Publicado em 25/06/2010 às 12h54
Brasil 0, Portugal, 0. Seria muito melhor ter ido à praia aqui em Durban…

A proposta de Carlos Queiroz era transparente, cristalina.
Portugal entrou na partida para buscar vencê-la nos contragolpes.
Ele viu o quanto os norte-coreanos complicaram a vida do Brasil na estreia.
Comprar a briga de peito aberto não é bom negócio.
Costa do Marfim que o diga.
Ele tratou de montar uma linha de quatro zagueiros e outra com cinco jogadores no meio de campo, atrás da linha da bola.
E só Cristiano Ronaldo para fazer pose e chutar de longe.
Dunga resolveu surpreender a todos e entrou com Nilmar e poupou Robinho.
Ele podia e fez.
O Brasil já estava classificado.
Nilmar é mais agudo do que o jogador do Manchester City.
O Brasil trocou o drible pela definição em velocidade, pela verticalidade.
Aos 30 minutos, a toda velocidade, ele obrigou Eduardo a fazer um milagre, espalmar a bola que bateu na trave.
Como os contragolpes dos portugueses costumam ser armados pela direita, Michel Bastos ficou guardando posição.
E Maicon era a válvula de escape.
Com Daniel Alves na vaga de Elano, a intermediária ficou mais ofensiva, mais leve, porém mais vulnerável.
O improvisado lateral do Barcelona é habilidoso, chuta bem, mas não marca tanto.
Júlio Baptista no lugar de Kaká foi previsível.
Ficou na intermediária fechando o meio e pouco na armação.
Dunga sentiu na pele o absurdo de não ter convocado um meia de verdade para a reserva.
Os portugueses conhecem bem Felipe Melo.
E Queiroz colocou Pepe para provocá-lo.
E o brasileiro naturalizado tratou de caprichar.
Deu um criminoso pisão no seu tornozelo, por trás, covarde.
O volante brasileiro ficou histérico.
Queria sangue.
Tomou amarelo, mas não estava satisfeito.
Dunga interferiu na hora certa e o tirou de campo aos 43 minutos.
Não deixou o primeiro tempo acabar para não correr o risco de ficar com um jogador a menos.
O pequerrucho Josué e seus passes de dois metros estavam em campo.
A opção mais corajosa e buscando o ataque seria a entrada de Ramires.
Portugal voltou melhor, mais confiante.
O Brasil já não marcava tão bem.
Perdeu na troca do sem pavio pelo pequerrucho.
Queiroz adiantou seu time, que passou a dominar a intermediária.
Julio César foi obrigado a mostrar seu talento aos 14 minutos quando Lúcio cortou a bola de Cristiano Ronaldo de carrinho.
A bola sobrou para Raul Meirelles chutar na pequena área e o goleiro espalmou.
E voltou a forçar o seu ponto fraco: a coluna.
O jogo passou a ser dominado por Portugal.
Mas falta também um jogador de criação.
Cristiano Ronaldo se limitava a esperar faltas e cobrá-las como tiro de meta.
Sem emoção, a torcida passou a fazer ôla na arquibancada.
Era mais divertido do que o monótono jogo do Brasil, que tocava a bola de forma burocrática.
E Portugal sem talento.
O público passou a se divertir assoprando suas milhares de vuvuzelas, em uma orquestra infernal.
Era mais divertido.
A partir dos 35 minutos, os dois times desistiram da partida.
Só um chute de Ramires que bateu na zaga portuguesa e obrigou o goleiro Eduardo a sujar o calção.
E só.
O empate dava ao Brasil o primeiro lugar no grupo G e a partida das oitavas de final em Johannesburgo.
E Portugal ficava mais do que satisfeito em se classificar como segundo do grupo.
Os torcedores que lotaram o estádio não escondiam o gosto de frustração.
Largaram as suas vuvuzelas e vaiaram com vontade ao final do jogo.
Seria muito melhor ter ido às belas praias daqui de Durban...
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