneo, calejado.
Entre tantos e tantos jornalistas esportivos, quem fez a melhor pergunta foi Monica Bergamo.
A colunista social da Folha de S. Paulo percebeu que o treinador estava enrolando.
Suas respostas eram apenas divagações.
Não havia nada claro.
"Felipe quer a seleção brasileira: sim ou não?"
Repito que foi a melhor pergunta.
Porque nem assim, o técnico respondeu.
Disse que nunca trabalha em um clube com segundas intenções.
Muita gente acredita que ele voltou ao Brasil, ao Palmeiras, para ficar mais próximo da seleção, da Copa.
Hábil, ele valorizou o Palmeiras.
Mas não fechou as portas para Ricardo Teixeira.
O presidente Belluzzo que deverá fazer de Felipe o seu cabo eleitoral para a reeleição, abriu a brecha.
Brecha relação a Scolari trabalhar no Palmeiras e na seleção.
"Não sou uma pessoa radical. Estou sempre disposto a conversar."
Melhorou muito a postura de quem garantiu que não aceitaria repartir o seu treinador, dias atrás.
Scolari respondeu perguntas por quase uma hora.
Depois falou de forma exclusiva para a Bandeirantes.
E para Globo.
Mostrou que continua carismático.
Aparentemente simples.
Colocou a camiseta com os patrocinadores que pagarão seus salários.
Em cima da camisa social que vestia.
Mas que ninguém se engane.
Luiz Felipe Scolari está muito mudado.
Sabe o seu peso no atual empobrecido mundo dos treinadores no Brasil.
Ele já chega com o maior salário da América Latina.
Ninguém ganha como ele.
Ricardo Teixeira o quer, mas não pretende ouvir outro não.
Não esqueceu o de 2006.
Deve até anunciar Mano, Muricy, Ricardo Gomes ou até Leonardo.
Mas era com Felipão com quem dormiria tranqüilo.
O técnico do Palmeiras também quer a Seleção.
Mas vai cumprir a sua obrigação.
E ajudar o clube que lhe deu a segunda Libertadores.
Abriu as portas para o pentacampeonato, para a Europa, para os petrodólares.
Nunca um clube precisou tanto de um treinador como o Palmeiras de Scolari.
Ele sabe disso.
E vai ganhar muito bem para cumprir o seu papel.
Enquanto isso, outro alguém irá começar a reformulação na Seleção Brasileira.
Luiz Felipe Scolari de fora da Copa de 2014?
De jeito nenhum.
Quem disse que esse 'outro alguém' vai terminar a reformulação?
E não estará apenas esquentando o banco para Felipão?
Assim como um dia Falcão fez a mesma coisa para Parreira ser tetracampeão mundial?
Ah... depois da entrevista foram servidos os saquinhos de pipoca...
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