Foi a vitória da técnica, da coragem. Brava Espanha, campeã mundial na África europeia…

1010e Foi a vitória da técnica, da coragem. Brava Espanha, campeã mundial na África europeia...

Johannesburgo...

Soccer City...

Depois de 27 minutos de uma festa maravilhosa...

E 20 segundos da imbecil entrada do invasor profissional catalão Jimmy Jump.

Ele tentou colocar uma touca vermelha na Taça Fifa e tomou um soco inesquecível de um segurança.

E começou a decisão da primeira Copa Europeia decidida no gelado território africano.

O jogo foi disputado com oito graus.

Sensação térmica de cinco...

Por que será que os europeus aceitaram disputar a primeira copa na África do Sul?

A duas escolhas táticas ficaram claras desde o início.

A melhor geração espanhola de todos os tempos foi fiel à sua campanha.

Vicente del Bosque colocou seus talentosos jogadores para tocar a bola em velocidade do meio para a frente.

O holandês e apaixonado pelo futebol germânico, Bert van Marwijk, resolveu subverter as ordens das coisas.

E não aceitou a briga técnica.

A Holanda escolheu se encolher e apostar em uma tática nova.

Os homens de camisa laranja tinham licença para dar pontapés em qualquer parte dos espanhóis.

O árbitro inglês Howard Webb foi medroso.

Deveria dado um cartão vermelho no primeiro tempo.

De Jong acertou o peito de Xabi Alonso.

Os pontapés não eram por acaso, por maldade, por raiva.

Era o caminho para travar o melhor toque de bola do mundo.

As faltas desleais e enorme complacência do juiz inglês foram irritando os espanhóis.

E de uma maneira feia, apelativa, a Holanda conseguiu não tomar gol no primeiro tempo.

Iniesta e Xavi quase não pararam em pé.

Com alguns cartões amarelos, os holandeses voltaram um pouco mais calmos.

E os espanhóis mais ansiosos.

Irritados, erravam tabelas, passes.

Caíram na catimba holandesa.

Passaram a também mostrar as travas das chuteiras.

E centralizar ainda mais o jogo.

O abandono das laterais era o grande pecado.

Na batalha campal disputada no meio de campo, quase o gol holandês.

Sneidjer lançou Robben livre no meio da zaga da Espanha.

Ele teve tempo de dominar a bola, levantar a cabeça e escolher o canto.

Casillas saiu para o tudo ou nada.

Caiu para a esquerda e a bola foi para a direita.

Só que sua canela direita a desviou para a linha de fundo, espetacular.

A resposta espanhola veio em uma bola que sobrou espirrada para David Villa, em falha bizonha de Heitinga.

Livre, o artilheiro chutou da entrada da pequena área.

Mas o zagueiro conseguiu se recuperar a desviou do gol certo.

A decisão europeia continuava tensa, brigada.

O nervosismo para tentar ser campeão do mundo pela primeira vez era evidente.

A Espanha teve outra chance com Sérgio Ramos.

Ele ficou livre em cobrança mágica de escanteio de Xavi.

Mas, nervoso, cabeceou forte para fora.

A Espanha imprenssava a Holanda, que sonhava com um contragolpe certeiro.

Bastaria um.

E ele quase veio na tática chutão para cima e devio de alguém para a velocidade de Robben.

Na corrida era covardia ele contra Puyol.

O pesado zagueiro ao menos o desequilibrou e ele não pôde driblar Casillas que ficou com a bola.

Jogo tenso, indefinido.

Valia muito.

Terminou em 0 a 0.

E veio a prorrogação

O cansaço abriu um pouco mais a Holanda.

E em uma falha impensável da defesa, Fábregas invidiu a área sozinho e Stekelenburg defendeu com os pés.

No instante seguinte, o desengonhaçado zagueiro Mathijsen teve o gol à sua disposição, depois de um escanteio.

A bola passou por Sérgio Ramos e ele cabeceou todo torto para fora.

As duas seleções mostravam instabilidade defensiva.

E muito nervosismo.

A Espanha tinha mais coragem, mas erros nos passes decisivos.

A Holanda obediência tática germânica, imposta por Marwijk.

Tratava de marcar em duas linhas, de quatro e cinco jogadores.

Para não dar espaço ao toque de bola do Barcelona de Vicente del Bosque.

Só que finalmente no segundo tempo da prorrogação, o inglês Webb expulsou alguém.

Não tinha como.

Heitinga agarrou Iniesta, depois de ótimo lançamento de Xavi.

Segundo amarelo, vermelho.

A Holanda recuou o seu atacante mais avançado.

E continuou marcando com uma linha de quatro e outra de cinco jogadores.

Futebol mecânico.

Faltava a laranja.

A Espanha queria mais.

Não se conformava com os pênaltis.

E aos 11 minutos, a jogada histórica nasceu com a decepção Fernando Torres.

Ele entrou e lançou.

A zaga afastou.

A bola sobrou para Fábregas.

O toque saiu preciso para Iniesta, livre.

O jogador mais talentoso, mas técnico de todo o Mundial.

Ele dominou a bola e chutou com toda a raiva do sangue espanhol que nunca venceu uma Copa.

O capitão Casillas choro assim que saiu o 1 a 0 e não parou mais até o final da partida.

Espanha merecidamente campeã.

A Holanda alcançou a marca de três vezes vice:  74, 78 e 2010.

Mas o gostoso é escrever sobre a Espanha.

Como os leitores lembraram, repetiu a grande Alemanha, campeão da Europa em 72 e campeã do Mundo em 1974.

Os espanhóis venceram a Europa em 2008 e hoje festejam a Copa.

Marca fantástica.

Está subvertida a ordem do futebol mundial.

O melhor futebol do planeta é espanhol!

Disparado.

Agora sim, essa seleção merece 0 apelido de Fúria.

Acabou o complexo de vira-latas e as famosas tremedeiras nas decisões.

E os jogadores puderam colocar as camisas que esconderam durante todo o mundial.

A que tinha uma linda estrela representando a entrada para a elite dos campeões do planeta.

Bem-vinda...

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