Posts de 4 de junho de 2010

“Não perdi a Copa de 2006 sozinho. Chega disso!” Exclusiva com Parreira…

2d0a10d447d3f02be0794bd42e6a grande Não perdi a Copa de 2006 sozinho. Chega disso! Exclusiva com Parreira...

Concentração da África do Sul aqui em Johannesburgo.

Meio-dia e meia desta sexta-feira fria na África.

Carlos Alberto Parreira aceita dar uma longa entrevista para o programa Esporte Fantástico.

Ficou muito interessante e vai ao ar no próximo sábado.

Conheço Parreira há 17 anos, desde as sofridas eliminatórias para a Copa de 1994.

Fui junto com a equipe da TV Record.

E pedi a minha entrevista, que tinha um tema só.

A Copa de 2006.

Dunga usa a bagunça que aconteceu na Copa passada para justificar o clima de colégio militar que criou para a seleção brasileira.

Ninguém diz, mas nas entrelinhas, Parreira ficou com a imagem de um frouxo.

De um treinador permissivo, que incentivou os treinos com mulatas, escolas de samba e farras dos jogadores até às cinco da manhã.

Em plena Copa do Mundo.

Também de alguém sem coragem e cínico, capaz de escalar jogadores com mais de 100 quilos como Ronaldo e Adriano.

Por quatro anos, ele sempre foi político.

Sorria amarelo, dizia que não era bem assim.

Mas o assunto estava atravessado na sua garganta.

Chegou a hora de ele se defender e fazer várias revelações.

E escancarar a falta de comprometimento que sabotou a chance do Brasil ser campeão do mundo pela sexta vez na Alemanha.

Parreira, vamos direto ao ponto. Como é ser o culpado pelo grande fracasso de 2006?

Culpado? Do que você está falando? Não perdi a Copa de 2006 sozinho. Chega disso! A mídia vem insistindo há quatro anos. Quatro anos a mesma história! Vamos parar de hipocrisia! Tenho parte na culpa. Formei uma seleção maravilhosa que ganhou a Copa América, ganhou a Copa das Confederações vencendo a Alemanha e Argentina. E classifiquei o Brasil três jogos antes do final das eliminatórias.

Não posso fazer nada se jogadores são irresponsáveis a ponto de chegar para uma Copa do Mundo pesando 100, 101 quilos. Isso não tem cabimento. Na Alemanha eu tive nas mãos um time sem comprometimento, sem ambição, jogadores enriquecidos, não se preocupando de verdade com a competição. Atletas que não perceberam ou que esqueceram o que significa ganhar a Copa. Um time de barriga cheia. Cansado de conquistas. Se a legislação da Fifa permitisse, eu teria até tirado alguns deles do grupo.

Como assim, cortado?

Eu tive de fazer alguns cortes importantes agora na África do Sul. E fiz sem medo, sem problema algum. Sou assim, penso no grupo. Eu não pude fazer isso na Copa de 2006. Porque depois da convocação final, só sairiam jogadores por contusão. Como foi o caso do Edmílson. Eu repito que se estivesse valendo o critério de agora, os atletas desinteressados que encontrei não teriam ido ao Mundial.

Você está falando de Ronaldo, Adriano, Ronaldinho Gaúcho?

Não quero falar nomes. Todos sabem muito bem quem estava acima do peso. E o que essas pessoas fizeram para a seleção brasileira no mundial. O ser humano precisa sempre de desafio. Ter o bolso cheio, falta de vontade de conquistar é fatal. Principalmente no futebol. Não foi só o Brasil que ficou decepcionado com algumas pessoas, eu também.

Mas você não era o comandante?

Sim. Mas acontece que, por três anos e meio, o Brasil ganhou tudo. As pessoas fazem questão de esquecer a campanha maravilhosa que fizemos. Ganhamos tudo o que disputamos. Tanto que chegamos como superfavoritos a ganhar a Copa. Não tinha quem não apostasse contra o Brasil. E eu era o treinador também quando tudo estava dando certo. Acontece que fui surpreendido com o que encontrei. Fizemos o possível para condicionar os jogadores. Apostei na superação. Eram jogadores com currículo, vencedores. Só que o time fracassou.

Por que você morreu abraçado com o quadrado mágico?

Agora é fácil criticar, mas quem não apostaria em Kaká, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Adriano? Quem não gostaria de ter esses jogadores na sua seleção? O time estava montado, pronto para que eles jogassem tudo o que pudessem. Mas para isso eles deveriam estar bem fisicamente. E não foi o caso.  Não posso ser o culpado.... Não mereço.... E vou falar a verdade para você, Cosme, não carrego esse trauma comigo, não. Eu deletei. Tenho parte da culpa, mas não a culpa inteira. Assim como não fico olhando no espelho e me vangloriando por ter ganho a Copa de 1994. Tudo é um processo. Fui apenas uma peça. Mas parece que é mais fácil no Brasil crucificar um técnico. Fica mais fácil para as pessoas entenderem. Mas isso é uma mentira. Técnico nenhum ganha ou perde sozinho uma Copa do Mundo. Nenhum.

Vamos, por favor, tocar no ponto que é a desculpa para o Dunga ter trancado a concentração brasileira.

A preparação para a Copa em Weggis, na Suíça, foi uma farra. Com torcida, mulatas, escolas de samba nas arquibancadas. Não houve concentração nenhuma para o time...

Sou sincero. Não esperava aquele clima em Weggis. Aquela agitação toda não serve para um time com a responsabilidade do Brasil que vai disputar uma Copa do Mundo. Mas as pessoas precisam pensar um pouco. Existem coisas na seleção brasileira que não cabe ao técnico dizer se elas vão acontecer assim ou não. Tentei de todas as formas proteger o grupo. Fiz o meu papel. Tenho a consciência tranquila. Você me conhece há anos. Sabe que sou uma pessoa muito séria.

Você quer dizer que treinar em Weggis, com aquela arquibancada lotada, mulher invadindo o campo para abraçar o Ronaldinho Gaúcho foi uma decisão que veio acima do seu cargo. Hieraquicamente você não teria como dizer não...

É evidente que não poderia dizer não para Weggis. Nenhum técnico poderia. Basta as pessoas pensarem um pouco. É mais simples culpar o Parreira, o Zagallo. Mas às vezes eu fico assustado como as pessoas buscam explicações simplórias para as coisas. A preparação não foi a ideal. Pelo contrário até. Mas é muito pobre pensar que o Brasil perdeu a Copa pelo que aconteceu em Weggis. Foi pela falta de ambição e falta de comprometimento de jogadores fundamentais. Por pesar mais de 100 quilos...

Parreira, você foi até considerado fraco para conter as baladas. Como é que um técnico libera jogadores para farrear até as cinco da manhã em plena Copa do Mundo?

A imprensa brasileira caiu nesta desculpa fácil, infantil. E mentirosa. Ou os jornalistas não sabiam que em 2002, com o Felipão, os jogadores também não iam aproveitar suas folgas após os jogos? E voltavam de madrugada como em 2006? Em 1970 já era assim. Em 1994  também. Os jogadores sempre saíram depois das partidas e voltavam de madrugada. Eu vou participar da minha oitava Copa e aprendi uma coisa. Quando o time perde, tudo é desculpa.  Mas quanto ganha tudo estava certo. Futebol é assim. Essa folgas que todos falam até hoje sempre aconteceram. Sempre. Não fui eu quem inventei. E sei que o Brasil não perdeu a Copa por causa delas. E digo mais, grupo nenhum fica preso na concentração por 40, 50 dias. Isso não existe.

Mas até as cinco da manhã não era demais?

Era depois dos jogos. Depois os atletas dormiam o dia todo, se recuperavam. Isso sempre aconteceu. Preste atenção: essas folgas não tiveram a menor culpa na derrota da Copa. O problema eu já falei várias vezes a você: a falta de vontade, de responsabilidade, de comprometimento.

Ninguém melhor do que você para confirmar se o Roberto Carlos teve alguma culpa no gol de Henry que eliminou o Brasil da Copa de 2006. Ele estar arrumando as meias na cobrança de falta foi fatal?

O Roberto Carlos tem um metro e meio. O lugar dele nunca foi dentro da área em faltas levantadas para a área. Ele deveria estar na frente, esperando o rebote. Mas atento. Estar arrumando as meias mostrou displicência. Mas ele não deveria estar marcando o Henry, que mede o dobro dele. Houve um erro coletivo dos nossos jogadores altos. Não dele. O Roberto Carlos não merece essa culpa que querem jogar nos ombros dele. Eu era o técnico e o absolvo. Só critico a displicência. Bola em jogo não se deve ficar arrumando meia.

Todas essas explicações que você está dando agora poderiam ter sido evitadas. Eu sei que você não queria ser o treinador de 2006. Estava bem, consagrado com a conquista de 1994...

É verdade. Eu não queria de jeito nenhum. Mas acontece que o Felipão ganhou em 2002 e saiu. Eu estava fazendo um sucesso incrível com o Corinthians. O time estava realmente muito bem. O Brasil inteiro estava impressionado com a força da equipe. Foi quando o Ricardo resolveu me chamar. Falei que não, várias vezes. Não queria. Mas o Ricardo me perguntou por que eu estava recusando o melhor emprego do mundo. Dirigir a melhor seleção do mundo. Parei, pensei nos jogadores. Na importância da Copa do Mundo. Em trabalhar de novo com o Zagallo na seleção. Com o Américo Faria, que é muito meu amigo. E acabei aceitando. Sei que a próxima pergunta é se me arrependo. Não me arrependo, não. Ganhei a Copa América e a Copa das Confederações, que faltava no meu currículo.

O que você faria de diferente se pudesse voltar à Copa de 2006?

Não poderia fazer nada. Porque não saberia como os jogadores chegariam para o Mundial. E vou dizer mais. Não fico pensando nisso. Da mesma maneira que não fico pensando como consegui ganhar a Copa de 1994, depois de 24 anos de fracassos do Brasil no Mundial. E eu sou o primeiro a falar: não ganhei sozinho 1994 e não perdi sozinho em 2006.

O Dunga está certo em usar o exemplo de 2006 para trancar a seleção brasileira na concentração?

Conheço profundamente o Dunga. Não foi por acaso o meu capitão na conquista do tetracampeonato. Ele tem os seus critérios para estar agindo dessa maneira. Mas vou repetir o quanto puder que o Brasil não perdeu a Copa na preparação em 2006. Como também garanto que não será a preparação que fará qualquer time ganhar o Mundial daqui da África.

Quais são as chances da África do Sul na Copa?

Tenho uma seleção inexperiente internacionalmente. Só um jogador meu é titular na Europa. Vamos lutar muito para tentar nos classificar na primeira fase da Copa do Mundo. Será uma façanha. O grupo é dificílimo. Com México, Uruguai e França. A África do Sul vai depender demais do apoio da torcida e do espírito de superação. Vamos para a guerra. Eu confio no algo a mais que cada um terá de dar neste mundial.

O Brasil do Dunga tem chances de ser campeão?

Muitas. O Brasil tem o melhor time do mundo. Melhor. Mas não vou entrar em detalhes. Agora o problema é do Dunga. E eu desejo toda boa sorte para ele. Temos uma amizade sincera. Preciso ir embora, Cosme...

A última. O que você fará depois da Copa?

Seis meses de 'dolce far niente'. Não vou fazer nada a não ser esperar o nascimento do meu quarto neto. Depois vou pensar. Tentei parar de trabalhar como treinador e virar um administrador. Mas o trabalho é dobrado. Acredito que posso continuar como técnico. Ainda tenho muita energia.

Pensa ainda na seleção brasileira?

Não. Meu ciclo na seleção do Brasil se encerrou em 2006.  Tchau, Cosme...

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Atlético Mineiro na zona do rebaixamento. Culpa de quem? De quem?

retrato dorian gray Atlético Mineiro na zona do rebaixamento. Culpa de quem? De quem?

Seis pontos em seis partidas.

17º colocado no Brasileiro.

O primeiro da zona do rebaixamento.

Cair de divisão.

Ser rebaixado de verdade.

Ter desmontado o Palmeiras em 2002 só não vale.

Muita gente acredita que deveria.

Mas sendo justo: ainda falta um rebaixamento para a carreira de Vanderlei Luxemburgo.

Que não seja com o Atlético Mineiro.

Afinal, ele chegou ao clube prometendo um título nacional de relevância.

Tomara que ele não tenha falado o de Campeão da Série B.

Outra derrota ontem contra o Grêmio.

Velha desculpa.

Não falou do juiz.

Disse que é uma fase.

Fase de quem?

Dos jogadores?

Ou dele?

Despedido do Palmeiras.

Contrato encerrado com o Santos e com o novo presidente avisando que não o deseja nem como sócio.

A elegância continua a mesma.

O traquejo com as palavras também.

Só que elas não convencem mais como antigamente.

O problema deve ser a neurolingüística.

O Atlético Mineiro tem time para não cair.

Para brigar até por título.

O entrave, a fase ruim não é bem deles.

Mas virá a parada do Brasileiro por causa da Copa.

E adivinhe do que esse intervalo virá acompanhado?

De novas promessas, de treinamentos revolucionários na areia, de palestras de ex-árbitro.

Tudo o de mais moderno...

Atlético Mineiro: 17º colocado no Brasileiro.

Seis pontos em seis jogos...

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A pior guerra entre imprensa e seleção

Latino A pior guerra entre imprensa e seleção

Jogador de futebol em geral acredita que há dois tipos de jornalistas que vão cobrir seus treinos diariamente.

Ou é o 'parceiro'.

Aquele que vê o lado bom das coisas, dá força, não cobra e ainda o incentiva.

Ou o outro.

O 'traíra'.

O que expõe tudo de ruim. Não respeita uma má partida. O que dá nota baixa no jornal.

Com a profusão dos veículo de comunicação, o jogador não sabe e não faz questão de saber os nomes dos traíras, só dos parceiros.

Esta introdução foi feita para entender o que se passou na uma hora e meia do vôo da Seleção Brasileira entre Harare e Johannesburgo.

O blog estava no voo.

E vale a pena relatar o que presenciou.

E mostrar o quanto é ruim o ambiente entre imprensa e jogadores.

Até mesmo depois da uma vitória, contra o Zimbábue por 3 a 0.

Tanto jogadores como jornalistas estavam cansados do 'bate e volta' da viagem.

Todos saíram de Johannesburgo e chegaram ao Zimbábue na noite de terça-feira.

Na quarta-feira, à tarde, em Hirare, a partida. Logo em seguida, a volta para a África do Sul. O cansaço era geral.

No avião, a divisão. Na parte da frente, os jogadores. Atrás os jornalistas. No meio, a segurança da CBF.

As aeromoças distribuindo frutas da frente do avião até o meio.

Quando chegavam nos jornalistas, levantavam as bandejas.

Estava clara a divisão de casta. Uma mesquinharia tosca. Desnecessária.

Mal começou a viagem, o silêncio imperava.

Até que Robinho usando um aparelho moderno começou a mostrar o seu bom gosto musical.

O som alto dominava o avião.

Alguns poucos jogadores até gostaram da novidade.

No início, mas depois de inúmeras músicas de baladas e forrós de duplo sentido, todos se cansaram.

Até mesmo Robinho. Afinal, foram longos 40 minutos de martírio.

O silêncio no voo durou cinco minutos.

Foi o tempo para um cinegrafista e um produtor começarem a cantar pagode.

Na parte de trás do avião, as duas vozes juntas foram capazes de fazer ninguém dormir.

O troco veio em cinco minutos. E pesado.

Os jogadores pegaram seus instrumentos: cavaquinho e tambores e começaram também a cantar pagode.

Só que pagodes diferentes dos jornalistas.

Estava mais do que clara a divisão.

E cada qual tentava contar mais alto.

Encobrir as vozes do outro lado.

Não havia alegria, brincadeira.

Só ressentimento puro.

Algumas pessoas de bom senso até perguntaram porque não cantavam mal a mesma música. Mas ninguém ouvia.

O que interessava era mostrar a qual time pertencia.

O supervisor Américo Faria, homem de confiança de Ricardo Teixeira, levantou-se.

Foi até o meio do avião e olhou com reprovação para os jornalistas.

E a música ficou até mais alta.

Com os dois lados desafinando muito, a viagem parecia que durou oito horas para quem não cantava.

Isso durou até o final do voo.

Cerca de 50 minutos.

Ainda mais intermináveis do que quando Robinho era o DJ.

Quando o avião pousou em Johannesburgo, ninguém se olhava.

Eram como soldados de dois exércitos inimigos.

Talvez essa pequena demonstração revele como a seleção de Dunga encara a impresa.

E a Copa ainda nem começou...

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