
Ronaldo sempre foi muito inteligente.
E é cercado por boas fontes na CBF.
Ao retornar da Copa de 2006, ele sabia que havia fechado as portas para nova convocação.
Estragou a sua linda história na seleção comandando as baladas até as cinco da manhã no Mundial da Alemanha.
Mesmo com as baladas permitidas por Carlos Alberto Parreira.
Ele, Adriano e Roberto Carlos ficaram marcados pelo presidente da CBF como líderes negativos.
Dunga assumiu a seleção e lutou muito para convencer Ricardo Teixeira a dar nova chance a Adriano.
Conseguiu convencer o dirigente a dar nova chance ao atacante.
Chance que ele jogou fora no último momento antes da convocação para a Copa.
Dunga nem levou em consideração Roberto Carlos, acredita que sua passagem pela seleção já acabou.
Ronaldo surpreendeu a todos, inclusive a Dunga, em 2009.
Parecia ter renascido para o futebol.
Jogando muito bem pelo Corinthians, no primeiro semestre, ganhou um espaço fantástico na mídia brasileira.
Até Dunga se animou, passou a pensar em pedir nova chance a ele para Ricardo Teixeira.
A princípio, Ronaldo se poupava das entrevistas.
Mas o bom futebol destravou sua frieza ao falar.
Ele sempre mediu muito bem suas palavras, já que antecipa consequências.
Mas ele deu um escorregão, que parecia leve, mas agora se mostra mortal.
Em uma coletiva no auditório da Folha de S. Paulo, ele foi perguntado sobre Ricardo Teixeira.
E, brincando, deixou escapar uma frase.
"Ele parece que tem personalidade dupla."
O jogador se referia ao fato do dirigente gostar dele e ao mesmo tempo vetar sua convocação.
Teixeira soube imediatamente da provocação e acabou de vez com a seleção para Ronaldo.
A princípio, o corintiano não acreditou nisso.
Mas perto do final de 2009, ele percebeu ser verdade.
Por coincidência, ou não, foi quando teve uma recaída no ânimo.
Voltou a engordar, a jogar mal, sacrificar o Corinthians.
Dunga, claro, percebeu que tudo estava mesmo acabado.
Apesar de estar acima do peso, Ronaldo tinha esperança.
E ela morreu de vez no carnaval, no Rio de Janeiro.
Dunga e ele estavam em camarotes da Sapucaí, mas o treinador da seleção o evitou.
Ronaldo desandou de vez no Corinthians.
Seu enorme talento ainda garantiram alguns parcos gols, mas seu ânimo era outro.
Veio a Libertadores da América e ele foi em quase todos os jogos uma mera figura decorativa.
Na festa de aniversário da Traffic, Ronaldo viu Ricardo Teixeira.
Ele estava conversando com o presidente corintiano Andrés Sanchez.
O jogador mandou um torpedo a Sanchez elogiando Teixeira.
Sanchez sabia de toda a situação, mostrou o recado ao presidente da CBF.
Ele gostou e chamou Ronaldo.
Os dois conversaram, se abraçaram.
Fizeram as pazes.
O corintiano chegou até a postar no seu Twitter que havia se reconciliado com uma pessoa muito importante na sua vida.
Só que nada passa batido na CBF.
Inúmeras pessoas na entidade, passaram a fazer a maldosa piada.
"Um dia Ronaldo ataca Teixeira.
No outro o elogia.
Quem, afinal de contas, tem dupla personalidade?"
(Na página especial sobre a Copa do Mundo, respondo perguntas sobre a Seleção Brasileira e a sua preparação para a Copa.
Direto de Curitiba.)