Publicado em 11/07/2010 às 18h09
Foi a vitória da técnica, da coragem. Brava Espanha, campeã mundial na África europeia…

Johannesburgo...
Soccer City...
Depois de 27 minutos de uma festa maravilhosa...
E 20 segundos da imbecil entrada do invasor profissional catalão Jimmy Jump.
Ele tentou colocar uma touca vermelha na Taça Fifa e tomou um soco inesquecível de um segurança.
E começou a decisão da primeira Copa Europeia decidida no gelado território africano.
O jogo foi disputado com oito graus.
Sensação térmica de cinco...
Por que será que os europeus aceitaram disputar a primeira copa na África do Sul?
A duas escolhas táticas ficaram claras desde o início.
A melhor geração espanhola de todos os tempos foi fiel à sua campanha.
Vicente del Bosque colocou seus talentosos jogadores para tocar a bola em velocidade do meio para a frente.
O holandês e apaixonado pelo futebol germânico, Bert van Marwijk, resolveu subverter as ordens das coisas.
E não aceitou a briga técnica.
A Holanda escolheu se encolher e apostar em uma tática nova.
Os homens de camisa laranja tinham licença para dar pontapés em qualquer parte dos espanhóis.
O árbitro inglês Howard Webb foi medroso.
Deveria dado um cartão vermelho no primeiro tempo.
De Jong acertou o peito de Xabi Alonso.
Os pontapés não eram por acaso, por maldade, por raiva.
Era o caminho para travar o melhor toque de bola do mundo.
As faltas desleais e enorme complacência do juiz inglês foram irritando os espanhóis.
E de uma maneira feia, apelativa, a Holanda conseguiu não tomar gol no primeiro tempo.
Iniesta e Xavi quase não pararam em pé.
Com alguns cartões amarelos, os holandeses voltaram um pouco mais calmos.
E os espanhóis mais ansiosos.
Irritados, erravam tabelas, passes.
Caíram na catimba holandesa.
Passaram a também mostrar as travas das chuteiras.
E centralizar ainda mais o jogo.
O abandono das laterais era o grande pecado.
Na batalha campal disputada no meio de campo, quase o gol holandês.
Sneidjer lançou Robben livre no meio da zaga da Espanha.
Ele teve tempo de dominar a bola, levantar a cabeça e escolher o canto.
Casillas saiu para o tudo ou nada.
Caiu para a esquerda e a bola foi para a direita.
Só que sua canela direita a desviou para a linha de fundo, espetacular.
A resposta espanhola veio em uma bola que sobrou espirrada para David Villa, em falha bizonha de Heitinga.
Livre, o artilheiro chutou da entrada da pequena área.
Mas o zagueiro conseguiu se recuperar a desviou do gol certo.
A decisão europeia continuava tensa, brigada.
O nervosismo para tentar ser campeão do mundo pela primeira vez era evidente.
A Espanha teve outra chance com Sérgio Ramos.
Ele ficou livre em cobrança mágica de escanteio de Xavi.
Mas, nervoso, cabeceou forte para fora.
A Espanha imprenssava a Holanda, que sonhava com um contragolpe certeiro.
Bastaria um.
E ele quase veio na tática chutão para cima e devio de alguém para a velocidade de Robben.
Na corrida era covardia ele contra Puyol.
O pesado zagueiro ao menos o desequilibrou e ele não pôde driblar Casillas que ficou com a bola.
Jogo tenso, indefinido.
Valia muito.
Terminou em 0 a 0.
E veio a prorrogação
O cansaço abriu um pouco mais a Holanda.
E em uma falha impensável da defesa, Fábregas invidiu a área sozinho e Stekelenburg defendeu com os pés.
No instante seguinte, o desengonhaçado zagueiro Mathijsen teve o gol à sua disposição, depois de um escanteio.
A bola passou por Sérgio Ramos e ele cabeceou todo torto para fora.
As duas seleções mostravam instabilidade defensiva.
E muito nervosismo.
A Espanha tinha mais coragem, mas erros nos passes decisivos.
A Holanda obediência tática germânica, imposta por Marwijk.
Tratava de marcar em duas linhas, de quatro e cinco jogadores.
Para não dar espaço ao toque de bola do Barcelona de Vicente del Bosque.
Só que finalmente no segundo tempo da prorrogação, o inglês Webb expulsou alguém.
Não tinha como.
Heitinga agarrou Iniesta, depois de ótimo lançamento de Xavi.
Segundo amarelo, vermelho.
A Holanda recuou o seu atacante mais avançado.
E continuou marcando com uma linha de quatro e outra de cinco jogadores.
Futebol mecânico.
Faltava a laranja.
A Espanha queria mais.
Não se conformava com os pênaltis.
E aos 11 minutos, a jogada histórica nasceu com a decepção Fernando Torres.
Ele entrou e lançou.
A zaga afastou.
A bola sobrou para Fábregas.
O toque saiu preciso para Iniesta, livre.
O jogador mais talentoso, mas técnico de todo o Mundial.
Ele dominou a bola e chutou com toda a raiva do sangue espanhol que nunca venceu uma Copa.
O capitão Casillas choro assim que saiu o 1 a 0 e não parou mais até o final da partida.
Espanha merecidamente campeã.
A Holanda alcançou a marca de três vezes vice: 74, 78 e 2010.
Mas o gostoso é escrever sobre a Espanha.
Como os leitores lembraram, repetiu a grande Alemanha, campeão da Europa em 72 e campeã do Mundo em 1974.
Os espanhóis venceram a Europa em 2008 e hoje festejam a Copa.
Marca fantástica.
Está subvertida a ordem do futebol mundial.
O melhor futebol do planeta é espanhol!
Disparado.
Agora sim, essa seleção merece 0 apelido de Fúria.
Acabou o complexo de vira-latas e as famosas tremedeiras nas decisões.
E os jogadores puderam colocar as camisas que esconderam durante todo o mundial.
A que tinha uma linda estrela representando a entrada para a elite dos campeões do planeta.
Bem-vinda...
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