Publicado em 15/06/2010 às 00h32
O ataque de cegueira dos jornalistas. Para a Argentina acabar com o jejum de 24 anos sem Copa…

Já são 24 anos sem a conquista de uma Copa do Mundo.
Isso pesa para qualquer seleção tradicional, com grandes talentos.
Com o melhor jogador do mundo.
Tudo fica ainda pior quando o time representa o país chamado Argentina.
Assistir a festa alheia trouxe um efeito nas Eliminatórias.
A imprensa pressionou, cobrou, reclamou, derrubou o desorientado Alfio Basile.
Com a entrada de Maradona, os jornalistas foram à loucura.
Virou missão nacional derrubar o treinador.
Se ele não caísse, a Seleção Argentina ficaria de fora da Copa da África.
Aos trancos e barrancos, a classificação veio
Maradona mandou todos a imprensa chupar não sei o que.
A Fifa até o suspendeu pela reação constrangedora.
Mas agora a Argentina está aqui na Argentina,
E a postrua da imprensa portenha mudou completamente.
Acabaram os questionamentos.
É como se houvesse um pacto silencioso.
Em nome dos 24 anos sem títulos, o tom de cobrança sumiu.
Há um respeito até exagerado por parte dos repórteres.
Maradona está mais tranquilo, mais leve.
Há boa vontade de todas as partes.
A Argentina continua sendo uma equipe que lembra uma linda moça com o corpo horroroso.
Do meio para a frente, o time é muito bom.
Com toques sutis na bola, que lembram carinho de namorado novo, Messi desequilibrou a partida contra a Nigéria.
Fez do goleiro nigeriano o melhor homem em campo.
Se a Argentina perdeu vários gols, na defesa, um sofrimento,.
Zagueiros lentos, confusos, goleiro que não merece confiança e volantes que não conseguem proteger a zaga.
Mas os jornalistas argentinos resolveram parar de enxergar tão bem.
E como se todos estivessem vivendo naquele filme "Ensaio sobre a Cegueira", baseado no livro de José Saramago.
Lá, de repente, todos ficam cegos.
É o que acontece na Argentina.
A seleção vizinha é a mais protegida, blindada da Copa.
Vinte e quatro anos vendo festas alheias mudaram as mais profundas convicções...
Esse surto momentâneo de cegueira tem dada marcada para acabar.
Dia 11 de julho.
A partir desta data os periodistas argentinos talvez voltem a enxergar.
E não vão gostar de ver que seu futebol está entregue a um ídolo que não é treinador e espera ganhar todos os jogos com o seu carisma.
O melhor jogador do mundo precisa ser tratado como Michael Jackson portenho para render.
Até sua mãe admite que sem carinho não joga o que pode.
E que Julio Grondona já está cansado e com idéias ultrapassadas para segurar os craques que surgem no seu país.
Fortalecer seus tradicionais clubes que estão a caminho da falência.
Mas isso deixa para depois.
A cegueira continua valendo.
É melhor continuar cantando e tocando o bumbo...
'Vamos, vamos Argentina,
Vamos, vamos a ganar,
Que esta barra quilombera,
No te deja, no te deja de alentar'
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