Publicado em 01/06/2010 às 22h28
O surreal, o bizarro. E a seleção brasileira no Zimbábue…

O blog viajou de Johannesburgo para o Harare, capital do Zimbabue, no voo da seleção brasileira.
A grande expectativa dos jornalistas que estavam no voo era saber se Kaká iria ou não participar do amistoso de amanhã.
E Kaká estava no avião, sorridente, brincando com os companheiros, como se não tivesse treinado muito mal durante a semana.
Mas parece que Dunga vai colocá-lo para jogar pelo menos por um período amanhã aqui no Zimbábue.
São esperadas mais de 60 mil pessoas para o amistoso.
O clima no avião variou do tranquilo para o surreal.
Uma pequena explicação para as pessoas entenderem como em um avião da seleção pode viajar jornalistas.
E como eles convivem.
Primeiro, eles não convivem.
Os jornalistas entram primeiro no avião e ficam na parte de trás.
Depois, entram os jogadores.
E não há o contato físico.
Com Dunga tudo é muito rígido.
É proibido tirar fotografias ou filmar.
Sem exceção.
No meio do avião ficam seguranças que evitam a aproximação.
A maioria viaja ouvindo o seu iPod ou vendo filmes no seu computador.
Dunga e a Comissão Técnica ficam à frente, nos primeiros lugares.
O surreal ficou pelo que foi distribuído pelas aeromoças da companhia aérea sul-africana aos jogadores.
Elas passavam com uma enorme vasilha que parecia a parte de baixo de uma geladeira.
E cheia de frutas.
Bananas, maçãs, laranjas, peras, ameixas.
Era para pegar com a mão, sem a menor cerimônia.
Só que, lógico, ninguém aceitou.
O mais irônico da história é que àquela altura do voo, as aermoças já haviam trocado suas camisas por camisetas fakes do Brasil, pouco importando que representantes oficiais da marca junto à seleção estivessem no voo.
Depois de uma hora, o avião pousou no aeroporto internacional de Harare cercado por policiais e soldados do Exército.
Havia uma comitiva imensa de políticos na pista, inclusive um dos filhos do presidente Robert Mugabe.
O encontro não durou nem cinco minutos e os jogadores entraram no ônibus, seguidos por viaturas policiais, do Exército e pela enorme limusine carregando os políticos locais.
Cena bizarra.
Os jogadores não passaram pelo saguão do aeroporto. Saíram de ônibus da pista de pouso dos aviões para o seu hotel.
Os jornalistas puderam registrar apenas resquícios destas cenas porque estavam presos no avião, até que os jogadores entrassem no ônibus.
A rígida polícia e o exército do Zimbábue impediu os contatos com os torcedores comuns que foram até o aeroporto ver de perto o time brasileiro.
Havia uma enorme preocupação em relação à confusões. Eles tentaram acesso ao aeroporto durante a tarde inteira, disseram jornalistas que estavam esperando a seleção, mas não puderam ficar. Os soldados os expulsaram do aeroporto antes mesmo da chegada da seleção.
Para evitar contato com jornalistas brasileiros, os jogadores da seleção não precisam passar pela alfândega ou pegar bagagens.
Há um staff para isso.
Uma explicação muito convincente para que o amistoso vá acontecer amanhã no Zimbábue e não na África do Sul onde a seleção faz sua preparação para a Copa: US$ 2 milhões que o país está pagando pelo jogo.
O presidente Robert Mugabe decretou ponto facultativo amanhã em Harare por causa da partida.
São esperadas mais de 60 mil pessoas vendo o amistoso contra o país que Robinho não sabe nem o nome...
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